História de crato

História


A povoação do Crato elevou-se à categoria de vila em 16 de dezembro de 1762, tendo sido instalada em 21 de junho de 1764 como Vila Real do Crato, no século XVIII, constituindo um dos mais importantes núcleos de povoamento na época colonial no interior do Nordeste. Ao longo de sua história, já recebeu as denominações de Missão do Miranda (aldeamento religioso tendo a frente o frei italiano Carlos Maria de Ferrara), Missão dos Cariris Novos, Aldeia do Brejo Grande e Vila Real do Crato, última denominação esta em homenagem ao município português de mesmo nome, segundo a mais aceita toponímia. Foi tornada cidade pela Lei Provincial nº628, de 17 de outubro de 1853.



[editar] Início: a missão capuchinha


A primeira manifestação de apoio eclesial aconteceu em terras doadas pelo capitão-mor Domingos Álvares de Matos e sua mulher, Maria Ferreira da Silva. Essa doação localizava-se, inicialmente, em terras encravadas a dois quilômetros a Sudeste da povoação, transferindo-se, em data posterior, para a margem direita do rio Granjeiro. Os trabalhos da primitiva Igreja, dedicada a Nossa Senhora da Penha de França, tiveram início em 1745, tendo como responsável, o Frei Carlos Maria de Ferrara e seu companheiro frei Fidélis de Sigmaringa.


A edificação desse primitivo templo revela o atraso de sua época, considerando sua estrutura com as paredes de taipa, piso de barro batido e coberta de palhas, tendo ainda os caibros e ripas trançados de cipós. A permanência desses religiosos, no que se chamou de Missão do Miranda, estendeu-se por espaço de dez anos.


A freguesia criou-se por provisão de março do ano de 1762 e inaugurou-se a 4 de janeiro de 1768, tendo como seu primeiro vigário o padre Manuel Teixeira de Morais. Com o desgaste do tempo, a estrutura física entra em deterioração, situação que levou o padre Antônio Lopes de Macedo Júnior, pároco da Freguesia de Nossa Senhora da Penha, a endereçar requerimento à Junta do Real Erário, solicitando fundos necessários à construção da capela-mor ou igreja matriz. Atendido o seu pedido, iniciaram-se os trabalhos cuja conclusão data de 1817, constando os atos inaugurais de 3 de maio do mesmo ano.



[editar] Século XIX: influências de Pernambuco


Na primeira metade do século XIX, já habitavam na vila do Crato famílias abastadas que enviavam seus filhos para estudar em Recife, capital da província de Pernambuco. Foi por lá que muitos entraram em contato com as idéias de independência do Brasil e com o anseio da adoção do regime republicano no país. Assim, José Martiniano de Alencar, subdiácono e estudante do Seminário de Olinda, deflagrou o movimento no conservador Vale do Cariri, a ter o Crato como palco principal. Repercutindo os ideais da Revolução Pernambucana de 1817, num gesto audaz, Martiniano proclama a independência do Brasil no púlpito da Matriz da cidade em 3 de maio de 1817. A reação é rápida: Leandro Bezerra Monteiro, o mais importante proprietário rural do Cariri, imbuído de arraigadas convicções católicas e monarquistas, pôs fim ao sonho do jovem José Martiniano de Alencar. Os revolucionários foram presos e enviados para as masmorras de Fortaleza e posteriormente para as de Salvador, na Bahia. Entre os prisioneiros estavam Tristão Gonçalves de Alencar Araripe e Dona Bárbara de Alencar, irmão e mãe de José Martiniano. Recebem a anistia pela autoridade real posteriormente.



Reitoria da URCA, no bairro Pimenta

Reitoria da URCA, no bairro Pimenta

Em 1824 eclode em Pernambuco outro movimento político que viria a repercutir no Crato: A Confederação do Equador. Tristão Gonçalves de Alencar Araripe mais uma vez, com entusiasmo e idealismo, adere ao movimento e é aclamado pelos rebeldes Presidente da Província do Ceará. Em 31 de outubro de 1825 morre em combate com forças contrárias ao movimento. Após tais acontecimentos, em Crato, assim como no Cariri, muitos se dividem entre monarquistas e republicanos. Entre os primeiros estava Joaquim Pinto Madeira, chefe político da Vila de Jardim e Capitão de Ordença que prendera os revolucionários, entre eles Tristão Gonçalves. Com a renúncia de D. Pedro I, inimigos do monarquista aproveitam para se vingar e Pinto Madeira em sua defesa arma dois mil jagunços com a ajuda do vigário de Jardim, padre Antônio Manuel de Sousa. Invadem o Crato em 1832 para derrotar os inimigos políticos. Apesar de vitoriosos no começo, Pinto Madeira e Ant^pnio Manuel sofrem reveses e, finalmente presos, são enviados ao Recife e Maranhão. Retorna ao Crato em 1834 e é condenado a forca, sentença posteriormente comutada para fuzilamento, em face do réu ter alegado sua patente militar de Coronel. Tanto Tristão Gonçalves quanto Pinto Madeira dão nome a rua e bairro, respectivamente, em Crato nos dias de hoje.



[editar] Criação da diocese e mudanças



Aspecto do antigo seminário, no bairro de mesmo nome

Aspecto do antigo seminário, no bairro de mesmo nome

No início do século XX dividiu com o recém município de Juazeiro do Norte a liderança política do vale do Cariri. Joaseiro, como era conhecido, não passava de um distrito da cidade de Crato e seu processo de autonomia política (encabeçado por, entre outros, padre Cícero Romão Batista) muito viria para contribuir no futuro hiato entre as duas cidades. Sobre isto é muito relevante lembrar a criação da Diocese do Crato, em 20 de outubro de 1914, pelo papa Bento XV através da BulaCatholicae Ecclesiae”, anos depois que o suposto milagre da hóstia (que, segundo relatos, sangrou na boca da beata Maria de Araújo) não fora reconhecido pela Igreja Católica.


A Igreja Católica foi responsável pelo progresso material e social de Crato, pois aí fundou o Seminário menor de São José (primeiro do Interior cearense), a pioneira cooperativa de crédito (Banco do Cariri), escolas, hospitais e a Faculdade de Filosofia de Crato, embrião da atual Universidade Regional do Cariri fundada no ano de 1986.


O município mantém um padrão de vida significativo se comparado com algumas cidades não muito distantes da região do Cariri. Seu último e atual bispo, o ítalo-brasileiro Dom Fernando Panico, deu início ao processo de reabilitação do Padre Cícero, abrindo, assim, uma possibilidade para que o sacerdote seja oficialmente beatificado e, futuramente, canonizado pela Igreja Católica.

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