O que significa rickettsiose?

 

Rickettsiose










Os antibióticos são a principal arma no combate à rickettsiose, mas o tratamento sintomatológico é indispensável para aliviar o doente.
Rickettsiose é o termo utilizado para designar as diversas doenças infecciosas transmitidas por artrópodes e provocadas por micróbios denominados rickéttsias, intermediários entre os vírus e as bactérias. Essas doenças são também chamadas febres tifo-exantemáticas, pois se caracterizam por febre, perturbações nervosas e certo grau de erupção cutânea.
As rickéttsias foram descritas pela primeira vez em 1916 pelo cientista brasileiro Henrique da Rocha Lima, e assim chamadas em homenagem ao pesquisador americano Howard Ricketts, especializado nessas infecções e vitimado por uma delas. O modo de transmissão da rickettsiose é característico: ocorre em geral por meio de um artrópode, por dejetos e poeiras contaminadas. Alguns autores dividem as rickettsioses em dois grandes grupos: o das cosmopolitas, transmitidas por dejetos de insetos sugadores; e as regionais, que têm os ácaros como vetores. Na maioria das vezes, porém, a classificação se faz com base nos sintomas e na distribuição geográfica.



Principais rickettsioses. Entre as infecções provocadas por rickéttsias, uma das mais conhecidas é o tifo exantemático, também denominado tifo europeu. Henrique da Rocha Lima isolou pela primeira vez o agente causador da doença, ao qual denominou Rickettsia prowazeki — em mais uma homenagem, desta vez ao pesquisador austríaco Von Prowazek, vítima do germe depois de experiências em laboratório. Os sintomas do tifo exantemático, doença grave que pode perdurar por duas ou três semanas, são febre alta, forte dor de cabeça e erupção por todo o corpo. O mal é transmitido pelo piolho e tem caráter epidêmico.
Os mesmos sintomas, muito atenuados, caracterizam o tifo murino, infecção que ocorre em ratos e destes passa para o homem por meio da pulga. A R. mooseri, agente causador, foi descrita pela primeira vez em São Paulo por José Lemos Monteiro da Silva, em 1931. O mesmo cientista pesquisou outra rickettsiose que ocorre em São Paulo, transmitida por carrapatos e que tem como agente a R. rickettsii, denominada tifo exantemático de São Paulo. Em Minas Gerais, Otávio de Magalhães identificou a mesma infecção, que chamou de tifo exantemático neurotrópico do Brasil. Essa rickettsiose, também identificada no Rio de Janeiro, é idêntica à que ocorre nos Estados Unidos, denominada febre maculosa das montanhas Rochosas e em outros países americanos e do Mediterrâneo. É doença gravíssima, com sintomas mais acentuados que os das outras rickettsioses.
A rickettsiose encontrada no Japão é transmitida por acarídeos e, assim como seu agente, denomina-se tsutsugamuchi. Apresenta evolução benigna e tem limitada distribuição geográfica, ao contrário da febre Q (de Queensland, Austrália), freqüente em todo o mundo menos na América do Sul. Transmitida por carrapatos ou pelo contato com bovinos infectados ou carne e leite crus, a febre Q é causada pela Coxiella burnetti, ou R. burnetti, e sua sintomatologia é bem específica: não apresenta erupção cutânea, mas provoca, além de febre alta e dor de cabeça, dores no corpo, calafrios e sinais de pneumonia, sendo ocasionalmente confundida com a gripe. A rickettsiose vesicular grassa por surtos epidêmicos em grandes edifícios de apartamentos, transmitida por ratos que vivem nas lixeiras.
O diagnóstico das rickettsioses é confirmado em laboratório por uma reação denominada de Weil e Félix, que só não se aplica à febre Q. Em caso positivo, o soro sangüíneo do doente aglutina, em tubos apropriados, bactérias denominadas Proteus~X 19. Como profilaxia em todos os casos, com exceção da febre Q, utilizam-se vacinas preparadas com rickéttsias obtidas pela proliferação em ovos embrionados, de acordo com técnica elaborada pelo cientista Herald Cox. Usam-se ainda inseticidas contra os agentes transmissores.


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