Morfologia dos albatrozes

 


 


Morfologia e voo



 

Ao contrário da maioria dos Procellariiformes, os albatrozes, como este albatroz-patinegro, conseguem deslocar-se com facilidade no solo.

Os albatrozes constituem um grupo de aves de grande a muito grande porte, sendo os maiores dos Procellariiformes. O bico é grande, forte e aguçado nas extremidades, com a mandíbula superior a terminar num grande gancho, de forma a facilitar a captura de presas de corpo liso e rápido. O bico é composto de várias placas córneas (ranfotecas) distintas e, lateralmente, apresenta duas narinas tubulosas na forma de dois tubos que acompanham as faces laterais do bico, por onde fazem excreção de sal (e que davam o antigo nome da ordem: Tubinares). As narinas tubulosas de todos os albatrozes dispõem-se ao longo dos dois lados do bico, ao contrário dos outros Procellariiformes, em que os tubos apenas se dispõem no topo do bico. Estes tubos permitem, ainda, que os albatrozes tenham um sentido do olfacto especialmente desenvolvido, o que é raro entre as aves. Como os outros Procellariiformes, usam esta sua capacidade olfactiva enquanto procuram alimento.[11] As patas não têm dedo oposto na parte posterior e os três dedos anteriores estão totalmente unidos por uma membrana interdigital, que lhes permite nadar, bem como pousar e decolar, deslizando sobre a água. As patas são particularmente fortes, tendo em conta que entre os Procellariiformes, apenas eles e os petréis-gigantes conseguem andar com eficiência em terra.


A plumagem adulta da maior parte dos albatrozes é, geralmente, caracterizada pela parte superior das asas, que se apresenta escura, enquanto a parte inferior é branca. Esta característica apresenta-se de forma diferente consoante as espécies, desde o albatroz-real-meridional, que é quase totalmente branco excepto nas pontas e extremidade posterior das asas, em machos que já atingiram a maturidade, até ao albatroz-de-amsterdam com plumagem muito semelhante à juvenil, com uma grande predominância de castanhos, em especial numa banda acentuada em torno do peito. Muitas espécies do género Thalassarche e albatrozes do Pacífico Norte têm ainda marcas faciais, como manchas oculares, ou manchas cinzentas ou amarelas na cabeça e nuca. Três espécies de albatroz, o albatroz-patinegro e os piaus, fogem por completo aos padrões habituais, sendo quase totalmente revestidos de castanho-escuro (ou cinzento escuro em determinados locais, como no caso do piau-de-costa-clara). A plumagem pode levar vários anos até tomar a forma adulta definitiva.


A envergadura de asa dos maiores albatrozes (do género Diomedea) ultrapassa a de qualquer outra ave, excedendo os 340 cm, ainda que a família inclua espécies com envergaduras bem menores. As asas são firmes e convexas, com a parte frontal espessa e aerodinâmica. Os albatrozes percorrem grandes distâncias recorrendo a duas técnicas de voo habituais em muitas aves marinhas de grandes asas: o voo dinâmico e o voo de talude. O voo dinâmico permite minimizar o esforço necessário para deslizar frente às ondas, utilizando o ímpeto vertical devido ao gradiente de vento. No voo de talude, o albatroz enfrenta o vento, ganhando altitude, podendo, em seguida, deslizar directamente para a superfície do oceano. Os alabatrozes têm uma razão de planeio elevada, de cerca 1:22 a 1:23, o que significa que a cada metro de altitude que descem, avançam 22 a 23 metros. São ajudados, no voo planado, pelo facto de apresentarem uma membrana tendinosa que mantém a asa distendida depois de estar totalmente aberta, sem que seja necessário fazer qualquer esforço muscular adicional. Esta adaptação morfológica é partilhada com os petréis-gigantes.[12]



A decolagem é uma das poucas fases em que os albatrozes necessitam de bater as asas para voar, sendo igualmente a fase mais exigente em termos energéticos de qualquer excursão efectuada por estas aves.

A decolagem é uma das poucas fases em que os albatrozes necessitam de bater as asas para voar, sendo igualmente a fase mais exigente em termos energéticos de qualquer excursão efectuada por estas aves.

Os albatrozes combinam estas técnicas de voo planado com o uso de sistemas inatos de predição do estado do tempo. Os albatrozes do hemisfério sul que voam para norte a partir das suas colónias seguem uma rota no sentido dos ponteiros do relógio, enquanto que aqueles que voam para sul seguem o sentido contrário.[13] São aves tão bem adaptadas ao seu estilo de vida que apresentam níveis de frequência cardíaca em voo aproximados aos registados durante os períodos de repouso. Esta eficiência funcional é tal que não são as grandes distâncias percorridas numa excursão em busca de comida que implicam maior gasto energético mas, tão somente, os momentos de decolagem, aterragem e de captura do alimento – fases essas que exigem um maior esforço muscular por parte da ave.[14] Estas eficientes e longas viagens de longa distância justificam que se considere o albatroz como um bem adaptado caçador-recolector de longas distâncias, tendo em conta que o seu alimento se encontra esparsamente distribuído no oceano. A sua adaptação ao voo planado torna-os, contudo, dependentes da existência de vento e de ondas. A maioria das espécies não tem condições morfofisiológicas (isto é, de forma e funcionamento) que lhes permitam manter um voo activo auto-sustentado. Em situação de calmaria, os albatrozes são obrigados a permanecer em repouso na superfície da água até que se levantem novas ondas. Dormem apenas quando repousam sobre a água, e não enquanto voam, como alguns autores chegaram a sugerir. Os albatrozes do Pacífico Norte podem usar um estilo de voo em que alternam momentos em que batem as asas energicamente (e ganham altitude) com momentos de planeio.[15] Quando decolam, os albatrozes necessitam de efectuar uma corrida de modo a permitir a passagem suficiente de ar sob as asas para que se crie a sustentação aerodinâmica necessária para levantar voo

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