O câncer pancreático

O carcinoma de pâncreas é o tipo de cancro/câncer de pâncreas mais comum – 90% dos casos de neoplasia maligna deste órgão. Atualmente, corresponde à 5ª causa de morte por malignidade no ocidente. Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) o colocam como 2% de todos os tipos de câncer e 4% do total de mortes por câncer. Nos EUA, cerca de 28 mil pessoas por ano são diagnosticadas. É alta a taxa de mortalidade devido ao diagnóstico tardio e pela sua característica extremamente agressiva. A sobrevida média em 5 anos é menor que 0,4%, após o diagnóstico o tempo de vida em média é de 4 a 6 meses. Se o tumor é ressecável a sobrevida média em 5 anos é menor que 20%, em média 13 a 20 meses de vida após a cirurgia. Discretamente mais comum em homens e mais em negros. Raro antes dos 30 anos, mais comum após os 60 anos.
Índice
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* 1 História
* 2 Tipos
* 3 Localização
* 4 Patogênese
* 5 Fatores de risco
* 6 Diagnóstico
* 7 Tratamento
* 8 Referências
* 9 Ligações Externas

História

Os primeiros estudos feitos por Morgagni em 1761 são de grande relevância histórica. Outros estudos no sédulo XIX podem ser citados como os de Mondière (1836), Bigsby (1854) e Da Costa (1858). Com relação à cirurgia, Halsted realizou a primeira ressecção (1899) e Alan Oldfather Whipple, em seu estudo publicado em 1935, descreveu a técnica usada ainda hoje, chamada de “Cirurgia de Whipple” ou duodenopancreatectomia cefálica. Mais tarde Transverso e Longmire (1978) modificaram a técnica.

Tipos

Tumores de pâncreas podem ser: pseudotumor pancreático, tumores endócrinos, neoplasias císticas, neoplasias sólidas, neoplasias mesenquimais ou hematopoiéticas. Os adenocarcinomas ou carcinomas são os mais comuns, podem ser divididos pelo tipo histológico em ductais (90%), papilares mucosos intraductais, carcinoma de células acinares, cistoadenocarcinomas (malignização dos cistoadenomas mucosos) ou pancreatoblastomas.

Localização

O pâncreas é dividido em cabeça, processo uncinado, corpo, colo e cauda. Os adenocarcinomas são mais comuns na cabeça do órgão, mas podem ocorrer em qualquer local.

Patogênese

O adenocarcinoma ductal parece seguir uma seqüencia de desenvolvimento a partir de uma alteração genética. A perda dos genes de supressão tumoral p53 e p16 são as mais importantes. Ocorrem mutações do gene K-ras ( mais de 90% dos casos de adenocarcinoma invasivo). Há um modelo de transformação em neoplasia Intraepitelial Pancreática (NIPan) e de neoplasia mucosa papilar intraductal (NMPI).

Fatores de risco

O tabagismo é o principal, aumenta o risco de desenvolvimento de câncer de pâncreas em até 8 vezes (nitrosaminas tabaco-específicas que chegam ao pâncreas pelo sangue e bile).

Fatores nutricionais como a ingestão de calorias de origem animal (gordura/carne estimulam a liberação de colecistoquinina que pode causar hiperplasia/hipertrofia das células acinares pancreáticas), obesidade e elevada ingestão calórica por si só também aumentam o risco. Exercícios físicos reduzem o risco.

O álcool não está bem definido como um fator de risco específico. O café já foi apontado como uma das causas do câncer de pâncreas mas os estudos mais recentes não confirmaram essa hipótese. Da mesma forma os pesticidas, formaldeido e organoclorados não estão confirmados.

A pancreatite crônica hereditária é outro fator de risco bem definido. Outras doenças associadas a um maior risco são polipose familiar (Peutz-Jeghers), síndrome de von Hippel-Lindau, Lynch II, ataxia-telangectasia, câncer de mama familiar e melanomas de pele familiares.

Diagnóstico

Como em todos os casos de câncer, o emagrecimento é freqüente e importante. O crescimento do tumor é lento e leva quando já adiantado a um quadro de icterícia. Existem exames que podem nortear o diagnóstico, como os marcadores tumorais, o mais usado para tumores de pâncreas é o CA 19-9. Exames de imagem vão servir para fechar o diagnóstico sendo os mais comuns o ultrassom, tomografia, colangiopancreatografia endoscópica retrógrada, colangiorressonância magnética e o PET.

Tratamento

O único tratamento com objetivo de cura é a cirurgia, com a retirada de todo o tumor e dos órgãos vizinhos (parte do estômago, duodeno e vesícula biliar). A quimioterapia e a radioterapia podem ser úteis associadas à cirurgia ou somente como tratamento paliativo.

Referências

TOWNSEND, Courtney M. . BEAUCHAMP, R; SABISTON – TRATADO DE CIRURGIA – 17a Edição Sabiston 2004

DR. CARLOS EDUARDO RODRIGUES SANTOS; DR. EDUARDO LINHARES RIELLO DE MELLO; MANUAL DE CIRURGIA ONCOLÓGICA, INCA

Ligações Externas

* Instituto Nacional do Câncer
* Johns Hopkins Pancreatic Cancer Center

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