O que é o reino de hades?

Hades (reino)


O Hades (do grego Aidòs), é a terra dos mortos da mitologia grega, governada pelo deus homônimo. Situado no mundo inferior, em baixo da superfície terrestre, é conhecido também como casa ou domínio de Hades (dómos Aidaoú) e é o lugar para onde vão as almas das pessoas mortas (sejam elas boas ou más), guiadas por Hermes, o emissário dos deuses, para lá tornarem-se sombras. É governado por Hades, usa-se seu nome freqüentemente para designar seu mundo.


Os deuses olímpicos saíram vitoriosos da batalha travada contra os Titãs (a Titanomaquia), e Zeus, Posídon e Hades partilharam entre si o universo; Zeus ficou com os céus e as terras, Posídon ficou com os oceanos e Hades ficou com o mundo dos mortos. Do mundo inferior, os titãs pediram socorro à Érebo, ao que Zeus respondeu lançando Érebo para lá também, onde se tornou a noite eterna do Hades (Érebo pode ser também outra designação do mundo inferior).


Inicialmente, acreditava-se que o Hades ficava para oeste, para lá do horizonte onde começava o rio Oceano, que dava a volta ao mundo.[carece de fontes?] Posteriormente, o escritor romano Virgílio diz que sua entrada seria perto do Vesúvio, uma região vulcânica que sofre tremores e desprende um cheiro terrível vindo das profundezas. As almas mortas têm primeiro de passar por vários deuses maléficos e monstros. Independente de por onde entrarem os mortos poderiam sempre confiar em Hermes para indicar-lhes o caminho.


 


 Geografia


Não existe descrição exata da geografia do Hades, já que os que são enviados para lá estão mortos, e os heróis que o visitaram em vida, como Héracles e Orfeu, fizeram juramentos que não falariam do que viram lá. O Hades possuíra 5 rios: Aqueronte (rio das dores), Cócito (rio das lamentações), Erídano, Estige (rio da imortalidade), Flegetonte (rio do fogo) e Lete (rio do esquecimento).


Não existe consenso da localização exata de certos locais do Hades, tais quais a localização dos juízes dos mortos, o Tártaro, os Campos Elísios e de um tipo de “campo” (um local de melancolia, explicado mais detalhadamente no final deste artigo). O único ponto em igualdade em todas as obras é que os mortos tinham que atravessar o rio Aqueronte com Caronte.



Caronte e o rio Aqueronte



Caronte ilustrado por Gustave Doré, para a Divina Comédia

Caronte ilustrado por Gustave Doré, para a Divina Comédia

Antes de chegar ao Hades os mortos pegam a balsa de Caronte para atravessar o rio Aqueronte (das dores). Caronte transporta os heróis, as crianças, os ricos e os pobres para o Hades propriamente dito. Caronte cobra moedas para fazer a passagem, era costume grego colocar uma moeda, chamada óbolo, sob a língua do cadáver, para pagar Caronte pela viagem. Se a alma não pudesse pagar ficaria forçadamente na margem do Aqueronte para toda a eternidade, e os gregos temiam que pudesse regressar para perturbar os vivos.


Hades ordenou-lhe que não transportasse vivos, fossem quais fossem as razões para atravessar o rio, ameaçando-o com um pesado castigo, mas alguns, com muita habilidade, conseguiam enganar Caronte ou convencê-lo a abrir uma exceção.



Cérbero (Ilustração de Gustave Doré para a Divina Comédia)

Cérbero (Ilustração de Gustave Doré para a Divina Comédia)

Em algumas versões, em vez do rio Aqueronte aqui estaria o rio Estige, entretanto se considerarmos que o Estige é o rio da imortalidade, é mais provável sua localização nos Campos Elísios.


Na outra margem do Aqueronte ficaria Cérbero, o cão de guarda de três cabeças do Hades. Era muito dócil e gentil com as almas que chegavam, mais demonstrava sua face violenta, caso elas tentassem fugir.



 Os juízes do Inferno


No Hades as almas eram julgadas por três juizes, com responsabilidades específicas: Minos, tinha o voto decisivo, Éaco, julgava as almas européias e Radamanto, julgava as almas asiáticas. Nem mesmo Hades interferia no julgamente deles, a não ser em raras ocasiões.


Quando um morto caía no Tártaro parece que ele recebia uma punição específica, como Sísifo que foi condenado a rolar uma pedra com suas mãos até o alto de uma montanha, e toda vez que estava alcançando o topo, a pedra rolava novamente montanha abaixo até o ponto de partida.


Os juízes não são deuses e sim mortos que devido à sua forte personalidade e seu senso de justiça tornaram-se juízes. Em algumas versões Hades seria o presidente do tribunal dos mortos.



 O Tártaro





Ver artigo principal: Tártaro

O Tártaro é semelhante ao inferno da mitologia cristã, para onde vão as almas malignas. Em outra versão, Tártaro é exclusivamente onde estão aprisionados os titãs, vigiados pelos três Hecatônquiros: Coto, Briareu e Giges.



O mundo primordial, segundo a Mitologia Grega

O mundo primordial, segundo a Mitologia Grega

Sendo que os mortos caem simplesmente no mundo inferior, em algumas versões ele possuía um largo portão de bronze que era fechado por dentro, abrindo-se apenas para dar entrada a mais uma sombra, cercado por muralhas triplas que rodeavam os condenados, e não consta que nenhum conseguisse escapar. Nele trabalhava Hécate, as Harpias (Aelo, Ocípite e Celeno), as Górgonas (Medusa, Esteno, e Euríale). Interessante observar que as harpias e as górgonas já morreram e agora servem a Hades. As Erínias, deusas da vingança (Tisífone, Megaira e Alecto), ficariam parte do tempo punindo os mortos no Tártaro e outro punindo os vivos na Terra. Também trabalhariam no Tártaro as Queres, deusas da morte violenta (existem várias Queres, algumas são Híbride, Limos e Poinê), apesar de em algumas versões as Queres trabalharem ao lado de Tânatos (enquanto Tânatos representa a morte tranqüila, as Queres representam a morte cruel, antes da hora), e em outras trabalham com Ares, deus da guerra.


No Tártaro correria o rio Cócito (das lamentações), Flegetonte (do fogo) e Erídano.



 Os Campos Elísios




Ver artigo principal: Campos Elísios


Os Campos Elísios, Léon Bakst (1906)

Os Campos Elísios, Léon Bakst (1906)

É o paraíso, onde estão as almas dos heróis, santos, poetas e etc. Hades também era ajudado por dois deuses que ficavam nos Campos Elísios, Tânatos, o deus da morte e Hipnos, o deus do sono.


Aqui correria o rio Estige (da imortalidade), que aparece em várias lendas e uma delas é quando a nereida Tétis tentou tornar Aquiles imortal mergulhando-o neste rio, porém, ao mergulhá-lo, segurou-o por um dos calcanhares (daí a expressão “calcanhar de Aquiles” significando ponto vulnerável), assim, esta parte ficou vulnerável, podendo levá-lo à morte.


Aqui brilhava o sol e havia cascatas de vinho, mais independente de quanto bebessem, ninguém ficava embriagado. Segundo algumas versões seus habitantes ficavam aqui 1000 anos até apagar-se tudo de terreno neles, depois disto esqueciam toda a sua vida (provavelmente bebendo do rio Lete) e reencarnavam ou realizavam metempsicose – reencarnar em animais. Os mortos dos campos elísios podem voltar à Terra, mas como sua nova vida é tão boa, raramente o fazem, mesmo por pouco tempo.


Hades moraria em um palácio nos campos elísios com sua esposa Perséfone, circundado por um bosque de álamos e salgueiros estéreis. O solo era recoberto de “asfódelo”, planta das ruínas e dos cemitérios. Lá havia um vale por onde corria o rio Lete e onde as almas dos que iam voltar a Terra esperavam por um corpo, no momento devido. Em algumas versões o palácio de Hades ficava junto ao tribunal de julgamento. Certas versões obsoletas colocam o juiz Radamanto como cuidando dos campos elísios, e um de seus servos, seria Cronos, anteriormente o líder dos titãs, um deus maligno e cruel, mesmo assim Cronos nunca incomodou ninguém no paraíso.



Os Três Caminhos


Em outras versões, existem três caminhos para onde os mortos eram enviados, após julgados:



  • Primeiro Caminho — Campo — O primeiro caminho é uma espécie de “campo”, uma região de nevoeiros e de árvores assustadoras. Aqui está a Planície dos Narcisos, mais além estão os campos verdes do Érebo, em algumas versões aqui está o Rio Lete (apesar de ser mais aceito ele nos Campos Elísios). Aqui estão os mortos menos afortunados. Não sofriam tormentos especiais a não ser a tristeza, muitos fugiriam se pudessem;


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