Favelas do rio viraram cracolândias

Rio – Mangueira, Jacarezinho e Complexo do Alemão viraram as cracolândias do Rio. O consumo da droga explodiu nas três comunidades, dominadas pelo Comando Vermelho (CV), facção que passou a vender crack para compensar o prejuízo com as apreensões de cocaína e maconha e também com a perda de usuários, que tentam fugir da violência.
Barato e muito potente, o crack já é a quarta droga mais consumida no Rio.


Segundo o titular da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod), Marcus Braga, Mangueira, Jacarezinho e Alemão são as piores áreas, embora haja crack em todos os domínios do CV: “Os bandidos não queriam a droga porque ela mata rápido. Mas em 2003 o PCC (Primeiro Comando da Capital, facção paulista), que fornece ao CV, passou a só negociar outras drogas se vendesse crack junto. O tráfico estimulou a venda. A estratégia era ganhar a classe baixa”.

Situação sem controle

O delegado define o crack como uma ‘bomba de alto poder de destruição’, porque vicia em um mês, causa danos irreparáveis ao cérebro e faz com que os usuários cometam crimes por estarem drogados. “Vivemos uma situação de descontrole. O número de apreensões mais que triplicou em três anos, e o resultado é o aumento da sensação de insegurança”, diz Braga.


Jovem busca a recuperação


N., 16 anos, filha de família de classe média, conhece bem a realidade do crack. “Comecei indo a baile funk. Aí fiquei com traficante, usei crack, cocaína, maconha, tudo. Cheguei a me prostituir para me drogar”, conta ela, que procurou ajuda após a morte do namorado, que era bandido. Após tratamento no Instituto Aldeia Gideão, em Niterói, hoje N. termina a recuperação em casa.


‘Os crimes ficarão piores’


O psiquiatra Jairo Werner Júnior, da Uerj, alerta para o aumento do uso de crack por meninos de rua. Em pesquisa realizada por ele entre os anos de 2003 e 2005, de 18 menores entrevistados, todos tinham usado a droga. “A mente deles, sob efeito constante da droga, fica completamente alterada. Se isso continuar, os crimes ficarão piores, e não conseguiremos controlar a situação”, alertou.

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