O que significa espiritismo?

Espiritismo



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Espiritismo é a crença segundo a qual os mortos podem comunicar, geralmente pelo intermédio de um vidente ou médium. A expressão também designa a doutrina e práticas das pessoas que partilham esta crença.


O termo espiritismo (do francês antigoespiritisme“) surgiu como um neologismo, mais precisamente um “porte-manteau“, criado pelo pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, sob o pseudônimo de “Allan Kardec”, para nomear especificamente o corpo de idéias por ele sistematizadas inicialmente em “O Livro dos Espíritos” (1857). Contudo, a utilização de raízes oriundas da língua viva para compor a palavra (“spirit“: espírito + “isme“: doutrina), que, se por um lado foi um expediente a que Kardec recorreu para facilitar a difusão do novo conjunto de idéias, por outro fez com que o termo fosse rapidamente incorporado ao uso cotidiano para designar tudo o que dizia respeito à comunicação com os espíritos. Assim, por espiritismo, muitos entendem hoje as várias doutrinas religiosas e/ou filosóficas que crêem na sobrevivência do espírito à morte do corpo, e, principalmente, na possibilidade de se comunicar ordinariamente com ele.


O presente artigo visa a tratar do espiritismo levando em consideração todos os diferentes usos do termo, enquanto que o artigo doutrina espírita está voltado para descrever o espiritismo conforme sistematizado por Kardec. Essa divisão entre espiritismo (geral) e doutrina espírita (específico) é meramente didática, não implicando apologia a nenhum dos dois usos.


O espiritismo, de um modo geral, fundamenta-se nos seguintes pontos:



  • o homem é um espírito temporariamente ligado a um corpo (para Kardec esta ligação é feita através de uma interface que denomina de perispírito, um envoltório semimaterial que o vulgo denomina como “fantasma“);
  • a alma é o espírito enquanto se encontra ligado ao corpo;
  • o espírito, compreendido como individualidade inteligente da Criação, é imortal;
  • a reencarnação é o processo natural de aperfeiçoamento dos espíritos;
  • o aperfeiçoamento, através das reencarnações (vidas sucessivas), está ligado a uma “Lei de Causa e Efeito“, segundo a qual recebemos na medida do que causamos (bondade e/ou maldade);
  • os espíritos encarnados (“vivos”) e os espíritos desencarnados (“mortos”) podem se comunicar através da mediunidade (em língua inglesa também “channeling”);
  • a Terra não é o único planeta com vida inteligente (pluralidade dos mundos habitados).






Índice

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[editar] História


Os fenômenos mediúnicos são registrados em todas os lugares e épocas da História, desde a Antiguidade, sob diversas formas. Como exemplo refere-se:



  • a prática ancestral de culto aos antepassados, venerando-os ou rendendo-lhes homenagens por meio de diversos rituais;
  • na cultura judaico-cristã encontram-se registrados no Antigo Testamento, nomeadamente a proibição de Moisés à prática da “consulta aos mortos” (evidência da crença judaica nessa possibilidade, uma vez que não se proíbe aquilo que não é praticado)[1], e, no Novo Testamento, a comunicação de Jesus com Moisés e Elias no Monte Tabor (Mt, 17:1-9).
  • na cultura da Grécia Antiga, a crença em que as almas dos mortos habitavam o submundo e que era possível entrar em contacto com eles, cuja referência mais conhecida encontra-se na Odisséia. Ali Homero narra que Odisseu (Ulisses), rei de Ítaca realiza um ritual conforme indicações da feiticeira Circe, logrando conversar com as almas de sua mãe e dos seus companheiros, que haviam soçobrado durante a Guerra de Tróia. Em época posterior, registram-se os comentários de Platão sobre o “dáimon” ou gênio que acompanharia Sócrates.
  • os povos Celtas acreditavam que os espíritos regressavam ao mundo dos vivos em certas ocasiões (“Samhain“), crença essa que se encontra na origem das populares festas de “halloween“.
  • na Idade Média, a persistência popular de crenças em superstições e amuletos para obter protecção.
  • na Idade Moderna, as narrativas sobre fantasmas e assombração de locais, ilustrada, por exemplo, pela peça de teatro Hamlet, em que o dramaturgo inglês William Shakespeare apresenta o fantasma do rei assassinado demandando vingança ao protagonista, seu filho.

Os xamãs dos povos “primitivos” da Ásia e Oceania, também afirmam ter o dom de comunicação com o além. Entre a população nativa americana, apenas o xamã (feiticeiro) tinha o poder de comunicar com os deuses e espíritos, fazendo a mediação entre eles e os mortais. A principal função do xamã era a de assegurar a ajuda do mundo dos espíritos, incluindo o Espírito Supremo, para benefício da comunidade. Tal como os xamãs, os curandeiros na América Latina, são capazes de aceder ao mundo dos espíritos. A actuação a este nível, envolve não só o uso de orações, mas também a consulta de guias espirituais ou espíritos superiores.


Actualmente é comum adotar-se a data de 31 de março de 1848, início do fenómeno das Irmãs Fox, como marco inicial das modernas manifestações mediúnicas, quando se inicia uma fase de manifestações mais ostensivas[2] e freqüentes do que jamais ocorrera, particularmente nos Estados Unidos da América e na Europa[3], o que levou muitos pesquisadores a se debruçarem sobre tais fenômenos.


Entre esses pesquisadores destacou-se o professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, que mais tarde, sob o pseudônimo de Allan Kardec, com base em uma série de relatos psicografados, publicou O Livro dos Espíritos.



[editar] Diversos usos do termo espiritismo



[editar] Espiritismo kardecista



Allan Kardec (1804-1869), o codificador da doutrina espírita.

Allan Kardec (1804-1869), o codificador da doutrina espírita.

A expressão, criada no Brasil, refere-se à Doutrina espírita, codificada por Allan Kardec e, assim como o neologismo “Kardecismo”, é vivamente repudiada por adeptos mais ortodoxos da doutrina[4].


As expressões nasceram da necessidade de alguns em distinguir o “Espiritismo” (como originalmente definido por Kardec) dos cultos afro-brasileiros, como a Umbanda. Estes últimos, discriminados e perseguidos em vários momentos da história recente do Brasil, passaram a se auto-intitular espíritas (em determinado momento com o apoio da Federação Espírita Brasileira[5]), num anseio por legitimar e consolidar este movimento religioso, devido à proximidade existente entre certos conceitos e práticas destas doutrinas. Seguidores mais ortodoxos de Kardec, entretanto, não gostaram de ver a sua prática associada aos cultos afro-brasileiros, surgindo assim o termo “espírita kardecista” para distinguí-los dos que passaram a ser denominados como “espíritas umbandistas”.


Alguns adeptos de Kardec entendem que o espiritismo, como corpo doutrinário, é um só – aquele que foi codificado por Allan Kardec – o que tornaria redundante o uso do termo “espiritismo kardecista”. Assim, ao seguirem estritamente os ensinamentos codificados por Kardec nas obras básicas, sem a interferência de qualquer outra linha de pensamento que não tenha sido a codificada, ou ao menos prevista pelo mesmo, denominam-se simplesmente “espíritas”, sem o complemento “kardecista”. Em complemento, alegam que o espiritismo, em sua essência, não se liga à figura única de um homem, como ocorre com o cristianismo e o budismo, e a uma coletividade de espíritos que manifestaram através de diversos médiuns.


Históricamente, no Brasil, existiram ainda conflitos entre “kardecistas” e “roustainguistas”, consoante a admissão ou não dos postulados da obra “Os Quatro Evangelhos“, de Jean-Baptiste Roustaing, nomeadamente acerca da natureza do corpo de Jesus.




Ver artigo principal: Doutrina espírita


Ver artigo principal: Críticas ao espiritismo


[editar] Cultos afro-brasileiros


No Brasil, o termo “espiritismo” é historicamente utilizado como designação por algumas casas e associações das religiões afro-brasileiras, e seus membros e frequentadores definem-se como “espíritas”. Como exemplo, citam-se a antiga Federação Espírita de Umbanda[6] e as atuais Congregação Espírita Umbandista do Brasil, no estado do Rio de Janeiro, e a Federação Espírita do Brasil, no do Espírito Santo.


No Brasil Império a Constituição de 1824 estabelecia expressamente que a religião oficial do Estado era o Catolicismo[7]. No último quartel do século XIX, com a difusão das ideias e práticas espíritas no país, registraram-se choques não apenas na imprensa, mas também a nível jurídico-policial, nomeadamente em 1881, quando uma comissão de personalidades ligadas à Federação Espírita Brasileira reuniu-se com o Chefe de Polícia da Corte e, subsequentemente, com o próprio Imperador D. Pedro II, e após a Proclamação da República Brasileira, agora em função do Código Penal de 1890, quando Bezerra de Menezes oficiou ao então presidente da República, marechal Deodoro da Fonseca, em defesa dos direitos e da liberdade dos espíritas[8]. Outros momentos de tensão registrar-se-iam na década de 1930, durante o Estado Novo[carece de fontes?], o que levou a que a prática dos cultos afro-brasileiros conhecesse uma espécie de sincretismo sob a designação “espiritismo”, como em época colonial o fizera com o Catolicismo.


Na prática, sintéticamente, as semelhanças entre a prática Umbanda e a Doutrina Espírita são[9]:



  • a comunicação entre os vivos e os mortos, admitindo ambas, por conseguinte, a sobrevivência à morte do chamado “espírito“;
  • a evolução do espírito através de vidas sucessivas (reencarnação);
  • o resgate, pela dor, das faltas cometidas em anteriores existências.
  • a prática da caridade (dar de graça o que recebeu de graça).

Por outro lado, as principais diferenças são a admissão pela Umbanda[10]:





Ver artigo principal: Umbanda

De todas as religiões afro-brasileiras, a mais próxima da Doutrina Espírita é um segmento (linha) da Umbanda denominado de “Umbanda branca”, e que não tem nenhuma ligação com o Candomblé, o Xambá, o Xangô do Recife ou o Batuque. Embora popularmente se acredite que estas últimas sejam um tipo de “espiritismo”, na realidade trata-se de religiões iniciáticas animistas, que não partilham nenhum dos ensinamentos relacionados com a Doutrina Espírita. Entretanto, outros segmentos da Umbanda podem ter algumas semelhanças com a Doutrina Espírita, mas também com o Candomblé por causa da figura dos Orixás.


No tocante específicamente ao Candomblé, crê-se na sobrevivência da alma após a morte física (os Eguns), e na existência de espíritos ancestrais que, caso divinizados (os Orixás, cultuados coletivamente), não materializam; caso não divinizados (os Egungun), materializam em vestes próprias para estarem em contacto com os seus descendentes (os vivos), cantando, falando, dando conselhos e auxilindo espiritualmente a sua comunidade. Observe-se que o conceito de “materialização” no Candomblé, é diferente do de “incorporação” na Umbanda ou na Doutrina Espírita. Em princípio os Orixás só se apresentam nas festas e obrigações para dançar e serem homenageados. Não dão consulta ao público assistente, mas podem eventualmente falar com membros da família ou da casa para deixar algum recado para o filho. O normal é os Orixás se expressarem através do jogo de Ifá (oráculo).


No Candombé, a função dos rituais durante as cerimónias de iniciação é a de afastar todo e qualquer espírito ou influência, recorrendo-se ao Ifá para monitorar a sua presença. A cerimónia só ocorre quando este confirma a ausência de Eguns no ambiente de recolhimento. Os espíritos são cultuados, nas casas de Candomblé, em uma casa em separado, sendo homenageados diariamente uma vez que, como Exú, são considerados protetores da comunidade.




Ver artigo principal: Candomblé


[editar] Racionalismo cristão




Ver artigo principal: Racionalismo cristão

No início do século XX, em Santos (Brasil) surgiu uma doutrina muito semelhante ao Kardecismo, inicialmente denominada “Espiritismo Racional e Científico Cristão”, denominada posteriormente racionalismo cristão, codificada por Luís de Matos.



[editar] Espiritismo ramatisiano




Ver artigo principal: Ramatis

Alguns centros espíritas seguem a doutrina ditada pelo espírito Ramatis (corporificada sobretudo nas obras psicografadas por Hercílio Maes). Distinguem-se dos centros espíritas tradicionais em função da maior ênfase ao universalismo (origem comum das religiões) e ao estudo comparado de religiões e filosofias espiritualistas ocidentais e orientais. Nota-se também a influência mais acentuada de correntes de pensamento orientais (tais como o budismo e o hinduísmo) e a proximidade com a cosmogonia do espiritualismo universalista.



[editar] Conscienciologia




Ver artigo principal: Conscienciologia


Ver artigo principal: Projeciologia

Surgiu em meados da década de 1960, com o fim da parceria entre entre Chico Xavier e Waldo Vieira, quando este último iniciou pesquisa própria com o que denominou projeção da consciência.



[editar] Doutrina espírita e cristianismo




Ver artigo principal: Cristianismo

Os espiritistas (em Portugal) ou espíritas (no Brasil), em sua maioria, afirmam-se cristãos e atribuem à Doutrina Espírita o carácter de uma doutrina cristã. Entretanto, essa associação entre a doutrina espírita e o cristianismo é contestada pelas religiões de matriz judaico-cristã, sob a alegação de que, embora partilhe valores cristãos, por rejeitar determinadas ideias bíblicas e teológicas, isso não a torna “cristã”.


Os adeptos da Doutrina Espírita argumentam, em defesa do seu carácter cristão, o facto de Allan Kardec, das respostas às interrogações que endereçou aos espíritos, ter concluído que a moral cristã, isenta dos dogmas de a ela associados, seria o que de mais próximo a um código de ética, divino e racional, o homem possui. Em “O Livro dos Espíritos”, estes respondem a Kardec que Jesus Cristo é “…o Espírito mais perfeito que Deus ofereceu aos homens para servir-lhes de modelo e guia” (“O Livro dos Espíritos”, Questão 625)[11]. Num estudo sobre a natureza de Cristo, Kardec nega que Cristo seja Deus (“Obras Póstumas, 13ª ed., p. 121).


Deste modo, a principal diferença entre os cristãos tradicionais (que seguem os dogmas das respectivas Igrejas) e os seguidores da Doutrina Espírita, está no fato de os últimos não considerarem Jesus Cristo como Deus, mas sim como um espírito de luz, extremamente evoluído, cuja encarnação teve o objetivo de trazer ensinamentos morais à humanidade. Da mesma forma que Jesus, existem muitos outros espíritos evoluídos que se preocupam com o desenvolvimento humano, sendo que cada espírito (indivídualidade) pode evoluir através de sucessivas encarnações, até se tornar, no futuro, tão evoluído como o próprio Cristo. [12].


A Profª Dora Incontri, pós-doutorada pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, também defende o caráter cristão da doutrina espírita, apontando, na proposta estruturada por Allan Kardec, um novo modelo de religião, alheio a dogmas, fórmulas, hierarquias sacerdotais e baseado eminentemente no aspecto ético-moral do indivíduo. Considera ainda Jean-Jacques Rousseau e Johann Heinrich Pestalozzi como os dois grandes percursores da idéia de uma “religiosidade natural”, predominantemente moral, e defende que “evidenciou-se com a publicação de “O Evangelho segundo o Espiritismo” e de “O Céu e o Inferno” que, embora não o confessasse, ele [Kardec] estava fazendo uma nova leitura do Cristianismo”. (Pedagogia Espírita: um projeto brasileiro e suas raízes histórico-filosóficas. São Paulo: Feusp, 2001. p. 74)


Um estudioso da religiosidade brasileira mais céptico, o Prof. António Flávio Pierucci, do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo, procura demonstrar que o espiritismo (doutrina espírita) não é uma religião cristã, afirmando que os espíritas utilizam o cristianismo para se legitimarem. Pierucci defende também que o vínculo com a Igreja Católica, defendido pelos espíritas serviu, durante décadas, para lutar contra a discriminação e a intolerância (O Desencantamento do Mundo: Todos os Passos do Conceito, São Paulo: Editora 34, 2003.). Esta interpretação entretanto carece de fundamentação histórica já que o espiritismo nunca criou vínculo com a Igreja Católica.



[editar] O Conceito da Bíblia


As religiões de matriz judaico-cristãs entendem que, com a Lei dada a Moisés no Antigo Testamento, Deus interditou à Antiga Israel as comunicações com o mundo dos espíritos e o uso de poderes sobrenaturais por eles concedidos. “… não haverá no meio de ti ninguém que faça passar pelo fogo seu filho ou sua filha, que interrogue os oráculos, pratique adivinhação, magia, encantamentos, enfeitiçamentos, recorra à adivinhação ou consulte os mortos (necromancia)” (Deutornóminos 18:10-14). Afirmam ainda que essa proibição é confirmada no Novo Testamento, através das referências contidas nos Evangelhos e no livro de Actos aos “espíritos impuros”. A citação do apóstolo Paulo em Gálatas 5:20, afirma que quem pratica “feitiçaria” (ou bruxaria, o termo grego usado é farmakía) … não herdará o Reino de Deus”. (Na Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, o termo é vertido por “espiritismo”. Mas esta aplicação da palavra não se refere especificamente à doutrina espírita). É comum encontrar referências ao uso do termo espiritismo para denominar outras doutrinas e cultos que não sejam aquela codificada por Allan Kardec (Ver o item Diversos usos do termo espiritismo deste artigo para exemplos).


Já para a doutrina espírita, a Bíblia não condena a prática mediúnica em si, pois esta seria fundamentada em um fenómeno natural, e sim o uso dos recursos mediúnicos para finalidades frívolas. No Novo Testamento (Mateus 17:3-4) Pedro vê Elias e Moisés conversando com o Mestre, encarando a situação de forma natural.


A necromancia envolvia retirada de restos mortais, dos locais onde estavam sepultados, para invocar-se o espírito e fazer interrogatório.


A doutrina espírita não pratica necromancia. Faz uso de comunicação livre, manifesta-se o espírito que tiver necessidade, através de médium que se dispõe a recebê-lo.


Pela forte ligação do espiritismo com a ciência, muitos espíritas acreditam que a Biblia é um livro mitológico, contendo a transcrição da história, ritos, lendas e tradição do povo judeu e dos primeiros cristãos que primitivamente eram transmitidas apenas oralmente. Assim, ao contrário dos cristãos tradicionais, existiria a crença de que a Bíblia não seria a palavra de Deus nem traria o pensamento e idéias divinas, não se fazendo necessário assim segui-la como se fosse a Lei e a verdade absoluta do universo. Essa idéia fundamenta-se nos estudos históricos que apontam a manipulação e uso político da Bíblia, como no Concílio de Nicéia (325), onde o Imperador Constantino escolheu dentre dezenas de evangelhos disponíveis nas primitivas comunidades cristãs, aqueles que mais lhe convinham para a unificação e disseminação do cristinanismo[13].



[editar] O diálogo com as religiões cristãs


A posição oficial da Igreja Católica proíbe terminantemente os seus fiéis assistir a sessões mediúnicas realizadas ou não com auxílio de médiuns espíritas – mesmo que estes pareçam ser honestos ou piedosos – quer interrogando os espíritos e ouvindo suas respostas, quer assistindo por mera curiosidade. Posições similares têm as demais religiões cristãs.


No entanto, a Igreja não nega a possibilidade física de comunicação com entidades espirituais. Em pesquisas recentes, sob a tutela do Papa João Paulo II, o Padre François Brune, que publicou o livro Os Mortos nos Falam, defende a realidade das comunicações com os espíritos. Além disso, principalmente no Brasil, é possível observar uma maior tolerância por parte de muitos leigos católicos às práticas mediúnicas.


Atualmente muitas comunidades evangélicas procuram manter uma postura respeitosa com relação ao espiritismo, mesmo que discordem de suas práticas, por reconhecer nos trabalhos sociais desenvolvidos pelas casas espíritas uma atividade séria e comprometida. Além disso, algumas denominações empenham-se na realização de cultos ecumênicos, ou, para as que não atribuem ao espiritismo um caráter cristão, no diálogo inter-religioso.



[editar] Fenómenos espíritas e a ciência


A investigação dos fatos e causas do fenómeno mediúnico é objecto de estudo pela Pesquisa Psíquica, ramo da parapsicologia (substituindo a metapsíquica). Seu primeiro interesse é o de verificar a ocorrência dos aludidos factos, mediante o uso de metodologia própria, que inclui a estatística e o chamado teste duplo-cego. Faz-se investigação científica [14] também em âmbito universitário, mas os resultados obtidos até o momento não permitem a conclusão científica da existência de espíritos[15].


Para além dos aspectos doutrinais, existe uma diversidade de práticas que vêm suscitando uma crescente curiosidade dos pesquisadores da área – a ectoplasmia, psicoquinesia, levitação, telepatia, clarividência, clariaudiência, pré-cognição via onírica (sonhos), psicografia, psicopictografia, medicina e cirurgia mediúnica, radiestesia e rabdomancia.


Kardec, no preâmbulo de “O Que É o Espiritismo?“, afirma que ele “é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal“. Dentro dessa perspectiva, Kardec teria fundado o que naquele momento se chamou de “ciência espírita”[16], tendo como objecto de estudo o espírito e adotando uma postura teórico-metodológica própria, ou seja, não baseada no método científico [17]. Na “Revue Spirite“, que publicou até à sua morte, Kardec analisa vários relatos de fenômenos aparentemente mediúnicos ou sobrenaturais, oriundos de diversas partes do mundo. Esmerava-se por distinguir os acontecimentos que considerava verossímeis de charlatanismo e da simples imaginação superexcitada pela .



[editar] Tratamentos espirituais




Ver artigo principal: Tratamento espiritual


[editar] Cirurgia espiritual


Actualmente, o termo “cirurgia espiritual” é associado a uma prática onde uma suposta entidade espiritual, com ou sem a incorporação num médium hospedeiro, e sem cortes, executariam cirurgias buscando a reabilitação do enfermo. Existem relatos anedóticos de sucesso na cura em grande número de casos, gerando algum confronto com os conhecimentos actuais da ciência, mas não há nenhuma demonstração científica dessas curas que não seja explicada por outros mecanismos, como o efeito placebo. O caso do médium João Teixeira de Faria que executa as suas “cirurgias” na Casa de Dom Inácio de Loyola é para alguns um exemplos actual de “cirurgia espiritual”.


Porém, o Conselho Federal de Medicina e a comunidade científica de modo geral, alertam que esse tipo de cirurgia não deve ser feita em substituição da medicina tradicional, principalmente em casos graves. Se alguém convencer um paciente de que esse método é eficaz, no Brasil este pode ser enquadrado na lei por charlatanismo, principalmente se a “cirurgia espiritual” for cobrada ou causar algum dano no paciente por negligência de socorro, podendo pagar multas e ser condenado a até 1 ano de prisão (ver, a título de exemplo, o ocorrido com o Rubens Farias Jr., que culminou com a morte de uma menina, por leucemia, em 1998).


Apesar de o espiritismo não negar a sua eficácia, a prática de cirurgias espirituais por intermédio de médiuns não é abordada na Codificação espírita.



[editar] Cronologia



Ilustração de levitação do médium Daniel Dunglas Home (1852).

Ilustração de levitação do médium Daniel Dunglas Home (1852).


Materialização de um rosto, pela médium Eva Carrière (1912).

Materialização de um rosto, pela médium Eva Carrière (1912).


[editar] Século XVI




[editar] Século XVII




[editar] Século XVIII




[editar] Século XIX




[editar] Século XX




Notas




  1. Entre ti não se achará quem faça passar pelo fogo a seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; / Nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos; / Pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao SENHOR; e por estas abominações o SENHOR teu Deus os lança fora de diante de ti. (Deuteronômio 18:10-12)
  2. Principalmente de ruídos estranhos, pancadas em móveis e objetos que se moviam ou flutuavam sem nenhuma causa aparente.
  3. Na Ásia, nesse período, com o surgimento do Caodaísmo.
  4. Ver, por exemplo, LOPE, Wladisney. Porque não sou Espírita Kardecista. in: Revista Internacional de Espiritismo. disponível em Íntegra do artigo.
  5. Ver: Triste episódio ocorrido em 1953 Consultado em 14 de Junho de 2008.
  6. Organizadora do I Congresso Brasileiro de Umbanda. Anais disponíveis para download em: [1] Consultado em: 8 de Junho de 2008.
  7. Conforme o seu Art. 5, que estipulava: “A Religião Catholica Apostolica Romana continuará a ser a Religião do Imperio. Todas as outras Religiões serão permitidas com seu culto domestico, ou particular em casas para isso destinadas, sem fórma alguma exterior do Templo.” In: Constituição Política do Império do Brazil Consultada em 13 de Julho de 2008.
  8. Este Código foi promulgado pelo Decreto nº 22.213, de 14 de Dezembro de 1890, mas só entrou em vigor seis meses após a sua publicação. Os seus artigos nrs. 157 e 158 proibiam expressamente “praticar o Espiritismo” e “inculcar curas de moléstias curáveis ou incuráveis“, o que afetava diretamente as atividades das sociedades espíritas, cuja prática de receituário mediúnico homeopático era muito difundida à época.
  9. CARNEIRO, 1996:21.
  10. Op. cit., p. 21-22.
  11. Ver ainda: Federação Espírita Brasileira. Conheça o Espiritismo. Acessado em 6 de Dezembro de 2007.
  12. Kardecismo.com: Doutrina Espírita Online. www.kardecismo.com. Acessado em 03/03/2008.
  13. Kardecismo.com: Doutrina Espírita Online. Pergunta: Os Espíritas Acreditam na Bíblia?. Acessado em 03/03/2008.
  14. Enquanto as investigações científicas convencionais utilizam o método científico dedutivo, no espiritismo é mais comum o uso do método científico hipotético-dedutivo. Enquanto no primeiro método busca-se provar totalmente a hipótese, no segundo busca-se por evidências empíricas que vão de encontro à hipótese. Outro método utilizado no espiritismo é o fenomenológico, criado por Edmund Husserl.
  15. O fenomenologista Edmund Husserl declara que a realidade mental e espiritual possui uma realidade própria, independente de qualquer base física e que a ciência do espírito deve ser estabelecida sobre um fundamento tão científico como aquele alcançado pelas ciências naturais.
  16. Atualmente existem estudiosos espíritas no Brasil que preferem denominar como fenomenologia espírita o estudo e as pesquisas que se referem aos fenômenos do espírito e da mente humana
  17. Existem áreas do Conhecimento em que os métodos científicos tradicionais não podem ser aplicados, como exemplo, pode-se citar a Filosofia


[editar] Bibliografia



  • CARNEIRO, Victor Ribas. ABC do Espiritismo (5a. ed.). Curitiba (PR): Federação Espírita do Paraná, 1996. 223p. ISBN 85-7365-001-X
  • LANTIER, Jacques. O Espiritismo. Lisboa: Edições 70, 1980. 196p.
  • RIZZINI, Jorge. J. Herculano Pires, o apóstolo de Kardec. São Paulo: Paideia, 2000. 282p. ISBN 0000035491

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