O que é nutrologia?

Nutrologia é a especialidade médica, clínica que diagnostica, trata e acompanha os distúrbios nutricionais como: desnutrição, síndromes de má absorção intestinal, pelagra, escorbuto, hipovitaminoses, síndrome do intestino curto, dislipidemias, obesidade, nutrição enteral e parenteral, etc.

A avaliação é feita pelo médico através da história clínica, história nutricional e alimentar, exame físico, exame antropométrico, exame das pregas cutâneas, avaliação bioquímica, bioimpedância magnética, avaliação do gasto energético, exames complementares, calorimetria global,etc.


A avaliação nutricional de um doente hospitalizado tem resultados importantes na sua evolução clínica pois este paciente terá uma recuperação visivelmente mais rápida, não perderá peso na sua estada hospitalar, terá maior resistência a infecções, uma cicatrização surpreendentemente eficaz do ato cirúrgico a que foi submetido e com isto reduzirá significativamente o tempo de permanência no hospital.


A nutrição de um doente pode-se alterar por diferentes causas: anorexia que limita a ingestão do doente, erro ou insuficiência do valor calórico total do regime alimentar ou do fornecimento de nutrientes indispensáveis, perturbações das funções digestivas, a absorção, ou da excreção. Alterações na utilização dos nutrientes, anormalidade do metabolismo, etc.


Erroneamente se prescreve regimes tomando como base a doença: regime gástrico, regime renal, etc.


O regime correto deve ser feito tomando o organismo na sua tonalidade e não isoladamente de uma determinada doença.


As chamadas doenças nutricionais são aquelas que se originam, mantem-se em sua evolução ou curam-se pela ação preponderante da alimentação balanceada. Há um grupo de doenças que se curam quase exclusivamente com a alimentação. Inclui-se nesse grupo muitas doenças do aparelho digestivo, do metabolismo, carências vitamínicas, carências ferroprivas, etc.


Por meio da dietoterapia o método orienta sua ação propenso a modificar as alterações nutricionais que estão perturbadas pela doença. De acordo com a natureza da doença e com as exigências do organismo, podem-se prescrever vários tipos de alimentação com finalidade terapêutica.


As alterações da nutrição podem ocorrer por diversos motivos como uma ingestão inadequada de nutrientes, por maus hábitos alimentares persistentes, ou a conseqüência de perturbações da digestão, absorção, utilização ou excreção.


O alcoolismo e o uso de certas drogas causam sérios problemas de má nutrição.


Por exemplo, os alcoólatras apresentam uma carência séria prolongada da “Tiamina” pois o álcool inibe a absorção desta vitamina e consiste na causa mais comum de demência em adultos nos EUA, alem disso a carência prolongada da “Tiamina” provoca o quadro do Beribéri, que leva a confusão mental, perda muscular, edema, paralisia periférica, taquicardia e hipertrofia cardíaca.


O uso de medicamentos para o hipotireoidismo para o crescimento e na respiração dos tecidos.


O uso de anticoncepcionais diminui o triptofano que é um aminoácido muito importante em nosso corpo e a”Piridoxina”que é importante no metabolismo protéico, na formação da hemoglobina, facilita a liberação de glicogênio pelo fígado, etc.


Os anticonvulsivantes como a carmazepia e a primidona inibem a absorção da vitamina “Biotina”, que tem importante papel nos aminoácidos, ácidos graxos e ácido fólico. Como curiosidade, o hábito de ingerir ovo cru, leva também a má absorção da “Biotina” pois na clara dos ovos existe uma subst6ancia chamada “avilina” que dificulta a sua absorção. A avilina é desnaturada pelo aquecimento. Já tive um paciente com lesão crônica nos lábios e que estava tomando medicamentos há anos sem melhora do quadro clínico e na sua anamnese alimentar notei erro sério: ele só comia leite com pão tipo bisnaguinha e não aceitava nenhum tipo de legumes, verduras ou frutas. Assim, pela avaliação feita,  fiz uma reposição de riboflavina e uma dieta balanceada e ele se curou rapidamente de sua doença carencial.


Portanto a má nutrição causa doenças graves que só serão corrigidas com a reposição vitamínica adequada e a correção do erro alimentar.


Hoje sabemos que até o câncer pode ser previnindo com uma correção de hábitos alimentares e estilo de vida. Podemos reduzir sua incidência em até 60% mesmo com genética familiar para a doença, se fizermos uma dieta rica em : verduras, legumes, cereais, frutas, alimentos integrais, raízes, evitando enlatados, embutidos, carne vermelha em excesso, produtos com corantes, aromatizantes, conservantes,, embalagens com alumínio, álcool em demasia, etc.


As doenças cardiovasculares e digestivas tiveram um aumento alarmante após o advento da revolução industrial que começou a: coar, beneficiar, enlatar, refinar, ultra – refinar e prensar os alimentos que até então eram totalmente naturais.


Estes processos industriais levam a uma perda muito grande ou total dos nutrientes dos alimentos e problemas de perda de fibras importantes na digestão. O erro alimentar provoca imunodeficiência com diminuição da : imunidade celular, fagocitose, sistema complemento, anticorpos secretores, citocinas, portanto a subnutrição é a causa mais comum de imunodeficiência. Devemos ficar atentos em relação aos utensílios domésticos utilizados em nossas casas uma vez que vamos “comendo” estes metais das panelas junto com os alimentos.


é muito mais saudável comer a fruta que tomar um suco prensado em máquina e que recebeu neste ato mecânico inúmeros metais pesados que são prejudiciais a nossa saúde.


A obesidade é na realidade uma doença carencial pois o obeso de modo geral apresenta erros muito sérios em sua dieta e com a análise laboratorial podemos notar as mais diversas carências como: hipovitaminoses, anemia ferropriva, hipercolesterolemia, hipoglícemia, hiperinsulinemia, etc.


Muitas vezes o obeso utiliza uma alimentação muito rica em carboidratos e não consegue entender o porque de seu colesterol sempre elevado. O que ocorre é que nosso corpo tem a capacidade de produzir gordura pela “lipogênese”através de nutrientes não lipídicos ou seja, a partir de açúcares.


O desvio do metabolismo do hidrato de carbono é estimulado principalmente pelos hábitos do obeso: limitação das refeições durante o dia e ingestão de refeição abundante à noite. Todos esses fatores são agravados pelo sedentarismo que é muito comum nos obesos.


A obesidade é uma síndrome multifatorial que tem como causa, fatores: genéticos, emocionais, hormonais, dietéticos, sedentarismo, ambientais, etc.


Para se corrigir esta doença necessitamos de uma dieta individualizada e adequada a cada paciente adotando-se os conhecimentos científicos e lógicos para que o obeso não se transforme em um desnutrido grave.


Não é possível estabelecer um tratamento dietoterápico rotineiro, uma vez que este é o responsável pelos grandes fracassos do tratamento dos obesos.


O sucesso no tratamento é obtido através de uma investigação minuciosa de cada paciente, com a correção das possíveis carências, distúrbios e , uma mudança de hábito de vida e sua incorporação.


A dietoterapia tem por finalidade : reduzir o peso, modificar a alteração do metabolismo dos hidratos de carbono, evitar a formação inadequada de gordura, reduzir o apetite, evitar o aumento da produção de insulina, não existindo portanto dieta milagrosa e nem rápida, mas sim, um êxito com uma profunda mudança de hábitos e atitudes.


A dieta ideal é a variada e distribuída em pelo menos seis refeições por dia em quantidade razoável e equilibrada com: vitaminas, minerais, proteínas, gordura e carboidratos.


A dieta saudável deve possuir alimentos: construtores ( carnes, laticíneos, ovos, feijão, etc.), reguladoras ( frutas e vegetais) e os energéticos (pães, massas, arroz, cereais).


Devemos comer frutas e hortaliças da época, usar sal e o açúcar em quantidades moderadas, utilizar óleos vegetais no preparo da comida e evitar gorduras animais, tomar bastante água, preparar os alimentos com bastante higiene, manter o peso, controlando a ingestão de alimentos e praticar exercícios físicos.


Fazer das refeições um encontro agradável e com mais tempo disponível. As dietas padronizadas tem mais um caráter mercantilista do que de saúde.

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