Escolha de filhotes para trabalho

Tenho observado o crescente interesse das pessoas em adquirir cães para trabalho. Na verdade, todos os criadores de cães, principalmente os das raças de trabalho, deveriam dar uma atenção especial para as “características mentais” do animal. Afinal, o item “comportamento e caráter”, é parte integrante do padrão das raças e é marcante a diferença entre criações selecionadas para o trabalho e criações sem nenhuma seleção.


Devemos observar que dentro de uma mesma ninhada existem indivíduos totalmente diferentes. Podemos ter um filhote que não se presta ao trabalho e um outro com ótima aptidão. Então, vão ai algumas dicas para aqueles que valorizam a função dos nossos Cães de Trabalho:


1 – A escolha deve ser pautada sobre as necessidades do comprador e standard da raça. Se queremos um cão para serviço, esporte ou as duas coisas, devemos procurar no filhote características que facilitem no futuro trabalhá-lo para este fim.


Na verdade, para idealmente fazermos uma escolha, deveríamos ter condições para segurar ninhadas até um ano de idade. Os testes seriam realizados ao redor dos 45 dias, 3 meses, 7 meses e 12 meses. A triagem seria eliminatória, ou seja, eliminaríamos os filhotes indesejáveis para o trabalho ficando somente com aqueles que não fossem reprovados. Possivelmente, eliminaríamos ninhadas inteiras até a idade de 1 ano (“seleção” é isto).


No primeiro teste (ao redor dos 45 dias), vamos procurar traços marcantes para o trabalho, bem como comportamentos indesejáveis para o mesmo.


Para realizarmos estes testes, é necessário que a ninhada esteja de “barriga vazia”, com ótima saúde e sendo bem manejada. Devemos também ter escolhido visitar ninhadas de pais com sucesso em trabalho, além de árvore genealógica propícia.


Levamos os apetrechos necessários para realizar os testes – bola de tênis, dois pedaços de madeira (pouco menor que uma carteira – quando batemos um contra o outro, se assemelha a um estampido de revolver), pano de lavar prato ou roupa velha (um pequeno trapo), molho de chaves, panelas, pedaço de queijo ou de salsicha. (todos estes apetrechos podem ser fornecidos pelo criador).


Levamos um filhote de cada vez para um ponto da casa onde ele não esteja acostumado e lá o testamos.



  • Restrição ao ambiente estranho – ao colocarmos este filhote no chão, observamos que ele percorre o ambiente com total segurança procurando conhecê-lo sem qualquer restrição.
  • Sociabilidade – desde que entramos em contato com o filhote, notamos que não há qualquer receio e que ele não demonstra qualquer timidez.
  • Grau de atividade – procuramos os filhotes ativos (aqueles que sempre estão procurando o que fazer)
  • Impulso de caça – aqueles que perseguem o movimento dos objetos obstinadamente.
  • Impulso de luta – aqueles que ficam grudados ao pano e lutam exaustivamente para conquistá-lo
  • Persistência – aqueles que ao conquistar um brinquedo, não desistem dele por nada. Podemos esconder o brinquedo para testar a sua persistência ao procurá-lo.
  • Nervos – aqueles que não se assustam com barulhos estranhos, ou pelo menos se recuperam muito rápido. Para isto, usamos as panelas, o molho de chaves (um bom filhote, carrega o molho de chaves na boca) e as madeiras. Procuramos também a mordida estável (cão que morde forte, mas com tranqüilidade, sem mascar). Fazemos barulhos durante os testes de mordida.
  • Persistência no faro – riscamos o chão com um pedaço de queijo ou de salsicha deixando este pedaço no final. Colocamos o filhote no inicio, induzimos que ele o encontre e observamos qual a sua persistência para chegar ao fim.
  • Apetite voraz – ao final dos testes, observamos os filhotes comendo. Para trabalho, escolhemos os “bons de boca”.
  • Ímpeto de trazer, buscar (retrieve) – jogamos a bolinha e observamos se o cão nos trás facilmente (naturalmente). É muito importante também que o filhote pegue o brinquedo com determinação.
  • Independência – traço indesejável (o objetivo no adestramento é formar um time entre condutor e cão. Torna-se difícil e não natural conseguir um time com um cão independente).


  • Deve-se tomar o máximo de cuidado possível ao se realizar tais testes.
  • Devemos lembrar que para cada função, teremos testes específicos e que a melhor maneira de testar um cão é através da própria futura função.

2 – Preço ? “Quem quer qualidade, não vê preço.”


3 – Ao adquirirmos o filhote, é fundamental manejá-lo e direcioná-lo para a função futura. O inicio se dá assim que ele pisa na nossa casa.


4 – Para treiná-lo aproveitamos todo o nosso relacionamento com o filhote. Exploramos a vontade dele de brincar e de se alimentar para aumentar o vínculo, impulso de caça, para trabalhar o foco e estabelecer uma boa relação hierárquica. Isto tudo sem que haja qualquer conflito. O faro, pode ser iniciado, já nesta idade.


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