O que é respirar?

O que é respirar? Como respiramos? Que partes do nosso ser são envolvidas no ato de respirar?Muitos podem pensar em respiração como algo apenas corporal. Nada poderia ser mais distante da verdade. Respirar envolve muito mais do que simplesmente absorver oxigênio e produzir gás carbônico. Tudo o que você sente está diretamente relacionado à forma como você respira. Quanta energia você tem depende de quanto você respira. Sua capacidade respiratória exemplifica a forma como você lida com o mundo e com as pessoas ao seu redor. Observe uma criança bem pequena respirando. Observe seus movimentos. Observe a forma como olha as coisas a sua volta. Observe como permanece inteira no momento e como parece ter acesso a uma energia que nunca termina. Só de olhar, já dá para se sentir cansado. E curioso… Provavelmente, já está se perguntando como é possível. Como elas conseguem? Quando deixamos de conseguir?

Uma criança respira livre e profundamente. Todo seu corpo é tocado pela respiração. Todo o seu ser é constantemente banhado pela energia abundante da respiração.

Infelizmente, vivemos num mundo onde as regras da educação são extremamente restritivas e castradoras. Junta-se a isso a falta de espaço seguro onde crianças possam se expressar e interagir, pais extremamente ocupados e pouco disponíveis e a preocupação crescente com a segurança e o bem estar das mesmas, e chegamos ao ponto onde estamos. Isso é, cada vez mais cedo, as crianças descobrem que precisam se anestesiar, que precisam restringir sua expressão espontânea, que precisam se tornar sociáveis para não serem punidas. E para fazer isso, começam a segurar no corpo toda essa energia extra, restringindo inconscientemente sua respiração.

Todas as vezes que uma criança recebe mensagens como: “Não faça barulho”, “Fique quieta”, “Não pule”, “Não corra”, “Cuidado para não cair”, “Não chore”, etc, algo dentro dela precisa ser encolhido, precisa ser “engolido” e para fazer isso ela necessariamente precisa tensionar o corpo e diminuir a respiração. Acredito que a princípio, isto seja uma tarefa árdua. Mas, com o tempo aprendemos como fazê-lo tão eficazmente que passamos a não notar que o estamos fazendo. E assim nascem as tensões corporais, os padrões mentais e os nós emocionais.

Crescemos e sobrevivemos alimentando esses muros protetores. O corpo vai se transformando em depósito de tensões crônicas, nossas mentes se tornando estreitas e rígidas e nossas emoções permanecendo trancadas num quartinho escuro dentro dos nossos corações. E para manter isso tudo sob controle passamos a vida respirando cada vez menos profundamente.

Bom, é certo que fizemos o que tivemos de fazer para sobreviver e sermos considerados sociáveis. Mas, como adultos nos encontramos encolhidos, restritos, assustados e, ouso dizer, infelizes. No fundo de nossa alma, sabemos que podemos ser muito maiores do que somos. Nossos corações gritam por expansão e florescimento. Nossos corpos anseiam por flexibilidade e sensações prazerosas. E nossas mentes nos incomodam com um tagarelar incessante exigindo, como uma criança hiperativa, nossa atenção.

O resultado dessa conta pode ser visto em qualquer ser humano desse mundo moderno. Problemas de coluna, pressão alta, enxaquecas crônicas, gastrite, ansiedade, síndrome do pânico, fibromialgia, e tantos outros.

Bom, então o que fazer? Levando-se em conta que nossa primeira ferramenta de controle foi nossa própria respiração, acredito que usar a mesma para desfazer nossos nós seja o caminho mais curto para resgatar nossa saúde, no sentido amplo da palavra. Qualquer atividade que intensifique e aprofunde nossa capacidade de respirar vai trazer bons frutos. Quando conscientemente trabalhamos nossa respiração, criamos um espaço de cura e nutrição interno, porque quebramos o padrão de estarmos sempre olhando para fora na tentativa de suprir expectativas alheias e finalmente nos damos a oportunidade de sermos verdadeiros e completos.

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