O que significa agnosticismo?

Agnosticismo



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Thomas

Thomas Henry Huxley (18251895), biólogo evolucionista, cunhou o termo “agnosticismo”.

As bases filosóficas do agnosticismo foram assentadas no século XVIII por Immanuel Kant e David Hume, porém só no século XIX que o termo agnosticismo seria formulado. Seu autor foi o biólogo britânico Thomas Henry Huxley – avô paterno do escritor Aldous Huxley (autor do romance distópico Admirável Mundo Novo) – numa reunião da Sociedade Metafísica, em 1876. Ele definiu o agnóstico como alguém que acredita que a questão da existência ou não de um poder superior (Deus) não foi nem nunca será resolvida.







Índice

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[editar] Conceito


Nas palavras de Thomas Huxley, sobre a reunião da Sociedade Metafísica, “eles estavam seguros de ter alcançado uma certa gnose — tinham resolvido de forma mais ou menos bem sucedida o problema da existência, enquanto eu estava bem certo de que não tinham, e estava bastante convicto de que o problema era insolúvel.”


Desde essa época o termo “agnóstico” também tem sido usado para descrever aquele que não acredita que essa questão seja intrinsecamente incognoscível, mas por outro lado crê que as evidências pró e contra Deus não são ainda conclusivas, ficando pragmático sobre o assunto.


Se existe um Criador, um Deus, do tempo, do espaço, da energia, da matéria, até chegar a nossa criação, que poderia até ser atribuída a uma outra raça, então, só descobrindo e explorando as coisas em sua suposta ordem inversa da criação que chegaremos ao Criador, até lá a simples existência da vida não prova a existência de Deus nem a prova da evolução das espécies a nega. Aliás, talvez nem mesmo a existência da vida após a morte prová-la-ia.


O agnóstico opõe-se à possibilidade de a razão humana conhecer uma entidade concebida como “Deus” (gnose tem a sua origem etimológica na palavra grega que significa «conhecimento»). Para os agnósticos, assim como não é possível provar racionalmente a existência de Deus, é igualmente impossível provar a sua inexistência, logo, constituindo um labirinto sem saída a questão da existência de Deus, não se deve colocar sequer como problema, já que nenhuma necessidade prática nos impele a embrenharmo-nos em tal tarefa estéril.


Isto porque o que determina a crença é a fé, e a fé não é baseada em racionalizações. Então simplesmente não há como provar racionalmente se Deus existe ou não.


Muitas pessoas usam, erroneamente, a palavra agnosticismo com o sentido de “ateísmo fraco” e usam a expressão “Ateísmo” apenas com o significado de “ateísmo ativo” (que afirma categoricamente a inexistência de Deus). O problema é que não se pode estabelecer realmente a crença de alguém simplesmente pelo fato de ele se intitular agnóstico. Pode haver, por exemplo, um teísta agnóstico que considere impossível descobrir por meio da razão se Deus realmente existe, mas que afirme crer em Deus (ou Deuses) por meio da fé. Há também aquele que não crê na existência dos Deuses conforme descritos pelas religiões, mas acreditam na possibilidade de existência de um outro tipo de entidade sobrenatural (estes são comumente chamados de “deístas“).


Cautela com as palavras “ateísta” ou “ateu“, pois o ateísmo representa a ausência de crença na existência de Deus/divindades, não necessariamente a negação da existência de Deus.Muitas são as discussões geradas pelo uso incorreto do termo ateísmo.


O agnosticismo não é um meio-termo entre teísmo e ateísmo, pois classifica de acordo com um critério diferente. Teísmo e ateísmo separam aqueles que acreditam num Deus daqueles que não acreditam. O agnosticismo separa aqueles que acreditam que a razão não pode penetrar o reino do sobrenatural daqueles que defendem a capacidade da razão de afirmar ou negar a veracidade da crença teística.



[editar] Origem do Nome


“Agnosticismo” derivou-se da palavra grega “agnostos”, formada com o prefixo de privação (ou de negação) “a-” anteposto a “gnostos” (conhecimento). “Gnostos” provinha da raiz pré-histórica “gno-“,que se aplicava à idéia de “saber” e que está presente em numerosos vocábulos da língua portuguesa, tais como cognição, cognitivo, ignorar, conhecer, ignoto, ignorância, entre outros.



[editar] Origem da Doutrina


Pirro de Elis (c360 a.C. – c270 a.C.) Filósofo grego nascido em Élida, fundador da escola filosófica, o ceticismo, uma doutrina prática, também conhecida como pirronismo, que se caracterizava por negar ao conhecimento humano a capacidade de encontrar certezas. Filósofo de teorias complicadas, acompanhou Alexandre, o Grande (356-323 a. C.), na conquista do Oriente, ocasião em que entrou em contato com os faquires da Índia. Estudou filosofia com o atomista Anaxarco de Abdera, durante e após esta expedição (334-325 a. C.) e iniciou-se no magistério (324 a. C.), na cidade de Élida. Ao meditar sobre os discursos filosóficos de sua época, concluiu que todas as doutrinas eram capazes de encontrar argumentos igualmente convincentes para a razão. Desdobrou sua filosofia em três questões: qual a natureza das coisas, como devemos portar-nos ante elas e o que obtemos com esse comportamento. Para ele toda intenção de ir além das aparências está condenada ao fracasso pelas deficiências dos sentidos e pela fraqueza da razão. Seu principal seguidor foi o escritor satírico Timón de Fliunte (320-230 a. C.). Seus ensinamentos exerceram influência sobre a Média e a Nova Academia. Durante o século XVII voltaram à atualidade em razão da reedição dos livros de Sexto Empírico (150-220), que codificara as obras doutrinárias da escola cética no século III da era cristã.



[editar] Grupos Agnósticos


A principal divisão interna do agnosticismo reside entre o Agnosticismo Teísta e o Agnosticismo Ateísta. Diferenciam entre si nos termos dos pressupostos para os quais ambos tendem, os teístas partem do pressuposto que existe um Deus, Deuses ou Divindades, os ateístas do princípio que tal é de todo inexistente, embora ambos os grupos assumam que faltam provas que comprovem um ou outro lado.


São igualmente considerados os seguintes grupos:



  • Agnosticismo Estrito (Também chamado de agnosticismo forte, agnosticismo positivo, agnosticismo convicto ou agnosticismo absoluto) — A ideia de que a compreensão ou conhecimento sobre Deus e o Divino se encontra totalmente fora das possibilidades humanas e que jamais tal será possível. Um Agnóstico Estrito diria “Eu não sei e você também não”.


  • Agnosticismo Empírico (Também chamado agnosticismo suave, agnosticismo aberto ou agnosticismo fraco) — A ideia de que a compreensão e conhecimento do Divino não é até ao momento possível mas que se aparecerem novas evidências e provas sobre o assunto tal é uma possibilidade. Um Agnóstico Empírico diria “Eu não sei. Você sabe?”.


  • Agnosticismo Apático — A ideia de que, apesar da impossibilidade de provar a existência ou inexistência de Deus e Divindades, estes a existir não têm qualquer influência negativa ou positiva na vida das pessoas, na Terra ou no Universo em geral. Um Agnóstico Apático diria “Eu não sei, mas também para que é que isso interessa?”.


  • Ignosticismo — Embora se questione a compatibilidade deste grupo com o agnosticismo ou ateísmo há quem o considere como um grupo agnóstico. Este grupo baseia-se na ideia de que é mais importante definir de forma coerente Deus e que a existência ou não de Deus é um mero pormenor secundário sem relevância. Um Ignosta diria “Não sei. O que considera “Deus”?”.


  • Agnosticismo Modelar — A ideia de que questões metafísicas e filosóficas não podem ser verificadas nem validadas, mas que um modelo maleável pode ser criado com base no pensamento racional. Esta vertente agnóstica não se dedica à questão da existência ou não de Divindades. Um Agnóstico Modelar diria “Eu não sei.Mas podemos criar um”.


  • Existe também a associação de agnostico com aquele que crê em uma força maior, mas não se detêm a uma religião específica, apenas respeita a mágica que governa o universo.


[editar] Ateísmo e agnosticismo



Esquema clássico do conhecimento: é possível afirmar ter uma crença verdadeira sem necessariamente afirmar que ela constitua conhecimento.
Esquema clássico do conhecimento: é possível afirmar ter uma crença verdadeira sem necessariamente afirmar que ela constitua conhecimento.

A relação entre a postura agnóstica e a crença (ou não) em Deus é quem vai determinar se o agnosticismo é teísta ou ateísta.



[editar] Fé e conhecimento


De acordo com a tradição filosófica, é considerado conhecimento uma crença que seja verdadeira e adequadamente justificada. Dessa perspectiva, dizer que acredita em algo sem alegar que isso constitua conhecimento não é contraditório; é apenas incomum, já que normalmente se supõe que as pessoas com determinada crença afirmem que ela seja necessariamente verdadeira (e a parte da justificação costuma ser simplesmente esquecida).


É importante destacar também a crise do conhecimento exato, causal ou científico. Hoje a crença em verdades justificáveis perderam credibilidade na medida em que a verdade também pode ser concebida como a “substituição de erros grosseiros por erros menos grosseiros”, segundo as palavras de um conhecido filósofo. Ou que “o conhecimento pode ser entendido como o eterno questionamento do mesmo”. Logo, a razão humana perde seus limites sólidos com a fé, visto que esta de certa forma também agrega lógica e provas (milagres), perfeitamente cognicíveis para uma grande parcela da população.



[editar] Conhecimento no agnosticismo


No agnosticismo, postula-se que a compreensão dos problemas metafísicos, como a existência de Deus, é inacessível ou incognoscível ao entendimento humano na medida em que ultrapassam o método empírico de comprovação científica. Assim, o conhecimento da existência de Deus é considerado impossível para agnósticos, teístas ou ateístas.



[editar] Agnosticismo Teísta


Um agnóstico teísta é alguém que assume ter conhecimento da existência de Deus, mas sua crença se da através da razão e conhecimento do mundo físico.



[editar] Agnosticismo Ateísta


Contrariamente ao agnóstico teísta, o agnóstico ateísta é alguém que assume não ter conhecimento da existência de Deus e reserva para si a ação de não acreditar que ele exista.

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