Explorando a energia nuclear

Estava aguardando o ônibus para seguir para Volta Redonda, cidade do sul do Rio de Janeiro. Debaixo de muita chuva, escutava uma estação de rádio da comunidade de Perequê. Perequê fica na divisa entre Paraty e Angra dos Reis. Em frente de onde eu estava, fica a vila dos funcionários da Eletronuclear, empresa que gerencia o Complexo Nuclear de Angra. O sotaque do radialista era nordestino mas falava de problemas da região. Primeiro, reclamava do serviço dos correios. Depois, a surpresa: reclamou nervosamente da falta de energia elétrica! Um motorista, que aguardava o mesmo ônibus que eu, sentenciou para mim: “Mas de frente para uma usina nuclear? Brincadeira…”.

Três dias antes, eu havia estado dentro da central nuclear brasileira assistindo a uma palestra juntamente com meus alunos de Brasília. Um professor muito talentoso com as palavras, com um discurso muito engajado politicamente, amigo de infância de Marcelo Yuca, integrante do grupo Rappa, expunha com muita segurança que a energia nuclear é uma grande saída para a necessidade energética do país. Defendeu ardentemente a energia à base da fissão do urânio. Será que ele tem razão?

A questão ambiental gerou uma reflexão mundial: qual a melhor forma de gerar energia agredindo minimamente o ambiente? Proponho aqui analisar a energia nuclear.

A fonte hidrelétrica é a mais barata. A energia nuclear, promete ser a seguinte. O urânio é extraído de jazidas da Bahia e transformado em pastilhas em uma unidade em Resende (RJ). Depois, segue em uma operação de nacional segurança para o litoral sul do Estado do Rio de Janeiro, para a cidade de Angra dos Reis. Lá, existe desde 1975, o Complexo Nuclear brasileiro.

Angras I e II – Imagem: www.marcelinas-rio.com.br
Angras I e II – Imagem: www.marcelinas-rio.com.br
O governo resolveu recentemente investir ainda mais nas usinas de Angra. Angra I e Angra II já funcionam a pleno vapor. Angra I entrou em funcionamento em 1985. Angra II, em 2000. Angra II gera o dobro da energia de Angra I. Elas ficam lado a lado e terão companhia. Angra III já teve verba liberada e deverá estar funcionando entre 2013 e 2014. Gerará 1350MW de potência assim como Angra II. Terá também a mesma forma física de Angra II (como a concha invertida do Congresso Nacional brasileiro).

O perigo da radioatividade. O acidente de Chernobyl, na ex-URSS em 1986, provocou comoção mundial. Os estragos diretos da explosão do reator podem não ter sido muito. Mas as seqüelas foram desastrosas. Espalharam-se pela Europa e pelo território soviético. Os especialistas argumentam que o que aconteceu na URSS (hoje, especificamente na Ucrânia) foi fruto do despreparo técnico gerado pela cegueira soviética para acompanhar os norte-americanos. Mesmo assim, o risco de acidente é assustador. Uma guerra nuclear então, nem se fala (assista ao filme “O dia seguinte”).

Os norte-americanos possuem mais de 100 usinas nucleares. Na Europa, franceses e ingleses possuem quase isso. Canadenses e japoneses também possuem várias. São países, reconhecidamente, de largo conhecimento tecnológico e fizeram essa opção. Será que eles estão errados? É um bom argumento.

Os impactos ambientais são mínimos, sugerem os defensores da energia nuclear. É verdade que esse tipo de usina praticamente não lança gases poluentes, como o dióxido de carbono, no ar. Mas lança água quente no mar. A água aquecida pelo reator eleva a temperatura oceânica em até 4 graus, em um raio de 200 metros. Mas, convenhamos, 200 metros de raio não é um espetáculo dimensional. Ainda assim, as espécies sofrem. Dados confirmam a migração de algumas delas, incomodadas pela diferença térmica. Na usina, laboratórios mantêm vigilância de diversos fatores bióticos e abióticos como: o ar, a precipitação, a água do mar, as algas, a areia da praia, os peixes, os sedimentos marinhos, o leite, o pasto, a água de superfície, o solo e a banana da região. Analisam também a potabilidade e a balneabilidade da água utilizada pela população. E tudo anda dentro dos conformes, segundo informações que obtive dos técnicos.

E os rejeitos radioativos? São armazenados em tambores e guardados em galpões onde sempre são monitorados. Alguns dos restos podem ser reaproveitados, como luvas, botas e roupas. Outros (como os restos das pastilhas de urânio dos reatores) devem ficar definitivamente enclausurados. Isolados de tudo para a garantia de todos.

Então, já tem sua opinião formada?

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