Merenda escolar orgânica



















































MERENDA ESCOLAR ORGÂNICA: Uma mudança de hábito saudável


 


 


 


Iniciativas pioneiras no Brasil vêm sendo desenvolvidas com o objetivo de introduzir e ampliar o espaço da agricultura orgânica como fornecedora de alimentos para a merenda escolar. Este é um mercado[1] interessante para viabilização dos produtores orgânicos, pois a merenda escolar é distribuída para cerca de 35,4 milhões de estudantes em todo o país.


Alimentação mais saudável e nutritiva para as crianças, introdução de novos hábitos alimentares, educação e proteção ambiental, permanência dos agricultores no campo, valorização da produção regional e resgate da cultura do meio rural são algumas das vantagens de Programas que priorizam o alimento orgânico na merenda escolar.


 

 Experiências Pioneiras

Os estados do Sul do Brasil já apresentam experiências que mostram que introduzir a alimentação orgânica na merenda escolar pode ser uma excelente alternativa de mercado institucional, fortalecendo a economia local, com aumento de arrecadação, maior quantidade de dinheiro circulando na comunidade, criação de novos empregos e viabilização da produção familiar.


Em Santa Catarina, um convênio entre a Secretaria Estadual de Educação e a Associação dos Agricultores Ecológicos da Encosta da Serra Geral – AGREGO permitiu a operacionalização do Programa “Sabor e Saber” que está beneficiando 41 escolas básicas de Florianópolis e Criciúma e atendendo cerca de 30 mil crianças com a merenda orgânica. Segundo o Professor Wilson Schmidt, coordenador geral da AGRECO, este programa envolve diferentes dimensões no âmbito da educação das crianças, resgate da cultura do meio rural, respeito ao meio ambiente, melhoria de renda e qualidade de vida para os agricultores. O sucesso do Programa é reforçado por um Projeto de Lei aprovado em 18 de junho de 2002, de autoria do Deputado Afrânio Boppre, que dispõe sobre o fornecimento de alimentos orgânicos na merenda escolar nas unidades educacionais do Estado de Santa Catarina. Outro Projeto de Lei importante para uma alimentação saudável foi promulgado em 18 de dezembro de 2001 e dispõe sobre critérios de concessão de serviços de lanches e bebidas nas unidades educacionais, localizadas no Estado de Santa Catarina. Este Projeto proíbe nas escolas a comercialização de bebidas alcoólicas; balas, pirulitos e gomas de mascar; refrigerantes e sucos artificiais; salgadinhos e pipocas industrializadas. [2]


No Paraná experiência semelhante vem sendo desenvolvida no município de Palmeira. A cidade de Palmeira, situada à cerca de 70 km de Curitiba, foi uma das pioneiras no Programa de Merenda Escolar Orgânica. Diferentemente do que acontece na maioria dos municípios do Brasil, quase metade da população do município (47,3%) ainda permanece no meio rural. A maior parte das propriedades (87%) apresenta características familiares.  


 O Programa de Merenda Orgânica
A experiência da Prefeitura de Palmeira-PR, iniciada em 1996, mostra que é necessário um trabalho de parceria entre as Secretarias Municipais da Educação e da Agricultura. Luis Alfredo Slusarz, Secretário da Agricultura do município, conta que nos últimos anos a agricultura familiar do município estava sem perspectivas econômicas e sociais, o que se refletia em agricultores com problemas de stress e depressão. A alternativa surgiu por meio de uma série de projetos baseados em princípios da agroecologia. Entre eles foi criado o Programa da Merenda Escolar Ecológica. De acordo com Slusarz “além de melhorar o valor nutricional da alimentação, a idéia do Programa é fazer com que a criança valorize o meio rural da sua localidade, convencendo as famílias e comunidades da importância de permanecer no campo de forma saudável”.







Segundo a Diretora do Departamento de Educação Nilda Rigoni, no município são 32 escolas (17 municipais e 15 estaduais) que recebem merenda escolar, envolvendo aproximadamente 6.700 alunos. Paralelamente são desenvolvidos outros projetos de educação ambiental com a participação de uma mascote conhecida como “florinha” (Foto 1) que ensina hábitos alimentares mais saudáveis para as crianças e formas de proteção ao meio ambiente.






Foto 1 – A mascote “Florinha” ensina hábitos alimentares saudáveis e o respeito ao meio ambiente













Foto 2 – Produtores fazem treinamento e trocam experiências sobre a produção orgânica.

Atualmente, cerca de 15 produtores participam diretamente do Programa e outros 9 dão suporte para algumas culturas de difícil produção no sistema orgânico, como é o caso do tomate e da batata (Foto 2). Segundo o Técnico Evison Monegate, um dos responsáveis pelo Programa, muitos agricultores já teriam abandonado a atividade se não fosse o fornecimento da Merenda Orgânica.
 
 Importância de um Projeto de Lei

Para assegurar a continuidade do Programa foi assinado em 24 de agosto de 2001 o Decreto n. 3.710 pelo Prefeito Municipal Mussoline Mansani, criando o Programa de Merenda Escolar Ecológica, com a finalidade de elaborar cardápios compostos de produtos hortigranjeiros produzidos no município, seguindo procedimentos baseado em normas orgânicas. 


 


O reconhecimento do produtor agroecológico se dá mediante cadastro junto ao Departamento de Agricultura e atestado da Associação dos Produtores Ecológicos de Palmeira (APEP) que certifica que os alimentos estão sendo produzidos sem o uso de agrotóxicos, adubos químicos e tecnologias não poluentes e contaminantes ao meio ambiente.


 


Na ocasião em que ocorre algum problema no fornecimento de produtos orgânicos, estas faltas são supridas por produtos oriundos de propriedades em conversão que estejam cadastradas pela Associação. Excepcionalmente, em caso de falta destes produtos podem ser adquiridos alimentos de origem convencional, seguindo a orientação de nutricionista e técnicos do Departamento de Agricultura.


 


Os produtores envolvidos no Programa repassam cerca de 2% do valor bruto recebido para a Associação (APEP) para a realização de análises de resíduos, como forma de controle e garantia de qualidade. A Assistência Técnica é prestada pelo Departamento de Agricultura, EMATER/PR e APEP.


 

 Logística e Distribuição: Pontos para sucesso de um Programa

Para garantir uma distribuição eficiente de alimentos, a Prefeitura Municipal de Palmeira realiza um contrato de compra/fornecimento de alimentos com os produtores visando à aquisição de produtos necessários para fornecimento da merenda orgânica para todas as escolas públicas instaladas no município.


Cabe destacar que já existe orientação do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), gerenciador dos recursos da merenda escolar, para que, no ato da compra, realizada pelos Conselhos de Alimentação Escolar, sejam respeitados os hábitos alimentares e a vocação agrícola de cada localidade, dando preferência aos produtos semi-elaborados e in natura.


Com o recurso de merenda escolar descentralizado a partir de 1999, os recursos do FNDE são repassados diretamente aos estados e municípios. No caso de Palmeira o Departamento de Educação do município recebe o recurso e fica responsável por efetuar o pagamento aos produtores mediante apresentação de nota de produtor rural, de acordo com acerto prévio. Segundo a Coordenadora de Merenda Marina da Luz, dos R$ 15.325,00 repassados ao município para merenda escolar, cerca de 30 a 40% é destinado ao pagamento dos produtores orgânicos. Cada produtor tem recebido em média R$ 400,00 mensais.







A tabela de preços é elaborada em conjunto e definida em Assembléia de produtores (Foto 3), baseada em preços de mercado e da Associação de Agricultura Orgânica do Paraná (AOPA). Segundo os organizadores, para a maioria das hortaliças, os preços acabam ficando em média 20% abaixo do praticado no mercado convencional. Segundo o produtor Ariginaldo Riffert, um dos participantes do programa, os valores recebidos são superiores aos que receberiam em outros canais de comercialização.






Foto 3 – Reunião entre agricultores, Secretaria da Agricultura e da Educação para definir preços e acertar a logística de entrega.

 


As entregas ocorrem de acordo com um planejamento prévio entre escolas e produtores. Normalmente, a entrega é realizada uma vez por semana. As escolas fornecem com antecedência a relação de produtos que fazem parte do cardápio, o que facilita o planejamento de produção. 


 


O cardápio orgânico já conta com cerca de 40 itens, basicamente legumes, verduras, cereais, frutas da época, geléias e derivados, sempre privilegiando produtos regionais e considerando as estações do ano. A mudança do pão de trigo, por exemplo, para o pão de milho ou de mandioca é uma das alternativas ecologicamente saudáveis. Segundo os organizadores, ainda existe dificuldade para introdução de alguns produtos processados como suco de frutas, leite e derivados de carne, por problemas de adequação à legislação.


 

 Treinamento e Capacitação de Merendeiras






Outro ponto importante para operacionalização do Programa é a capacitação das pessoas envolvidas no processo. O Departamento de Educação de Palmeira promove a capacitação de merendeiras buscando receitas e estratégias para acostumar as crianças a comerem hortaliças (Foto 4).





Foto 4 – Treinamento de Merendeiras para o trabalho com novas receitas a base de alimentos orgânicos













Foto 5 – Técnico da Secretaria da Agricultura dá orientações para alunos e professores sobre como preparar uma horta orgânica.


Segundo a Assistente Social Elizete L. Schroeder a mudança de hábito alimentar é um trabalho difícil, porém tem dado bons resultados. Paralelamente, professores são orientados pelos técnicos na organização de hortas orgânicas e visitas a propriedades orgânicas produtoras (Foto 5). 
 
 Mudança de Hábitos Alimentares: O papel da escola e dos pais

Não custa recordar que a alimentação humana sempre foi marcada por refeições em horários bem definidos, almoço em família, pela sazonalidade e regionalidade. Estes hábitos salutares vêm sendo descaracterizados. Com os “fast foods”, o almoço em família está sendo substituído pelo lanche solitário em frente à televisão ou computador em horários fragmentados. Os alimentos não têm mais tanto sabor e aroma, não importa o contexto social, desconsidera-se o meio ambiente. Com uma diversidade enorme de produtos, passíveis de serem produzidos num país tropical, nosso cardápio atual foi reduzido para 4 ou 5 espécies. Quem não come alface, tomate, batata e cenoura, quase todos os dias? Pois estas são as culturas campeãs no uso de agrotóxico. A diversidade, uma palavra-chave quando falamos em meio ambiente, está sendo desconsiderada.


 


Na maioria das escolas particulares, que não servem a merenda tradicional das escolas públicas, as cantinas vendem produtos industrializados que colaboram para uma alimentação artificial e de baixo valor nutricional. Paralelamente, os pais com pouco tempo para organizar o lanche das crianças, optam por produtos industrializados. Dessa forma, o lanche caseiro ficou “fora de moda”, uma questão cultural que faz com que as crianças sintam vergonha de comer alimentos naturais.


 


Não podemos esquecer que alimentação está diretamente ligada às questões ambientais. Portanto, as escolas que desejam inserir a Educação Ambiental em seus estabelecimentos devem priorizar a questão da merenda escolar. Privilegiar a Merenda Orgânica é incentivar o movimento orgânico, participando desta difícil tarefa de melhorar os hábitos alimentares e introduzir a criança como parte integrante do meio ambiente.


 


 


Contato: [email protected]


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http://www.lestcred.com.br/?123074


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