O que é tifo e qual seus sintomas?

O tifo epidémico, coloquialmente referido simplesmente como Tifo, é uma doença epidémica transmitida por piolhos, parasitas comuns no corpo humano, e causado pela bactéria Rickettsia prowazekii.

O tifo é uma doença causada pela R.prowasekii, distinta e não relacionada à Febre tifóide que é causada pelas Salmonella. Há outras formas semelhantes ao Tifo, como Tifo endémico causado pela R.typhi e Tifo do mato causado pela Orientia tsutsugamushi (antigamente R.tsutsugamushi).
Índice
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* 1 Rickettsia prowazekii
* 2 Epidemiologia
* 3 Progressão e sintomas
o 3.1 Doença de Brill-Zinsser
* 4 Diagnóstico e tratamento
* 5 História
o 5.1 História da Medicina

[editar] Rickettsia prowazekii

A Rickettsia prowasekii é um pequeno (menos de meio micrómetro) bacilo cocóide parasita intracelular que é incapaz de se reproduzir fora das suas células hóspedes.

Infecta os piolhos do corpo humano Pediculus humanus corporis. Permanece viva muitos dias nas fezes e/ou cadáveres dos piolhos.

[editar] Epidemiologia

O tifo epidémico foi durante muito tempo uma causa importante de epidemias mortíferas na Europa (especialmente Europa de Leste e Rússia) e Ásia. Hoje em dia está erradicada na Europa, e em outras regiões quando surge as medidas de saúde pública geralmente previnem o aparecimento de epidemias. Existem casos esporádicos na América do Sul, Ásia e África.

Infecta os piolhos do corpo humano Pediculus humanus corporis, mas é rapidamente mortal para eles também, logo as epidemias que surgem têm de ser de transmissão rápida, exigindo grande número de pessoas e piolhos susceptíveis, como em exércitos e outras aglomerações. É por essa razão que as epidemias são facilmente evitáveis por medidas simples de higiene das roupas, e banho regular.

[editar] Progressão e sintomas
Exantema no peito de homem com tifo epidémico, no Burundi
Exantema no peito de homem com tifo epidémico, no Burundi

É transmitido pelo piolho humano do corpo Pediculus humanus corporis, (mais raramente pelo piolho dos cabelos), que os excretam nas suas fezes, invadindo o ser humano através de pequenas feridas invisíveis. A incubação é de 10 a 14 dias, enquanto as bactérias se reproduzem no interior de células endoteliais que revestem os vasos sanguíneos, libertando a descendência para o sangue de forma continua, com inflamação dos vasos (causa do eritema).

A febre alta surge após essas duas semanas, seguida do exantema (eritema) em manchas após mais quatro a sete dias.

A mortalidade é de 20% se não tratado convenientemente, mas em algumas epidemias em desnutridos pode chegar a dois terços.

[editar] Doença de Brill-Zinsser

A doença de Brill-Zinsser é uma infecção secundária que pode surgir anos mais tarde num periodo de fraqueza devido às rickettsias que se esconderam do sistema imunitário dentro das células em estado quiescente. Caracteriza-se por sintomas mais moderados.

[editar] Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é feito através da detecção de anticorpos específicos contra a R.prowasekii no soro sanguíneo do doente. Também é possível a observação microscópica após cultura de amostras em meios com células vivas (recolhidas de ovos fecundados de galinha). Podem-se confirmar os achados por detecção de DNA através da técnica de PCR.

O tratamento é com antibióticos, sendo a primeira escolha as tetraciclinas. Existe uma vacina que não é muito eficaz.

[editar] História

O Tifo foi uma importante causa de epidemias antes da Segunda guerra mundial. Atingia particularmente os exércitos em campanha e as populações prisionais.

Alguns historiadores acreditam que foi o Tifo a doença misteriosa que atingiu Atenas no século de Péricles (430 a.C), um evento associado ao declínio dessa grande cidade-estado.

Uma das epidemias mais importantes foi aquela que atingiu Napoleão Bonaparte e a sua Grande Armée na sua campanha de invasão da Rússia, em 1812. Durante a retirada dos suas tropas após a destruição de Moscovo pelos russos, as tropas de Napoleão foram reduzidas de 600.000 a 40.000 mais devido ao Tifo e ao frio que às tropas inimigas.
Os exércitos de Napoleão Bonaparte foram atingidos pelo Tifo durante a Campanha na Rússia. Quadro de Antoine-Jean Gros
Os exércitos de Napoleão Bonaparte foram atingidos pelo Tifo durante a Campanha na Rússia. Quadro de Antoine-Jean Gros

Outra epidemia mortífera surgiu na Irlanda entre 1846 e 1849 durante a fome da batata nesse país, onde o Tifo se uniu à destruição de um fungo parasita dessa cultura para reduzir, pela morte e emigração, a população da ilha para menos de um terço.

As medidas higiênicas militares, hoje parte importante da disciplina de todos os exércitos, foram introduzidas pelos franceses em reação à mortalidade pelo Tifo. A obrigatoriedade de raspar a barba e cortar o cabelo rente foram mediadas inicialmente introduzidas nos soldados de forma a erradicar os piolhos transportadores da infecção. Antes de se descobrir que a higiene e a limpeza das roupas reduziam as mortes por tifo, a higiene não era grande preocupação para os oficiais. Devido a estas medidas, durante a primeira guerra mundial na frente ocidental quase não houve mortes de Tifo, enquanto na frente oriental, após a quebra de autoridade que se seguiu à Revolução de Outubro na Rússia Czarista, três milhões de pessoas morreram da doença.

Apesar de medidas baratas e fáceis de prevenção já serem conhecidas, os Nazis deixaram centenas de milhares de presos nos seus campos de concentração, incluindo a maioria de Judeus, morrer da doença durante a Segunda Guerra.

[editar] História da Medicina

A primeira descrição reconhecível de Tifo foi dada em 1083 em Itália. Só em 1546 é que o famoso médico de Florença, Girolamo Fracastoro (o primeiro médico a defender os germes como causa das doenças), descreveu a doença em termos científicos.

Em 1909, Charles Nicolle identificou o piolho como vetor da doença. Ganhou em 1928 o Prêmio Nobel pela sua descoberta.

Foi Henrique da Rocha Lima em 1916 quem identificou a bactéria Rickettsia prowazekii como responsável pela doença. O nome homenageia H. T. Ricketts e Stanislaus von Prowazek, dois zoólogos que perderam as suas vidas vítimas da doença ao investigá-la em 1915 numa prisão.
[Esconder]

v • d • e • h
Doenças bacterianas (principalmente A00-A79)
G+/Firmicutes Clostridium (Colite pseudomembranosa, Botulismo, Tétano, Gangrena gasosa) – Streptococcus A and B (Escarlatina, Erisipela) – Staphylococcus (Síndrome do choque tóxico) – Bacilli (Anthrax, Listeriose)
G+/Actinobacteria Mycobacterium: Tuberculose (Ghon focus, Complexo de Ghon, Meningite tuberculosa, Mal de Pott, Escrófula, Doença de Bazin, Lúpus vulgar, Miliary tuberculosis) – Hanseníase – síndrome de Lady Windermere – Buruli ulcer –
Actinomycetales: Actinomicose – Nocardiose – Difteria – Eritrasma
G-/Espiroqueta Sífilis (Bejel) – Yaws – Pinta – Relapsing fever – Noma – Trench mouth – Doença de Lyme – Rat-bite fever (Sodoku) – Leptospirose
G-/Clamídia Chlamydophila (Ornitose) – Chlamydia (Clamídia, Linfogranuloma venéreo, Tracoma)
G-/α Proteobacteria Rickettsioses (Tifo, Scrub typhus, Febre maculosa, Boutonneuse fever, Febre Q, Trench fever, Rickettsialpox) – Brucelose – Doença da arranhadura do gato
Bartonellosis (Bacillary angiomatosis)
G-/β&γ Proteobacteria Salmonella (Febre tifóide, Febre paratifóide, Salmonelose) – outras intestinais (Cólera, Shigelose) – Zoonóticas (Peste bubônica, Tularemia, Glanders, Melioidose, Pasteurellosis) – Outras: Pertussis – Meningococcus (Meningococcemia, Síndrome de Waterhouse-Friderichsen) – Legionelose – Febre purpúrica brasileira – Cancro mole – Donovanose – Gonorréia

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