Nosso sol, nossa meta

O Sol em nosso mapa expressa tudo aquilo que há de mais verdadeiro e essencial em nossa trajetória. Símbolo da expressão da identidade, quando nos conectamos com a essência solar descobrimos nosso propósito de vida, assim como o verdadeiro significado de nossa existência.

O símbolo do Sol, um círculo com um ponto no centro, traduz com perfeição nossa jornada evolutiva. Nele estão retratadas as diversas fases pelas quais passamos em nosso caminho, ao mostrar que, ao longo da vida, ficamos grande parte do tempo na periferia de nosso ser, simbolizada pelo círculo externo. Enquanto estamos na periferia acabamos nos identificando com um mundo que em nada corresponde aos nossos anseios internos, cedendo e nos submetendo a pressões sociais, procurando seguir e agradar o mundo exterior, o que acaba por deixar uma sensação de vazio na alma a cada ação. Esta identificação em nada contribui para a verdadeira realização do nosso Eu e quase sempre nos afasta do verdadeiro objetivo de nossa existência.

Com o passar do tempo, após vários tombos e enganos, caminhamos para o centro do círculo. Este processo, que Jung denominou da busca do Self (si mesmo), ou processo de individuação, marca um grande encontro. Quando nos libertamos dos condicionamentos exteriores e conseguimos ouvir nosso chamado interior, acabamos por mudar a perspectiva. O que antes olhávamos timidamente de fora e com medo de expressar nossa verdadeira opinião, passamos a assumir com coragem, sem medo de agir e por conseqüência despertando a descoberta de nossa real identidade.

Jung, que nasceu com o Sol em Leão, dedicou grande parte de sua obra a necessidade da busca do self, o contato com o lado obscuro e numinoso da natureza humana, trazendo à luz o verdadeiro significado que na astrologia está representado pelo Sol e pelo signo de Leão, já que ambos falam do processo de iluminação. Os leoninos e nossos egos solares, quando no estágio inicial se identificam com a periferia de seu ser, ficando aprisionados ao ego, aos aplauso, aos espelhos. Daí os vários significados deste signo como sendo apenas vaidoso, orgulhoso, cheio de si e outras definições que jamais retratam a verdadeira natureza e propósito deste símbolo. Claro que encontraremos leoninos vivendo o estágio da periferia. Mas aqueles que quebram esses limites e chegam ao centro do Sol, despertam sua verdadeira essência e brilham sem nenhuma necessidade de holofotes externos, já que a luz passa a vir toda de dentro.

O círculo externo simboliza também o samsara ou a roda do karma, e enquanto estamos inconscientes, estamos presos as paixões, aos vícios, ao bem e ao mal, como também é expresso no Arcano 10 do Tarot, “A Roda da Fortuna”. Somos jogados para cima e para baixo, prisioneiros de forças que transcendem nossa vontade consciente, e mesmo em momentos que pensamos estar no comando e no controle, nada nos pertence verdadeiramente, pois as escolhas que fazemos não vêm do âmago do nosso ser. Como no Arcano 10, a mensagem do Sol quando paramos de nos identificar com questões exteriores e nos tornamos observadores de nós mesmos, assumindo uma postura zen, encontramos nosso eixo, o centro da roda, e nos libertamos das repetições, já que o que irá aflorar será o que cada um tem de mais especial, que é ser o que verdadeiramente é, sem medos ou inseguranças, e aí podemos deixar nossa marca única em cada ato, nos tornando indivíduos na plena concepção da palavra.

Assim, o símbolo do Sol pode ser visto não apenas como um círculo com um ponto no centro, mas se olharmos de outro ângulo o veremos como uma espiral, onde o ápice deve ser nosso objetivo a alcançar. Todo padrão circular nos faz repetir histórias; os padrões espiralados nos projetam fora dos limites do tempo, proporcionando um salto quântico na consciência, uma percepção em outro nível de realidade. Por isso, é comum observarmos situações de libertação ao passarmos por trânsitos de planetas que têm a órbita elítica, como os de Plutão e Quiron, que sugerem este movimento espiralado em suas trajetórias. Observamos que seus trânsitos são libertadores e nos arrancam de situações para nos jogar à frente, nos obrigando a lidar com novas perspectivas e dimensões. Já planetas com órbitas circulares, como Saturno, por exemplo, nos ensinam muito mais através da repetição, do voltar atrás, fazer de novo. Enquanto você não aprende e apreende a história, não é liberado para seguir adiante.

Quando passamos a ver o Sol como uma espiral, compreendemos melhor seu propósito. O Sol é o grande libertador. Nosso aliado. Descondiciona porque ele é o presente, o aqui e agora. Quando você está pleno e centrado em seu ser, o passado colabora e o futuro não amedronta. Como diz Deepak Chopra, “O passado é história, o futuro ainda não aconteceu, o presente é dádiva, por isso se chama presente”, e nossa maior dádiva é nosso signo solar, todo seu potencial que a cada dia desenvolvemos mais e crescemos nesta espiral ascendente. Só a consciência daquilo que você realmente é e pode ser vai tirá-lo da escuridão, vai iluminar e dissipar os fantasmas dos medos, inseguranças, e de tudo que ontem foi e hoje não mais existe, só que por medo da revelação de nossa real imagem, acabamos buscando espelhos que nem sempre refletem o que devemos enxergar.

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