Médiuns investigadores

Em 2002, publiquei o livro Histórias de Alexander, onde é contada a história do médium Alexander, que por meio da psicometria ajudava a polícia a desvendar crimes e localizar pessoas desaparecidas. A psicometria é uma das modalidades da clarividência segundo a qual se estabelece a conexão entre o sensitivo e a pessoa ou meio concernente ao objeto psicometrado. Sendo assim, o médium portador de aguçada sensibilidade psíquica, ao segurar o objeto de uma pessoa, seja encarnada ou desencarnada, pode “entrar em relação” com ela. Esta mediunidade foi estudada pelo pesquisador espírita italiano Ernesto Bozzano, e não é muito comum, porém existem alguns relatos espetaculares em seu livro Enigmas da Psicometria, ocorridos entre os séculos XVIII e XIX.

         Alguns médiuns têm colaborado com a polícia, e o sucesso desta operação tem os tornado famosos. Entre eles está Allison DuBois, que é membro da Comissão de Médiuns e da Fundação Família Eterna, nos Estados Unidos. Seu livro Não é Preciso Dizer Adeus, se tornou best-seller e serviu de inspiração para o seriado Médium, que está em sua segunda temporada. Nele, Dubois conta como surgiu seu dom e como auxilia a polícia nas investigações criminais. Atualmente, seu trabalho junto à polícia é de fazer o perfil dos suspeitos.


         Um dos detetives sensitivos mais renomados é o americano Phil Jordan. O caso considerado mais espetacular de sua carreira foi em 1975, quando o garoto Tommy, de cinco anos, desapareceu na floresta. Chamado pela família do menino com o aval da polícia, Jordan rascunhou um mapa intuitivamente, prevendo sua possível localização. Enquanto caminhava pela floresta, segurava um pé do sapato de Tommy, que, segundo ele, canalizava a energia do menino. Uma hora após a chegada de Jordan, Tommy foi encontrado, depois de ficar mais de doze horas na mata.


         A médium Jeane Dixon ficou famosa por ter previsto o assassinato de John F. Kennedy. A sensitiva Noreen Renier ganhou notoriedade prevendo que Ronald Reagan, então presidente dos Estados Unidos, levaria um tiro do lado esquerdo do peito, mas sobreviveria.


Detetives sensitivos estão cada vez mais comuns na polícia, porém, seus feitos mediúnicos ainda não ganham tanta notoriedade. Mas, o fato é que os sensitivos têm dado uma grande contribuição na solução de alguns crimes, visualizando o rosto do criminoso, descobrindo cativeiros de pessoas seqüestradas e localizando pessoas desaparecidas.


         Apesar da colaboração eficaz de alguns sensitivos, existem também aqueles que se dizem sensitivos e acabam por atrapalhar o trabalho da polícia, muitas vezes, dando falsas esperanças à família ou fazendo com que a polícia gaste mais tempo e dinheiro em busca de pistas equivocadas. É por isto que os sensitivos são vistos também com uma certa cautela.


         O sensitivo, como todo médium, tem que entender dos diversos assuntos que abrangem a mediunidade. Também tem que buscar, com sinceridade, a reforma íntima e moral, para que possa estar em contato com os espíritos benfeitores, captando assim, a mensagem que vem do Alto e usando a intuição quando for necessário. Quando o sensitivo não está em harmonia com os espíritos amparadores, acaba sendo manipulado por espíritos desequilibrados que o fazem transmitir informações equivocadas, e ao invés de auxiliar, provoca danos muitas vezes irreparáveis.


         A mediunidade deve ser trabalhada em prol do próximo. Assim, fará jus a este dom maravilhoso conquistado ao longo de muitas encarnações. Por isso, quanto mais pessoas forem auxiliadas, mais dores serão amenizadas. O médium deve entender que sem o suporte espiritual, seu aparelho mediúnico não teria tanta eficácia.


         Muitas vezes, o ego fala mais alto, e constantemente assistimos a sensitivos se vangloriando na televisão deixando prevalecer sua vaidade.


         Penso que, talvez, em um futuro próximo, quando as pessoas entenderem seu papel na sociedade e se prepararem melhor, espiritualmente, os médiuns ostensivos poderão exercer sua mediunidade de uma forma mais ampla. Quem sabe um dia teremos sensitivos mais preparados para solucionar casos como o de crianças desaparecidas, vítimas das maiores barbáries praticadas pelo homem.


         Enquanto este tempo não chega, contamos com a dedicação de alguns detetives sensitivos espalhados pelo mundo que dedicam boa parte de seu tempo a ajudar a polícia a esclarecer algo que parece inexplicável. Mas sabemos que existe uma resposta, muito além do nosso olhar.

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