Flash mob da batalha das almofadas realizado em madri

Uso do termo

O uso do termo flash mob data de aproximadamente 1800, porém não da maneira como o conhecemos hoje. O termo foi usado para descrever um grupo de prisioneiras da Tasmânia baseado no termo flash language para o jargão que estas prisioneiras utilizavam. Ainda nesta época o termo australiano flash mob foi usado para designar um segmento da sociedade, e não um evento, não demonstrando nenhuma outra similaridade com o termo moderno ou os eventos descritos por ele.[1]

[editar] Mobilizações na História

Sabe-se que as mobilizações de pessoas tem, durante a história do homem, um peso muito grande, principalmente quando falamos em manifestações políticas. A história está repleta delas, como por exemplo a Revolução Francesa, onde o povo, para pressionar a monarquia francesa, invade de assalto a fortaleza-prisão da Bastilha, invade o palácio das Tulherias, fazendo a família real refém, entre muitas outras.

Pressionando o governo o povo francês conseguiu vias para realizar a revolução, o mesmo aconteceu com os bolcheviques na Rússia, que pretendiam a formação de uma aliança entre operários e camponeses para colocar fim a autocracia czarista.[2]

[editar] Estudantes em 1968

Paris tornou-se uma cidade depredada pela revolução estudantil em meados de 1968. Convidado para palestrar na Universidade de Paris-Nantere, o psicanalista Wilheim Reich foi vetado, e essa ação resultou em um protesto organizado por estudantes, tomando o controle da universidade em maio daquele ano.

Seguiram-se então uma série de protestos pela cidade, liderados por Daniel Cohd-Bendit, todos eles duramente reprimidos pelo presidente De Gaulle. Ganhou simpatia de vários outros setores trabalhistas, de sindicalistas, professores e inclusive comerciários, todos eles contestando o regime comandado por De Gaulle. Entre maio e junho, cerca de nove milhões de franceses declararam greve, a cidade tinha uma aparência depredada e no dia 13 de maio quase um milhão e meio de pessoa participaram de uma marcha contra o governo.

Porém De Gaulle venceu as eleições em junho, e o movimento estudantil viu-se fraco perante a famosa “maioria silenciosa”. É considerada uma das maiores mobilizações políticas do século XX, tendo um papel importante no famoso ano de 1968, conhecido pela sua incrível quantidade de revoluções que seus resultados nos afetam até hoje. Quebra de paradigmas, de muitos costumes que permeavam desde a época e acima de tudo provar que o movimento estudantil pode ser organizado e lutar pelos seus direitos.[3]

[editar] Happening

Happening é um evento ou situação considerada como arte. Pode acontecer em qualquer lugar e sobre qualquer circunstância, sendo algo que surpreenda as pessoas de alguma maneira e que ela sinta-se envolvida. Allan Kaprow foi o primeiro a usar o termo com aspecto artístico, seus trabalhos tinham como cenários meios físicos.

O termo apareceu pela primeira vez nos meses de inverno no hemisfério norte de 1959, publicado na revista literária de Rutgers University. O mais importante evento foi o “Poetry Incarnation”, de Albert Hall em 11 de junho de 1965, onde uma platéia de sete mil pessoas prestigiou e participou das performances de alguns vanguardistas jovens poetas britânicos e americanos.

[editar] O Primeiro Flash Mob

O primeiro flash mob foi organizado via e-mail (criado para este fim como [email protected]) pelo jornalista Bill Wasik, em Manhattan. Mandando o e-mail para o seu pessoal e então encaminhando para 40-50 amigos (de maneira que eles não soubessem que foi planejado pelo próprio jornalista), Bill convidou as pessoas a aparecerem em frente à loja de acessórios femininos Claire’s Acessories. Segundo ele, A idéia era que as pessoas tornassem-se a estrela do show e respondendo a este e-mail aleatório, eles criariam algo, que o mob fosse sem lider e no anonimato[4].

No entanto, a loja foi avisada antes do acontecimento e a policia foi acionada, evitando que as pessoas ficassem na frente da loja, frustrando os planos do primeiro mob[5].

O segundo mob aconteceu em 3 de junho de 2003, na loja de departamentos Macy. Wasik e amigos distribuiram flyers para pessoas que passavam nas ruas, indicando-os para 4 bares em Manhattan, onde eles receberam instrucões adicionais sobre o evento e o lugar minutos antes dele acontecer[6] – para evitar o mesmo problema que ocorreu com o primeiro.

Mais de 100 pessoas juntaram-se no 9º andar de tapetes da loja de departamento, reunindo-se em volta de um tapete caro. Qualquer um aproximado por um vendedor foi avisado a falar que as pessoas reunidas no andar viviam juntas em um depósito nos arredores de Nova Yorque, que estavam procurando por um “tapete do amor” e que todos faziam suas decisões de compra em grupo.

[editar] Mobs Populares

[editar] Pillow Fight

A famosa guerra de travesseiros ganhou um novo formato quando passou a integrar o quadro de flash mobs. Nela, pessoas combinam pela Internet, um determinado local e horário e levam consigo seus travesseiros para guerrear com pessoas desconhecidas, este é o Pillow Fight, que vem crescendo cada vez mais, sendo praticado em várias cidades do mundo.[7]

Até o momento, a última guerra de travesseiros teve lugar na Leicester Square em Londres, no dia 22 de março e foi divulgada através de um blog inglês dedicado apenas à flash mobs[8]. Outro evento interessante que já extrapola o conceito de flash mob é o Pillow Fight Day. Promovido em 35 cidades diferentes, o objetivo é tornar o espaço urbano um verdadeiro playground. Porém, o conceito por trás do Pillow Fight Day ainda é o mesmo das flash mobs, ou seja, divulgado via Internet, SMS e outros, onde pessoas que não se conhecem juntam-se com um mesmo objetivo.[9]

[editar] Subway Party

Uma Subway Party (festa no metrô), nada mais é do que um grupo de pessoas que se juntam, no estilo flash mob, para promover festas dentro dos vagões dos trens metropolitanos de grande cidades como Nova Iorque. Combinado o dia e o horário, os participantes apenas aguardam que um determinado número de pessoas se reúna para que então entrem no vagão (geralmente o último) e troquem presentes, ouçam música, dancem, enfim, façam uma festa.[10]

Existem dois tipos de Subway Party: a primeira ocorre na hora do rush e tem o objetivo de “descontrair as pessoas”. Porém ela é muito criticada por atrapalhar as pessoas que fazem uso do transporte público, causar atrasos e incomodar os usuários. A outra acontece no fim na noite e os participantes chegam até a decorar o vagão do trem para uma verdadeira festa, que algumas vezes pode até ser a comemoração de alguma data como o Halloween. Conforme o trem vai passando as estações o número de participantes também aumenta, já que as pessoas vão sendo convidadas a fazerem parte da festa.[11]

[editar] Zombie Walk

Consiste em pessoas que se juntam para passar algum tempo caracterizadas como zumbis e agindo como tal e então disperssam-se. Esta é outra flash mob que está crescendo pelo mundo e atraí cada vez mais pessoas.[12]

[editar] Aplicações sociais

No mundo inteiro, flash mobs vêm ganhando cada vez mais aspectos políticos e não apenas para mudar a rotina ou modificar o meio urbano. Na Rússia, por exemplo, um grupo de pessoas se reuniu ao redor de um caixão e deram-se as mãos em luto formando um quadrado, declarando a “morte da democracia” em 2003. Por lá, pela repressão às revoltas ou protestos ser intensificada, flash mobs são preferências cada vez mais aceitas por serem organizadas rapidamente, atraírem muitas pessoas e depois se dispersa tão rápido quanto apareceu, impedindo a ação da polícia muitas vezes.[13]

Um flashmob em desafio ao governo foi organizado na Bielorússia por volta de 2006 que consistia em um grande grupo de pessoas tomando sorvete próximo ao centro da cidade, em contestação a uma lei aprovada em assembléia que proíbe manifestações no país. Mesmo com as pessoas deixando o local depois da realização do pequeno protesto, alguns ainda jovens foram presos.[14]

Na Espanha, após os atentados terroristas nos trens metroviários em 11 de março de 2004, vários espanhóis enviaram via SMS mensagens pedindo para que dois dias depois se reunissem para uma mobilização em favor dos mortos pelo ataque terrorista, e nessas mensagens a repetição da palavra “pásalo” (repasse, em espanhol) tornou-se um ícone desse mob. O resultado veio no dia 13 de março, onde as pessoas se reuniram de maneira espontânea protestando contra o governo por ocultar dados sobre o atentado terrorista. Ficou também conhecida como “La rebelion de los SMS”.[15]

[editar] Popularização

A revista Wired News escreveu um artigo sobre o segundo mob e blogueiros espalharam pela internet —– através do país e do mundo —– de forma interessante e diferente do que o criador do movimento havia imaginado. Segundo Bill Wasik, o movimento era anti-manifestação e anti-político —– uma crítica cínica à atmosfera cultural de conformidade e de sempre querer fazer parte da “próxima moda grandiosa”. No entanto, em outros lugares o mob começou a caracterizar-se como happening, expressando oposição à corporações e decisões políticas, tornando-se realmente um movimento em si para desorganizar e romper espaços grandes e comerciais[16].

A popularização do movimento deu-se principalmente pelo sucesso da internet. Segundo Bill, as pessoas gostaram de flash mob por causa de ter um componente online, permitindo-as verem as comunidades virtuais manifestarem-se fisicamente e literalmente.

Ainda segundo Bill, a mídia ajudou a espalhar o flash mob, através da imprensa norte-americana com incessantes artigos, taxando-o como movimento. O termo é freqüentemente usado para qualquer forma de smart mobs como protestos[17], ataque de negação de serviço de internet colaborativo[18]; assim como aplicando em estratégia de marketing, como por exemplo aplicando em aparências promocionais de uma cantora pop[19] ou através de campanhas publicitárias.[20]

[editar] Curiosidades

Nascido do flash mob este movimento também acontece quando pessoas comunicam-se via Internet ou algum meio de comunicação móvel e juntam-se a fim de atingir um mesmo objetivo, porém o Urban Playground quer simplesmente usar o espaço urbano para promover encontros onde as pessoas possam divertir-se, como uma batalha de bolhas de sabão, uma gigantesca luta de travesseiros, um picnic e outros.[21]

Este movimento diferencia-se de um flash mob pois as pessoas não permanecem no local por alguns instantes e logo depois disperssam-se; estes eventos podem durar horas, o que dá mais chance de que os participantes se conheçam. Há também um objetivo por trás das reuniões, que é fazer com que as pessoas pratiquem atividades e percam os hábitos sedentários, fazendo do urban playground parte da cultura das pessoas.

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