O mal das sacolas plásticas

“Querido, estou indo ao supermercado”, ela avisa ao marido, que assiste TV na sala. Márcia Ferreira tem 47 anos e uma longa carreira como dona de casa. Todo começo de mês, assim que o salário do marido entra na conta bancária do casal, ela trata logo de ir ao supermercado. “Sei que hoje as coisas não sobem de preços como antigamente, mas o hábito dos tempos de inflação acabou ficando”, conta ela, atravessando a rua, a caminho do mercado mais próximo. Se alguns hábitos não mudam, novos vão sendo agregados ao cotidiano de Dona Márcia com o passar do tempo. Há alguns meses, ela passou a levar sua própria sacola para trazer os mantimentos para casa. “Se aos sábados, quando eu ia à feira de rua aqui do bairro eu levava a minha sacola, por que não fazer o mesmo no supermercado?”, questiona.

A idéia veio de longe. A filha de uma vizinha da Márcia morou na Europa por um tempo e, em um bate-papo, desses de fim de tarde, comentou com ela que em alguns países europeus era comum as pessoas levarem sacola de casa para os supermercados, como uma forma de preservar o meio ambiente. “Decidi que faria o mesmo”, conta Márcia Ferreira.

Com a mão indecisa entre os frascos de xampu de diferentes marcas da prateleira, Dona Márcia explica um pouco mais: “Eu não fiz faculdade. Sempre fui mãe, esposas e dona de casa. Mas sempre me preocupei em fazer o que faço da melhor forma possível, sabe?”. Márcia conta que há muito tempo já reutilizava os sacos plásticos que a ajudavam a levar as compras para casa. Após guardar tudo nos armários da cozinha, a tarefa seguinte era enrolar cuidadosamente os saquinhos brancos e colocá-los no “puxa-saco”, para servir como sacola de lixo ao longo do mês.

“O problema é que, lá em casa, mesmo a família não sendo muito pequena (marido e três filhos), não juntamos muito lixo. As crianças já estão crescidas e quase não param em casa. Aí percebi que estava juntando mais sacolas que lixo, e tendo até que jogar algumas fora”, explica. “Decidi que era melhor ir duas ou mais vezes ao supermercado no mês a poluir ainda mais o planeta com tanto plástico.”

As sacolas plásticas de supermercado, padaria, videolocadora, farmácia e outros tantos estabelecimentos comerciais têm como matéria-prima o plástico filme, feito de uma resina sintética originária do petróleo. Aqui, no Brasil, são produzidas 210 mil toneladas anuais deste plástico, o que já representa quase 10% de todo o lixo do País. Nada biodegradáveis, levam séculos para se decompor na natureza. E, ainda assim, não há nenhuma legislação ou regulamentação no setor.

Na Alemanha, a guerra contra os sacos plásticos foi declarada no começo da década passada. Quem quiser fazer uso de sacos plásticos precisa pagar cerca de 60 centavos de euro por unidade. Já os irlandeses pagam um imposto pelo uso de cada sacola. Com isso, de 2002 para cá, se tornou comum ver pessoas nos supermercado acompanhadas de sacolas de pano e até mesmo de mochilas escolares.



Eco-fashion

Em Londres, boa parte dos supermercados tem incentivado seus clientes a usar suas próprias sacolas. Por lá, quem não precisar de sacos plásticos ganha 10% de desconto no preço final da compra. Mais ousada, a rede de supermercados Sainsbury lançou em suas 450 lojas, há menos um mês, a campanha Im Not a Plastic Bag.

As primeiras 2 mil pessoas ganharam sacolas de algodão feitas pela famosa designer inglesa Anya Hindmarch, que trazia o nome da campanha como estampa. “O marketing foi tão grande que as bolsas viraram o hype da primavera aqui em Londres”, comenta Fernanda Vasconcellos, estudante universitária brasileira na capital inglesa. “Hoje, o que mais vejo nos supermercados é gente com as próprias sacolas. Mas é engraçado ver algumas pessoas nas ruas totalmente produzidas e usando a sacola da Sainsbury como acessório.” A partir de junho, a campanha chega aos Estados Unidos e Japão. Como podemos ver, é fashion ser ecológico!

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