O que é lince ibérico?

IDENTIFICAÇÃO E CARACTERÍSTICAS

O Lince-ibérico Lynx pardinus é um mamífero da família dos felídeos, tem um comprimento total de 80-100 cm e altura no garrote de 40-55 cm, os machos pesam cerca de 13 Kg e as fêmeas 9,5 Kg. As comparações com um gato grande são comuns mas, além do tamanho, tem três características muito particulares: a sua pelagem é castanha amarelada com manchas pretas; tem uma cauda curta com a ponta preta; as orelhas têm na extremidade pêlos em forma de pincel e apresenta umas grandes patilhas, brancas e pretas. Os seus membros posteriores são mais compridos estando adaptados para saltar e os anteriores, mais curtos e fortes, são utilizados na captura das presas.

DISTRIBUIÇÃO E ABUNDÂNCIA

A sua área de distribuição está confinada à Península Ibérica. Pensa-se que existam em Espanha entre 880-1150 indivíduos (com não mais de 350 fêmeas reprodutoras), distribuídos de forma muito fragmentada pelo sudoeste espanhol. Portugal apresenta igualmente uma distribuição bastante fragmentada, com estimativas populacionais para os principais núcleos bastante preocupantes: Algarve e Sudoeste Alentejano 15-25 linces e Serra da Malcata 5-8. São ainda importantes os núcleos Contenda-Barrancos, Vale do Sado, Serra de Sº Mamede e Vale do Guadiana, pensando-se que as populações portuguesas, no seu conjunto, não excedam os 50 indivíduos.

ESTATUTO DE CONSERVAÇÃO

É o felino mais ameaçado do mundo sendo considerado uma espécie em perigo de extinção pelos Livros Vermelhos de Portugal, Espanha e UICN. Está ainda protegido pelas Convenções de Berna e CITES e a Directiva Habitats (92/43/EEC) atribui-lhe o estatuto de espécie prioritária. A regressão da espécie no nosso país começou sobretudo nos anos 30-40 quando a “campanha do trigo” reduziu consideravelmente o seu habitat. A situação agravou-se nos anos 50 com o surgimento da mixomatose, que provocou uma diminuição nas populações de Coelho, e com as florestações de pinheiros e eucaliptos. A mortalidade causada pelo Homem tem sido igualmente um factor importante de ameaça. A espécie está protegida integralmente desde 1974 e existem actualmente leis que protegem o seu habitat. No entanto, em Portugal e em Espanha, a perda de habitat, a escassez de alimento e a mortalidade causada pelo o homem continuam a colocar o lince à beira da extinção.

HABITAT

Composto por bosque mediterrânico e/ou matagais densos, que lhe proporcionam abrigo e protecção, bem como áreas mais abertas, onde o Coelho é mais abundante, que lhe permitem caçar.

ALIMENTAÇÃO

A sua presa principal é o Coelho-bravo que pode constituir 70 a 90% da sua dieta. Consome ocasionalmente pequenos roedores, lebres, cervídeos e algumas aves, podendo estas presas alternativas ter uma maior importância na sua dieta em caso de escassez do coelho-bravo.

REPRODUÇÃO

A época de acasalamento ocorre entre Janeiro e Março, altura em que se podem ouvir estranhos “miados” de chamamento. O período de gestação é de 63-74 dias, nascendo entre 1 e 4 crias, geralmente 2. O macho deixa a fêmea após o acasalamento, ficando as crias ao cuidado desta por um período de aproximadamente um ano, altura em que se tornam independentes. No seu segundo ano, as crias atingem a maturidade sexual.

MOVIMENTOS

É uma espécie residente no nosso país. Poderão existir trocas de indivíduos entre as populações fronteiriças de Portugal e Espanha, nomeadamente entre a Serra da Malcata e a Serra da Gata, entre Contenda-Barrancos e a Serra Morena. O maior valor de dispersão registado para Lince-Ibérico é de 30 km, mas conhecem-se deslocações usuais em outras espécies de linces da ordem dos 100 km, podendo inclusivé passar os 400 km.

CURIOSIDADES

Estudos científicos realizados na década de 90, revelaram que, ao contrário do que se poderia supôr, a presença do Lince numa dada área favorece as populações de coelho, pois controla a densidade de outros predadores como a raposa e o sacarrabos, capturando-os ou mantendo-os afastados do seu território. Assim, em igualdade de outras condições, as densidades de coelho em áreas onde o Lince está presente são 2-4 vezes superiores às áreas onde o felino está ausente.

LOCAIS FAVORÁVEIS DE OBSERVAÇÃO

O facto de se tratar de um animal raro, secretivo e de hábitos crepusculares, torna extremamente difícil a sua observação. A sua detecção é feita sobretudo através de indícios de presença como pegadas e rastos, excrementos e arranhadelas em árvores. No entanto, uma visita ao Parque Nacional de Doñana valerá sempre a pena e quem sabe, pode ser que se tenha a sorte e o privilégio de observar um dos 45-50 linces que aí vivem.

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O que é lince ibérico

Lince-ibérico



























Lince-ibérico


Estado de conservação

Classificação científica
































Reino: Animalia
Filo: Chordata
Subfilo: Vertebrata
Classe: Mammalia
Subclasse: Eutheria
Ordem: Carnivora
Subordem: Feliformia
Família: Felidae
Género: Lynx
Espécie: L. pardinus

Nome binomial
Lynx pardinus
(Temminck , 1827)

Distribuição geográfica
Mapa de distribuição do Lince ibérico - pós 1960.

Mapa de distribuição do Lince ibérico – pós 1960.


O lince-ibérico (Lynx pardinus), também conhecido pelos nomes populares de cerval, lobo-cerval, gato-cerval, gato-cravo e gato-lince, é a espécie de felino mais gravemente ameaçada de extinção e um dos mamíferos mais ameaçados. Tem um porte muito maior do que um gato doméstico e o seu habitat restringe-se à Península Ibérica. Apenas existem cerca de cem linces ibéricos em toda a Península Ibérica. Aparentemente encontra-se extinto em Portugal.



Distribuição


O lince-ibérico somente existe em Portugal e Espanha. A população está confinada a pequenos agregados dispersos (ver mapa de distribuição), resultado da fragmentação do seu habitat natural devido a factores antropogénicos. Apenas 2 ou 3 agregados populacionais poderão ser considerados viáveis a longo termo. A sua alimentação é constituída por coelhos, mas quando estes faltam ele come veados, ratos, patos, perdizes, lagartos, etc. O lince-ibérico selecciona habitats de características mediterrânicas, como bosques, matagais e matos densos. Utiliza preferencialmente estruturas em mosaico, com biótopos fechados para abrigo



Habitat e ecologia


Este felino Habita no matagal mediterrânico [1]. Prefere um mosaico de mato denso para refúgio e pastagens abertas para a caça (ICONA 1992). Não é frequentador assíduo de plantações de espécies arbóreas exóticas (eucaliptais e pinhais) (Palomares et al. 1991).


Como predador de topo que é, o lince ibérico tem um papel fundamental no controlo das populações de coelhos (sua presa favorita) e de outros pequenos mamíferos de que se alimenta.



Comportamento


É um animal essencialmente nocturno. Trepador exímio. Por dia, poderá deslocar-se cerca de 7 km.


Os territórios de indivíduos do mesmo sexo normalmente não se sobrepõem. Os territórios dos machos podem-se sobrepôr a territórios de uma ou mais fêmeas.


Os acasalamentos ocorrem entre Janeiro e Março e após um período de gestação que varia entre 63 e 74 dias nascem entre 1 e 4 crias. O mais comum é nascerem apenas 2 crias que recebem cuidados unicamente maternais durante cerca de 1 ano, altura em que se tornam independentes e abandonam o grupo familiar. Regra geral, quando nascem 3 ou 4 crias, estas entram em combates por comida ou sem qualquer motivo e acabam por sobrar apenas 2 ou até 1, daí um dos seus pequenos aumentos populacionais.Não existe dimorfismo sexual entre macho e fêmea.



Ameaças


A principal ameaça resulta do desaparecimento progressivo das populações de coelhos (sua principal presa) devido à introdução da mixomatose. A pneumonia hemorrágica viral, que posteriormente afectou as populações de coelhos, veio piorar ainda mais a situação do felino.


Outras ameaças:




Estatuto de conservação


O estatuto de conservação do lince-ibérico tem variado ao longo das últimas décadas:



  • 1965 > Considerado muito raro e acreditando-se decrescer em número (como Felis lynx pardina) (Scott 1965)
  • 1986 > Ameaçado (como Felis pardina) (IUCN Conservation Monitoring Centre 1986)
  • 1988 > Ameaçado (como Felis pardina) (IUCN Conservation Monitoring Centre 1988)
  • 1990 > Ameaçado (como Felis pardina) (IUCN 1990)
  • 1994 > Ameaçado (Groombridge 1994)
  • 1996 > Ameaçado (Baillie and Groombridge 1996)

Actualmente prevalece a avalição efectuada em 2002, pela UICN:



  • Criticamente ameaçado > segundo o critério C2a(i) > Categorias e Critérios de 2001 (versão 3.1)


Evolução populacional


Evolução das estimativas do número total de indivíduos desde 1969 (apenas indivíduos no estado selvagem estão contabilizados):



Segundo Nowell e Jackson (1995), o número de indivíduos existentes em Portugal no ano de 1995 não excederiam 100. Segundo os mesmos autores, para Espanha e para o mesmo ano, a população seria de 1200.


A Quercus considerou a espécie inexistente em Portugal em 2007,[14] em resposta à criação do Plano de Acção para a Conservação do Lince-Ibérico em Portugal pelo governo português.[15]



Medidas de conservação


Um programa de reprodução em cativeiro está a ser desenvolvido em Espanha. Para tal, linces que estejam em subpopulações inviáveis terão que ser capturados.



  • Esta espécie está totalmente protegida em Portugal e Espanha.
  • Listada na CITES (apêndice I)


Taxonomia


O lince-ibérico e o lince euroasiático eram simpátricos, na Europa Central, durante o Pleistoceno (Kurtén 1968, Kurtén e Grandqvist 1987). Segundo Werdelin (1981), estas duas espécies evoluíram da primeira espécie de lince identificável (Lynx issiodorensis).


Antigas denominações científicas desta espécie:



  • Felis pardina
  • Felis lynx pardina
  • Lynx lynx pardina
  • Felis pardinus

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