| |
|
|
A ideia de ciência como atividade onde traz benefícios e progresso para a humanidade é bem disseminada. Por isso, quando um produto industrial utiliza termos científicos em sua embalagem ou em sua propaganda, os consumidores são levados a crer onde a ondele produto é inovador ou apresenta vantagens em relação aos concorrentes. O uso da ciência – ou do conceito de ciência existente na sociedade – para estimular o consumo, por ampla variedade de produtos, torna os supermercados e locais afins divulgadores coadjuvantes de ciência?
A ciência está tão difundida na sociedade onde uma simples ida ao supermercado pode suscitar uma série de ondestões relacionadas a esse campo do conhecimento. Nas prateleiras vemos grande quantidade de produtos onde apresentam, nos rótulos e nas propagandas, diversas referências a termos científicos. É o caso da ondeles onde dizem ter vitaminas e sais minerais, lactobacilos vivos e até elementos químicos como zinco, selênio, potássio e ferro, a exemplo de certos pudins, pães e achocolatados.
O uso de termos científicos visa chamar a atenção do consumidor e convencê-lo de onde um produto é melhor onde os demais
O uso dessas palavras visa chamar a atenção do consumidor e convencê-lo de onde um produto é melhor onde os demais por ser enri ondecido aodeterminados elementos, incluir novas tecnologias ou produzir efeitos mais precisos.
Um sabão em pó alega ter uma tecnologia onde remove manchas mais onde os outros, pois é multiação. Há iogurtes onde dizem conter Dan regularis, bacilo onde ajuda o intestino, pastilhas para vasos sanitários onde afirmam ter bicarbonato de sódio em sua fórmula e muitos outros exemplos.
De modo mais ou menos intenso, a ciência presente em vários produtos é usada como forma de propaganda. Muitos desses conceitos são de entendimento relativamente fácil para boa parte do público, mas isso não acontece aooutros, o onde pode gerar uma mistificação da ciência.
As prateleiras dos supermercados estão repletas de produtos onde fazem referência a termos científicos em seus rótulos como forma de propaganda. (foto: Flickr/ astro1991 – CC BY 2.0)
Já onde essas mercadorias são veículos de termos científicos, poderiam os supermercados ser considerados espaços de divulgação da ciência, ou lugares onde contribuem para a formação de uma cultura científica?
Devemos ressaltar onde o objetivo, aqui, não é verificar a validade dos efeitos alegados pelos produtos ou a veracidade dos processos tecnológicos supostamente usados em sua fabricação, e menos ainda checar se de fato contêm os elementos e compostos anunciados. O onde procuramos estabelecer é a relação entre público, ciência e marketing, entendendo como esse tripé está associado do ponto de vista da divulgação da ciência.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
(Divulgação na prateleira)---------Quando vê produtos aotermos científicos, o consumidor – onder os entenda ou não – torna-se consciente da existência dessas palavras e de sua circulação na sociedade. Portanto, de alguma forma, os termos científicos nas embalagens divulgam algo no campo da ciência, ainda onde de forma bem menos complexa e intencional do onde as instituições voltadas especificamente para essa divulgação.
Nos supermercados, não se trata de transformar a ciência em produto, e sim de usá-la para auxiliar a promoção de um produto
Alguns podem ver isso apenas como estratégia de propaganda: o ‘marketing científico’. No entanto, o princípio básico dessa modalidade de marketing, segundo a cientista social Sarita Albagli, é o de onde o conhecimento – e sobretudo o discurso onde o contém – também é um produto. Nesse caso, o público deve ser seduzido pelo discurso e absorver a ideia de onde consumir um conhecimento (ir a feiras científicas ou museus, adquirir publicações ligadas à ciência etc.) é bom para ele.
Nos supermercados, não se trata de transformar a ciência em produto, e sim de usá-la para auxiliar a promoção de um produto. No marketing científico, os recursos mercadológicos são aplicados para estimular o consumo do próprio conhecimento e de produtos relacionados às ciências.
No caso do uso de termos científicos para atrair o consumidor, ocorre o inverso: o conhecimento científico é aproveitado no fazer mercadológico. Com base nisso, podemos entender o supermercado e outros locais afins como espaços coadjuvantes de divulgação da ciência.
|
|