História do casco de navio

Casco do navio é o invólucro exterior de qualquer embarcação. Da sua estanquicidade depende a flutuabilidade do navio, ou seja, caso haja algum problema com a sua estanquicidade o navio corre risco de afundar.

Podemos dividi-lo em três partes: Fundo – parte mais baixa do casco; Costado – parte lateral do casco; Encolamento – secção, geralmente curva, de junção entre o Fundo e o Costado.

Para lhe aumentar a resistência, o costado é suportado por um esqueleto. Este é constituído por:

Balizas – São vigas que se desenvolvem da quilha, em planos transversais, de forma geralmente curva, podendo ser lineares (balizas reviradas, nos extremos da embarcação) ou em “L”, a meia-nau. No fundo da embarcação, ligam-se a chapas verticais (chapas de caverna, que aumentam a resistência do navio) para formar o duplo fundo do navio, ou as chamadas “cavernas”. Estas chapas de caverna são perfuradas por orifícios denominados boeiras, cuja função é permitir a passagem de pessoal para eventuais inspeções, assim como escoar fluidos que entretanto se aglomerem. Ao conjunto de balizas é dado o nome de cavername.

Vaus – Vigas horizontais que que unem as balizas entre si segundo um plano transversal. Apóiam-se em esquadros montados nas balizas. Os esquadros são peças, geralmente triangulares, que aumentam a resistência da junção.

Longarinas – Vigas horizontais que unem igualmente as balizas entre si, contudo, segundo o plano longitudinal da embarcação.

Quilha – Chapa ou viga mestra do navio. Costuma ser a primeira peça a ser assentada durante a construção de qualquer embarcação. Constitui a espinha dorsal da embarcação e percorre todo o seu comprimento, desde a roda de proa (chapa enformada onde convergem a quilha, as balizas reviradas da proa e as longarinas; é a parte do navio que corta a água) até ao cadaste (semelhante à roda de proa mas à popa).

Visto que nos navios de propulsão mecânica é necessário fazer chegar ao exterior um veio ligado ao hélice, é igualmente necessário efetuar a devida vedação do mesmo. É, então, utilizado um bucim.

Antigamente, os bucins eram feitos entalando uma série de empanques entre o veio e o casco.

Surge, assim, um problema: ao apertar demasiado o empanque perde-se rendimento, uma vez que o motor tem que vencer não só a resistência da água como também a resistência do próprio vedante. Ao não apertar o suficiente entra água para bordo.

A solução passa por apertar o empanque o suficiente, pouco a pouco e testando com a máquina, para não deixar a água jorrar para dentro do navio, mas deixá-lo solto o suficiente para permitir um “lágrima” de água, que age também como lubrificante.

Nos dias de hoje existem já novos tipos de bucins, sendo que o tipo de empanque esteja já em desuso.

[editar] Anteparas Estanques

Anteparas são “paredes” longitudinais ou transversais, feitas de chapa de aço, cuja função pode ser delimitar espaços, fortalecer a estrutura ou garantir a estanquicidade de um compartimento. São compartimentos estanque a casa-da-máquina de um navio, a casa-do-leme ou os tanques de carga. O conceito e a aplicação da estanqueidade tomou maiores proporções a partir da segunda grande guerra com o navio bismark da marinha alemã. Os graus de estanqueidade são: à água, ar, óleo, fumaça e fogo. Nos dias atuais todos os compartimentos abaixo do convés principal, nos navios de guerra, são dotados de estanqueidade e na maioria das vezes estanqueidade plena.

Como ilustração do assunto, o navio Titanic tinha 15 anteparas de 1/2 polegada de espessura que dividiam o casco do navio em 16 compartimentos estanques. Com esta divisão, separados os compartimentos por anteparas hermeticamente fechadas por portas a prova de água, que eram fechadas com o acionamento de um botão na cabine de comando do navio

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