Esgrima artística

ESGRIMA ARTÍSTICA



A Esgrima pode-se orgulhar de ter 5 séculos de existência. A esgrima desportiva é (relativamente) conhecida mas não é mais do que apenas um dos aspectos dessa actividade. Para as necessidades do cinema, do teatro e do espectáculo em geral desenvolveu-se uma forma específica de esgrima: A Esgrima de Espectáculo. Igualmente chamada de “Esgrima Artística” para englobar as múltiplas possibilidades dessa técnica. É uma disciplina em que não se improvisa. Destinada a fazer reviver os combates épicos dos esgrimistas e duelistas do passado é uma actividade que exige concentração, método e seriedade na sua prática.


APRESENTAÇÃO



A Esgrima de Espectáculo é submissa a duas grandes contrariedades que vão condicionar a técnica e os seus métodos de trabalho: – não existe protecção, e as armas não são emboladas. Sem preparação é um jogo muito perigoso! A apresentação é prioritariamente dirigida ao público e não ao prazer dos combatentes.


A aprendizagem



Infelizmente não é suficiente colocarmo-nos frente a frente com outro esgrimista e brandir as espadas, para fazer um duelo “à la dArtagnan”. A técnica da Esgrima de Espectáculo é muito precisa, a fim de: Garantir a segurança dos combatentes e do público. É uma disciplina onde o risco de acidente nunca está ausente. Para oferecer um espectáculo que faça vibrar aqueles que assistem é necessário aprender certas técnicas e treina-las para adquirir o gestual e mestria necessária para o manejo das armas.


O treino


Tal como os esgrimistas desportivos, os esgrimistas de espectáculo se devem treinar regularmente a fim de garantir a sua própria segurança e a melhoria das suas competências.


Preparar um número



Uma cena de combate de espadas é delineada muito tempo antes da sua apresentação ao público. É necessário que todos os encadeamentos e frases de armas estejam escritos e decorados. Mas não basta isso para que o espectáculo esteja montado. É necessário igualmente definir a caracterização das personagens, as suas atitudes, o ritmo do duelo, diálogos…


A violência



A violência de uma combate produz-se principalmente pelo jogo dos actores e o ritmo das frases de armas. Usar de força exagerada nos golpes realizados não faz um combate intenso. Isso apenas o torna perigoso. Aos executantes talvez lhes dê emoções mais fortes mas isso não aumenta o interesse dos espectadores. É possível tornar uma cena intensa mesmo sem desferir algum golpe, é apenas uma questão de “mise en scéne” e de movimento. A violência deve estar ao serviço da cena e não o inverso.


Os trajes são parte importante do visual do combate. Eles situam a época e o contexto. Todavia, certos trajes ou equipamentos provocam limitações de movimento. Assim é necessário te-los em conta na elaboração de uma cena: Não se pode realizar o mesmo combate em camisa ou em armadura completa.


As armas



As armas de decoração são PERIGOSAS: elas não são forjadas para serem utilizadas. Cuidado com a fabricação caseira de armas pois é regra obter-se resultados muito pesados, desequilibrados e de inércia incontrolável.


As armas são um instrumento de expressão. É com elas que se dialoga numa frase de armas. Elas fazem parte integrante do traje e devem respeitar tanto a estética como a época. A sua perfeição deve aumentar em quanto aumentar a proximidade do público.Como a sua utilização é constante elas devem ser muito resistentes, no entanto flexíveis. A fabricação de Espadas, principalmente no que concerne às lâminas é uma matéria que exige muito conhecimento.



Margarida Salvado e Miguel Andrade Gomes. Campeões do Mundo 2000.


A Esgrima de Espectáculo é uma disciplina apaixonante que nos permite visitar a história, mas não deve ser tomada por ligeira. A improvisação na utilização das armas é proibida e a realização de um combate exige um gigantesco investimento pessoal. Quem não estiver disposto a aprender a sua técnica nunca estará apto a apresentar um duelo credível e interessante para os espectadores.

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