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O artesão José Vicente Matias, o Corumbá, foi condenado a 23 anos de reclusão pelo assassinato de uma estudante em janeiro de 2004. O julgamento ocorreu nesta terça-feira (3) no 1º Tribunal do Júri de Goiânia.
O artesão cumprirá a pena na Penitenciária Odenir Guimarães, no município de Aparecida de Goiás (GO), e ficará à disposição do Poder Judiciário do Maranhão, onde responde por outros crimes. Durante o julgamento, Corumbá assumiu cinco outros crimes.
Foram acatadas, por unanimidade, as qualificadores de motivo torpe, uso de meio cruel (asfixia) e de recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
Ao ser interrogado, Corumbá disse que conheceu a vítima três dias antes do crime. Ele contou que passou a noite com a estudante, mas constatou que ela estava morta no dia seguinte. Ele afirmou que não se lembrava como o crime aconteceu.
Para esconder o crime, o réu teria cortado o corpo da jovem em várias partes e colocado em sacos plásticos para jogá-lo em um córrego.
O Tribunal de Justiça de Goiás condenou nesta terça-feira o artesão José Vicente Matias, 42, conhecido como Corumbá, a 23 anos de prisão pela morte da estudante Lidiayne Vieira Melo, em janeiro de 2004. Como é a primeira condenação do réu e ele recebeu pena maior de 20 anos, tem direito automaticamente a um novo julgamento.
Matias também é suspeito de matar em 2004 a turista israelense Katryn Rakitov, 29, que desapareceu em Pirenópolis (GO). Na época, ele afirmou que havia matado mais duas mulheres: a alemã Marianne Kern, em Barreirinhas (MA), e a espanhola Nuria Fernandez Collada, em Alcântara (MA).
No julgamento, o réu reafirmou a morte da alemã e da espanhola, e ainda afirmou que matou uma jovem em Três Marias (MG) e esfaqueou um casal em Lençóis (BA). A morte da israelense, no entanto, ele negou, dizendo que ela se desequilibrou sozinha e caiu de uma ribanceira de cerca de 40 metros de altura.
Os jurados aceitaram todas as qualificações propostas na denúncia: motivo torpe, uso de meio cruel (asfixia) e impossibilidade de defesa da vitima.
Segundo o tribunal de Goiás, Matias será colocado à disposição do Poder Judiciário do Maranhão.
Depoimento
O réu afirmou no júri que conheceu Melo três dias antes do crime, quando ela perguntou se ele fazia tatuagens. Os dois entraram na casa dele, onde ela foi tatuada em várias partes do corpo.
Matias relatou que recebeu como pagamento 300 gramas de maconha que a vítima trazia. Ele admitiu que, no primeiro dia, os dois usaram drogas e tiveram relações sexuais. "À noite, adormeci e quando acordei, na manhã seguinte, a cabeça dela estava sobre meu corpo. Me assustei, peguei a cabeça e joguei com força em direção à parede", afirmou.
Depois da morte, segundo seu depoimento, o réu cortou as pernas da estudante e pôs seus membros e a cabeça em sacos para levá-los em um carrinho de mão até um córrego, onde os deixou. "No caminho, perdi a cabeça dela", disse.
Ao juiz, ele afirmou que não recebeu ordens do demônio para matá-la, como havia declarado na época do crime. "Falei aquilo orientado por pessoas que me disseram que era melhor dar uma de louco, já que o caso ganhou repercussão e o cerco estava se fechando contra mim", assumiu.
A avaliação foi feita no dia 20 do mês passado no Hospital Geral de Goiânia (HGG), quando o artesão foi submetido também a uma ressonância magnética que constatou uma lesão na parte mais profunda do cérebro. “O mais importante é que o laudo deixa claro que José Vicente tinha plena consciência de seus atos e é, portanto, imputável”, observa Jorge Moreira, para quem o acusado tentou vender a imagem de louco para livrar-se da punição pela Justiça. De acordo com a avaliação dos profissionais do HGG, Corumbá é indiferente afetivamente e desprovido de julgamento moral.
Seus nexos afetivos são frouxos e sua afetividade é comprometida, demonstrando frieza e falta de sensibilidade pelos sentimentos alheios”, diz o laudo psicológico e psiquiátrico do artesão José Vicente Matias, o Corumbá, emendando que o artesão “parece incapaz de experimentar culpa, mas apresenta propensão marcante para culpar os outros”. Isto explica, interpreta Jorge Moreira, o fato de José Vicente ter atribuído às vítimas a culpa pela própria morte. Afirma ainda o documento que o acusado apresenta pouca tolerância à frustração e “baixo limiar para descarga de agressão, incluindo violência”.
O psicólogo Carlos Leal, professor da Universidade Federal do Maranhão, já tinha feito uma avaliação de Corumbá a pedido da polícia maranhense. Depois de conversar durante dois dias com o preso, ele diagnosticou que José Vicente tem alto grau de agressividade e que poderia até matar diante de qualquer frustração. O ponto de vista coincide com o expresso pelos profissionais goianos. Ainda conforme Leal, o artesão continuaria matando se não tivesse sido preso.
Ao ser entrevistado pelo médico e pelas psicólogas, José Vicente disse que foi vítima de muita violência na infância e na adolescência. Contou ainda que continua a sofrer com agressões e perseguições. Durante o exame, manteve atitude dissimulada e desprovida de emoção, conforme o documento.
Uma ressonância magnética feita no artesão revelou que ele sofre de leucoencefalopatia cerebral, problema incomum para sua idade, que pode ter sido provocada por pancadas ou pelo uso excessivo de drogas. O psiquiatra forense paulista Antônio José Eça afirma que o laudo da ressonância demonstra que o paciente tem alteração orgânica adquirida na infância que o leva a ter grave desvio de comportamento.
disse que matou outras três mulheres em Goiás, Minas Gerais e Bahia, segundo a Polícia Civil do Maranhão. Caso as confissões sejam verdadeiras, pode subir para seis o número de mulheres mortas pelo artesão. Nos depoimentos, Matias disse ter recebido ordens do demônio para matar as mulheres.
Segundo informações de policiais de Goiás e de Minas Gerais, que mantêm contato com os delegados no Maranhão, o artesão deu detalhes sobre o assassinato de duas adolescentes de 16 anos, cujas mortes não foram esclarecidas. Ainda não há informação sobre a possível vítima da Bahia.
Na semana passada, segundo a polícia, Matias confessou ter matado a alemã Marianne Kern, em Barreirinhas, na região dos Lençóis Maranhenses, e a espanhola Nuria Fernandez Collada, em Alcântara (MA). Ele disse também que assassinou a turista israelense Katryn Rakitov, 29, em Pirenópolis (GO), que está desaparecida desde abril de 2004.
O delegado Jorge Moreira, da Delegacia de Homicídios de Goiânia, disse que Matias detalhou a morte de Lidiane Vieira de Melo, 16, assassinada em janeiro de 2004, em Goiânia (GO), cujo corpo foi esquartejado.
"Ele contou que levou um dia e meio para matá-la, que a amarrou e chupou seu sangue. Ele deu detalhes que têm harmonia com o que aconteceu aqui", disse.
A segunda possível vítima identificada de Matias seria a adolescente mineira Natália Canhas Carneiro, 16, morta em setembro de 1999, no município de Três Marias (MG). Segundo o inspetor Geraldo Pinto de Oliveira, na época, as investigações ligaram a jovem a um grupo de artesãos que havia estado na cidade naquele período.
"Quando assisti às reportagens sobre a prisão do artesão, lembrei do caso e entrei em contato com a Polícia Civil do Maranhão. Ontem segunda-feira, recebi a informação que ele havia confessado o crime", disse Oliveira.
Segundo o inspetor, Matias disse ter visitado o município, descrito a cidade e detalhado a morte. "Para nós, está elucidado o crime com 100% de certeza", disse Oliveira.
O artesão foi preso no dia 29 de março, em Bragança, no interior do Pará, e transferido para São Luís (MA). Segundo o delegado José Maria Melônio, da Polícia Civil do Maranhão, Matias pede para ser ouvido diariamente e em cada depoimento acrescenta novas informações. A versão mais recente é a de que ele era dominado por uma "força" no momento dos crimes.
"Ele Matias disse que encontrou com o demônio quando tinha 31 anos e que recebeu a ordem de matar sete mulheres e que, quando mata, fica possuído por uma força que o domina", afirmou Melônio.
O delegado não descarta a possibilidade de o artesão tentar se passar por louco para escapar de uma eventual condenação. O inquérito irá solicitar um exame de sanidade mental
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