Lindemberg deve ir a júri popular e pena pode chegar a 40 anos

SÃO PAULO – A pena de Lindemberg Alves, 22 anos, que seqüestrou e matou a ex-namorada Eloá Cristina Pimentel da Silva e feriu Nayara Rodrigues Vieira, ambas de 15 anos, poderá chegar a 40 anos de prisão. Ele deve ir a júri popular pelos crimes de cárcere privado, homicídio duplamente qualificado e duas tentativas de homicídio, além de periclitação de vida, já que atirou duas vezes em direção às pessoas que cercavam o prédio e contra os policiais.

– A pena pode chegar a 40 anos de condenação. Não dá para considerar que foi um crime passional completo. Crime passional é aquele em que a pessoa age por impulso, em determinado momento – explica o advogado Leonardo Pantaleão, da comissão de direito criminal da OAB, acrescentando que o julgamento será por júri popular, como prevê a legislação.

Lindemberg está no Centro de Detenção Provisória de Pinheiros e a presença dele irrita os demais presos. Nesta segunda, ele recebeu a visita da advogada Ana Lúcia Assad, que teria sido chamada pela família. Ela afirmou que a preocupação dele é ser colocado junto com outros presos, pois teve a informação de que poderia ser agredido. Segundo ela, Lindemberg não sabe que Eloá Cristina Pimentel Silva, 15 anos, já morreu.

O rapaz teve a informação que tanto Eloá quanto Nayara Rodrigues Vieira, que foi baleada na boca, estavam no hospital. A advogada afirmou que a família pediu para não falar sobre a morte de Eloá e disse que ele se mostra “arrependido” e “abalado”, além de estar sem comer.

– Nossa orientação foi para que comesse – disse a advogada.

Inquérito em tempo recorde
O inquérito sobre o seqüestro e a morte de Eloá deve ser concluído em tempo recorde. A polícia prevê encerrá-lo até o próximo dia 27 – apenas 10 dias após o desfecho trágico. Mas a polícia civil de Santo André diz que a conclusão pode acontecer até sexta-feira, já que não será investigada a atuaçao da polícia no caso. Até agora 20 pessoas foram ouvidas.

Segundo o delegado-seccional de Santo André, Luiz Carlos dos Santos, as duas tentativas de homicídio se referem aos disparos contra Nayara, que foi atingida na face, e em direção ao policial militar que iniciou as negociações com o rapaz.

Lindemberg está no Centro de Detenção Provisória de Pinheiros. Ele está isolado dos demais presos, em uma cela de 9 metros quadrados, com um colchão e um vaso sanitário. Segundo funcionários do CDP, ele alterna momentos de tristeza com agressividade. No sábado à tarde, Lindemberg chorou várias vezes e teria gritado o nome de Eloá. Durante os dias em que a manteve em cárcere privado, ele bateu na menina e ameaçou, afirmando que estava com ódio dela .

O isolamento de Lindemberg deve durar 10 dias. Durante este tempo, ele só pode receber a visita do advogado. O advogado Eduardo Lopes desistiu de defender o rapaz, após cinco dias tentando fazer Lindemberg se entregar. Nesta segunda-feira, uma advogada, que teria sido chamada pela família dele, chegou ao CDP para tentar falar com o rapaz.
De acordo com o delegado, 18 pessoas serão ouvidas como testemunhas no inquérito, entre elas vizinhos e parentes das vítimas e do acusado.

A polícia pretende ouvir novamente Lindemberg e Nayara para apurar mais detalhes da invasão ao apartamento, na última sexta-feira. A Defensoria Pública, que oferece defensores pagos pelo estado, afirma que não nomeou ninguém para o caso porque ainda não foi notificada oficialmente pela polícia.

Santos disse ainda que todos os disparos contra as vítimas foram feitos com o revólver calibre 32 em poder de Lindemberg.

– A outra arma usada foi a espingarda calibre 12 com bala de borracha. Com ela, os policiais atiraram apenas uma vez.

O local onde Lindemberg manteve a ex-namorada refém por mais de 100 horas está fechado para a realização da perícia. A sala ficou toda revirada e é possível ver manchas de sangue no estofado e na almofada – Eloa estava deitada no sofá quando foi baleada.

Família de Lindemberg se isola
Enquanto ele está na cadeia, seus parentes procuram não aparecer em público. A mãe, Maria das Dores Fernandes, praticamente se mudou para o apartamento das filhas.

No sábado, uma das irmãs foi ao prédio onde a mãe vivia apenas com Lindemberg, a duas quadras do local do cativeiro, para buscar coisas para ela. Procurada, a família do assassino preferiu não dar entrevista. De acordo com vizinhos, também é em um dos prédios do CDHU de Jardim Santo André que está hospedada a família de Eloa.

O rapaz foi levado para o CDP menos de dez horas após a invasão do apartamento do Jardim Santo André. Do local do seqüestro, Lindemberg foi levado para a delegacia e, depois, para a sede do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra), em Santo André. Ainda era madrugada quando vários carros da polícia transferiram o preso para a capital.

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