O que é a cólera e qual seu tratamento?

A cólera (ou cólera asiática) é uma doença causada pelo vibrião colérico (Vibrio cholerae), uma bactéria em forma de vírgula ou bastonete que se multiplica rapidamente no intestino humano produzindo uma potente toxina que provoca diarréia intensa. Ela afeta apenas os seres humanos e a sua transmissão é diretamente dos dejetos fecais de doentes por ingestão oral, principalmente em água contaminada.
Índice
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* 1 Vibrio cholerae
* 2 Transmissão
* 3 Progressão e sintomas
* 4 Epidemiologia
* 5 Diagnóstico
* 6 Tratamento
* 7 Efeitos genéticos nas populações

[editar] Vibrio cholerae
Distribuição da Cólera
Distribuição da Cólera

O vibrião da cólera é Gram-negativo e tem a forma de uma vírgula com cerca de 1-2 micrómetros. Possui flagelo locomotor terminal. Estes víbrios, tal como todos os outros, vivem naturalmente nas águas dos oceanos, mas aí o seu número é tão pequeno que não causam infecções.

O víbrio é ingerido com água suja e multiplica-se localmente no intestino delgado proximal. Causa diarréia aquosa intensa devido aos efeitos da sua poderosa enterotoxina. Esta toxina tem duas porções A e B (toxina AB). A porção B é especifica para receptores presentes na membrana do enterócito, causando a sua endocitose (englobamento e internalização pela célula). A porção A, é a toxina propriamente dita, ela atua causando uma ADP-ribosilação na subunidade catalitica da proteína G, impedindo sua capacidade de hidrolisar o GTP ligado a ela, o que leva a uma superativaçao da enzima adenilato ciclase e provoca um aumento abrupto dos níveis de AMPc intracelulares. O AMPc é um mediador que se liga à proteína cinase A, que por sua vez activa outras proteínas que afetam os canais de cloro, provocando a secreção de cloro, sódio e água associada descontrolada pela célula no lúmen intestinal. O vibrião não é invasivo e permanece no lúmen do intestino durante toda a progressão da doença.

O fator que transforma uma estirpe de vibrião não virulenta numa altamente perigosa parece ser a infecção da bactéria por um fago (espécie de vírus que infecta bactérias). Esse fago, o CTX-fí, contém os genes da toxina (ctxA e ctxB) que os injeta quando da sua infecção à bactéria.

O cólera é uma infecção intestinal aguda causada pelo Vibrio cholerae, que é uma bactéria capaz de produzir uma enterotoxina que causa diarréia. Apenas dois sorogrupos (existem cerca de 190) dessa bactéria são produtores da enterotoxina, o V. cholerae O1 (biotipos “clássico” e “El Tor”) e o V. cholerae O139.

O Vibrio cholerae é transmitido principalmente através da ingestão de água ou de alimentos contaminados. Na maioria das vezes, a infecção é assintomática (mais de 90% das pessoas) ou produz diarréia de pequena intensidade. Em algumas pessoas (menos de 10% dos infectados) pode ocorrer diarréia aquosa profusa de instalação súbita, potencialmente fatal, com evolução rápida (horas) para desidratação grave e diminuição acentuada da pressão sangüínea.

[editar] Transmissão
As abluções rituais com água do Rio Ganges são importantes na geração de epidemias da Cólera na India
As abluções rituais com água do Rio Ganges são importantes na geração de epidemias da Cólera na India

A cólera é transmitida através da ingestão de água ou alimentos contaminados com cistos. São necessários em média 100 milhões de víbrios (e no mínimo um milhão) ingeridos para se estabelecer a infecção, uma vez que não são resistentes à acidez gástrica e morrem em grandes números na passagem pelo estômago.

[editar] Progressão e sintomas

A incubação é de cerca de cinco dias. Após esse período começa abruptamente a diarréia aquosa e serosa, como água de arroz.

As perdas de água podem atingir os 20 litros por dia, com desidratação intensa e risco de morte, particularmente em crianças. Como são perdidos na diarréia sais assim como água, beber água doce ajuda mas não é tão eficaz como beber água com um pouco de sal. Todos os sintomas resultam da perda de água e eletrólitos:

* Diarréia volumosa e aquosa,tipo água de arroz, sempre sem sangue ou muco (se contiver estes elementos trata-se de disenteria).
* Dores abdominais tipo cólica.
* Náuseas e vômitos.
* Hipotensão com risco de choque hipovolémico (perda de volume sanguineo) fatal, é a principal causa de morte na cólera.
* Taquicardia: aceleração do coração para responder às necessidades dos tecidos, com menos volume sangüíneo.
* Anúria: diminuição da micção, devido à perda de liquido.
* Hipotermia: a água é um bom isolante térmico e a sua perda leva a maiores flutuações perigosas da temperatura corporal.

O risco de morte é de 50% se não tratada, sendo muito mais alto em crianças pequenas. A morte é particularmente impressionante: o doente fica por vezes completamente mirrado pela desidratação, enquanto a pele fica cheia de coágulos verde-azulados devido à ruptura dos capilares cutâneos.

[editar] Epidemiologia

A cólera é uma doença de notificação obrigatória às autoridades sanitárias.

A cólera é uma doença que existe em todos os países em que medidas de saúde pública não são eficazes para a eliminar. Ela já existiu na Europa mas com os altos níveis de saúde pública dos países europeus, foi já eliminada no início do século XX, com exceção de pequeno número de casos.

A região da América do Sul é hoje a mais freqüentemente afetada por epidemias de cólera, juntamente com a Índia. Neste último país, as grandes concentrações pouco higiênicas de multidões durante os rituais religiosos hindus no rio Ganges, são todos os anos ocasião para nova epidemia do vibrião. Também existe de forma endêmica na África e outras regiões tropicais da Ásia.

Os seres humanos e os seus dejetos são a única fonte de infecção. Só quando água ou comida suja com fezes humanas é ingerida podem suficientes quantidades de bactérias ser ingeridas para causar a doença. As crianças, que têm a tendência de pôr tudo na boca, são mais atingidas. As pessoas infectadas eliminam nas suas fezes quantidades extremamente altas de bactérias, sendo os portadores (individuos que possuem o víbrio no intestino mas que não desenvolvem a doença) muito raros. Há alguns casos raríssimos em que indivíduos contraíram a doença após comerem ostras contaminadas.

Existem vários serovars ou estirpes de vibrião da cólera. O eltor tem uma virulência menor e tem se tornado importante desde o seu surgimento em 1961, na Arábia.

[editar] Diagnóstico

O diagnóstico é por cultura em meio especializado alcalino de amostras fecais. A identificação é por microscopia e bioquimica.

[editar] Tratamento
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Se necessita de ajuda, consulte um profissional de saúde.
As informações aqui contidas não têm caráter de aconselhamento.

O tratamento imediato é o soro fisiológico ou soro caseiro para repor a água e os sais minerais: uma pitada de sal, meia xícara de açúcar e meio litro de água tratada. No hospital, é administrado de emergência por via intravenosa solução salina. A causa é adicionalmente eliminada com doses de antibiótico.

[editar] Efeitos genéticos nas populações

Os indivíduos com a doença genética ou status de portador do gene da fibrose cística, são parcialmente resistentes aos efeitos da cólera. Nas regiões mais afetadas desde tempos imemoriais (Índia), a freqüência deste gene é muito superior ao de outras regiões.
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v • d • e • h
Doenças bacterianas (principalmente A00-A79)
G+/Firmicutes Clostridium (Colite pseudomembranosa, Botulismo, Tétano, Gangrena gasosa) – Streptococcus A and B (Escarlatina, Erisipela) – Staphylococcus (Síndrome do choque tóxico) – Bacilli (Anthrax, Listeriose)
G+/Actinobacteria Mycobacterium: Tuberculose (Ghon focus, Complexo de Ghon, Meningite tuberculosa, Mal de Pott, Escrófula, Doença de Bazin, Lúpus vulgar, Miliary tuberculosis) – Hanseníase – síndrome de Lady Windermere – Buruli ulcer –
Actinomycetales: Actinomicose – Nocardiose – Difteria – Eritrasma
G-/Espiroqueta Sífilis (Bejel) – Yaws – Pinta – Relapsing fever – Noma – Trench mouth – Doença de Lyme – Rat-bite fever (Sodoku) – Leptospirose
G-/Clamídia Chlamydophila (Ornitose) – Chlamydia (Clamídia, Linfogranuloma venéreo, Tracoma)
G-/α Proteobacteria Rickettsioses (Tifo, Scrub typhus, Febre maculosa, Boutonneuse fever, Febre Q, Trench fever, Rickettsialpox) – Brucelose – Doença da arranhadura do gato
Bartonellosis (Bacillary angiomatosis)
G-/β&γ Proteobacteria Salmonella (Febre tifóide, Febre paratifóide, Salmonelose) – outras intestinais (Cólera, Shigelose) – Zoonóticas (Peste bubônica, Tularemia, Glanders, Melioidose, Pasteurellosis) – Outras: Pertussis – Meningococcus (Meningococcemia, Síndrome de Waterhouse-Friderichsen) – Legionelose – Febre purpúrica brasileira – Cancro mole – Donovanose – Gonorréia

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