Gabeira e paes partem para o ataque em debate na tv

RIO – Ironias e provocações deram o tom do quinto debate do segundo turno entre Fernando Gabeira (PV) e Eduardo Paes (PMDB), promovido pela TV Record. A provocação entre os dois candidatos começou logo no primeiro bloco. Os dois só concordaram mesmo nas críticas ao prefeito Cesar Maia, na proposta de criação do bilhete único de transporte e no fim da aprovação automática de alunos das escolas do município. Gabeira subiu o tom quando o peemedebista disse que ele apresentara um projeto na Câmara dos Deputados que, se aprovado, faria com que o tráfico de mulheres deixasse de ser crime previsto no Código Penal.

Para você, quem se saiu melhor no debate?

O candidato do PV foi o primeiro a atacar, antecipando o clima que tomaria conta do embate. Logo na primeira pergunta, Gabeira disse não ter ficado satisfeito com a resposta de Paes a respeito da aliança com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem já chamou de “chefe da quadrilha” quando relatava a CPI dos Correios.

– Eu critiquei o presidente Lula e até hoje tenho a mesma posição. Critiquei de uma forma tão clara que o respeito não acabou. A verdade é que não conhecemos, e seria interessante para esclarecer o público, qual a posição dele sobre o que aconteceu (na época do escândalo do mensalão) – disse Gabeira.

– Eu não tenho a menor dificuldade em estabelecer parcerias. Sou candidato a melhorar a vida das pessoas. A parceria é fundamental para vivermos novos tempos – devolveu Paes.

O clima esquentou no segundo bloco, quando os candidatos fizeram perguntas entre si. Paes partiu para o ataque, citando uma frase de Gabeira, dita na tarde de sábado, na Zona Oeste, quando afirmou que instalaria um gabinete da prefeitura na região, pois o prefeito “não ficaria apenas no Rio”.O candidato do PMDB sugeriu que Gabeira não conhece a cidade, uma vez que teria dito que a Zona Oeste ficaria fora do município. O candidato do PV, no entanto reagiu, dizendo que conhece a cidade e que se arriscaria a dizer que poderá ser vitorioso na Zona Oeste.

– Estava chovendo. Nós estávamos falando no meio da rua. Eu disse que a prefeitura não podia ficar apenas no Rio. Eu queria dizer no Centro do Rio de Janeiro. Essas tentativas são para me jogar contra a Zona Oeste – disse Gabeira.

Dizer que eu não conheço o Rio de Janeiro é um absurdo
O candidato do PV contou já ter percorrido 40 mil quilômetros nesta campanha, “quase a volta ao mundo”. O candidato disse também ter sido professor voluntário na Zona Oeste antes do exílio e de ter chegado ao local da chacina de Vigário Geral “antes de as velas serem acendidas”.

– Dizer que eu não conheço o Rio de Janeiro é um absurdo – afirmou Gabeira.

Gabeira diz que Paes usou frase de panfleto apócrifo
O candidato do PV se irritou com pergunta do adversário sobre projetos de lei que apresentou na Câmara. Um deles modificaria a tipificação penal para o tráfico de mulheres. Gabeira disse que nunca propôs descriminalizar o tráfico de mulheres, e sim, a sedução de menores, por entender que essa figura penal ficou obsoleta porque previa o casamento como forma de reparar o crime.

Isso que está sendo dito hoje é o que está num panfleto apócrifo que foi distribuído. Trate de ler de novo o projeto
– Isso que está sendo dito hoje é o que está num panfleto apócrifo que foi distribuído. Trate de ler de novo o projeto – respondeu Gabeira.

– Impressionante a falta de sinceridade do deputado – devolveu Paes.

Gabeira reagiu a uma pergunta de Paes sobre seus planos para a Área de Planejamento 3, correspondente à Zona Norte da cidade, e disse que a pergunta era uma “pegadinha juvenil”.

– A campanha de 2006 à Presidência foi marcada por pegadinhas. Eu não tenho medo de não saber de alguma coisa. A sua sigla nós vamos discutir adiante.

Ninguém está aqui fazendo pegadinha. A área de planejamento 3 é a Zona Norte. É o subúrbio da cidade
Paes devolveu, pedindo respeito:

– Ninguém está aqui fazendo pegadinha. A área de planejamento 3 é a Zona Norte. É o subúrbio da cidade.

A Cidade da Música, na Barra, também voltou à arena do debate. Gabeira criticou duramente o projeto, desenvolvido pelo prefeito Cesar Maia, agora aliado. Ao comentar a adesão de Cesar, Gabeira afirmou que tem o apoio do prefeito “e de muita gente no Rio”. E afirmou que “há R$ 600 milhões enterrados ali” (na obra).

– É um erro que precisa ser corrigido – disse Gabeira, que voltou a afirmar que Paes, no passado, já defendeu o projeto do prefeito.

Já no fim do debate, Gabeira abordou a relação de seu adversário com o atual prefeito e disse que o peemedebista “traiu” Cesar” e esconde que trabalhou no segundo mandato dele.

– Quem apoiou o Cesar Maia em 2004? O Cesar Maia prefere um adversário leal, como eu, do que uma pessoa que o traiu? – provocou Gabeira.

Paes respondeu dizendo que tem orgulho do tempo que trabalhou na prefeitura e afirmou que a máquina municipal hoje está a favor do adversário:

– Não tenho menor problema com minhas posições. Não estou omitindo nada. A máquina da prefeitura trabalha hoje pela sua candidatura e lhe dá apoio.

Paes tentou justificar suas várias mudanças de partido político. Em 15 anos de vida pública, o candidato passou por cinco legendas.

– A estrutura dos partidos no nosso país é muito arcaica. Na verdade, você tem donos dos partidos que impedem que as carreiras se desenvolvam e que as coisas caminhem. Sem dúvida alguma, foi um equívoco na minha trajetória política. Troquei de partido, mas jamais deixei de lado meus princípios – defendeu Paes.

Irônico, Gabeira lembrou que Paes já mudou até de time de futebol, do Fluminense para o Vasco da Gama. De acordo com Gabeira, nos momentos de mudança de posição política, os dois concorrentes se diferenciam também no estilo:

– Cada vez que eu mudo uma posição, eu escrevo um livro, como fiz no caso da luta armada, ou vou à tribuna do Congresso Nacional e faço um discurso explicando aos meus eleitores.

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