Origem da fiat uno

Fiat Uno é um automóvel fabricado pela italiana FIAT, apresentado pela primeira vez no Cabo Canaveral, Flórida (EUA), palco escolhido para apresentar à imprensa em 20 de janeiro de 1983 seu primeiro carro mundial, idealizado para substituir o 127 (147 no Brasil). Seu nome já não é mais usado no Brasil, tendo sido substituído pelo nome “Mille” em 1998, EXCETO na versão Furgão, que continua hoje (2007, Mod. 2008) como Uno Fire Flex (Furgão).Criação


Necessário diante do envelhecimento de seu antecessor, lançado em 1971, o Uno chegava para combater a invasão japonesa em seu segmento de carros pequenos. O projeto começou no final dos anos 70 com dois estudos, o 143 desenhado pela equipe de Pier Giorgio Tronville, do Centro Stile Fiat e o 144 pela Italdesign de Giorgio Giugiaro.


É um carro de conceito simples e moderno, com motor transversal, tração dianteira e suspensão McPherson com mola helicoidal à frente. Na traseira era usado eixo de torção, também com mola helicoidal. Eleito Carro do Ano na Europa por um juri de 53 jornalistas no mesmo ano de seu lançamento, logo ganhou novas versões. Já em maio vinha o motor a diesel de 1,3 litro e 45 cv; em outubro era apresentada a versão conceitual Uno-matic 70, com transmissão de variação contínua (CVT), que se tornaria disponível apenas em 1987 no Uno Selecta.


Em abril de 1985 nascia o Uno Turbo i.e., em que o motor de 1,3 litro (1.299 cm3, e que mais tarde teria um motor de 1.301 cm3) recebia turbocompressor e injeção eletrônica, gerando 105 cv. Foi oferecido com painel digital e freios a disco nas quatro rodas. Em junho aparecia o motor Fire, de produção totalmente automatizada, com 1,0 litro (999 cm3 e 45 cv) — um parente do que agora existe no Brasil atualmente. No ano seguinte era lançado o Uno 70 Turbodiesel, com motor de 1.367 cm3 e acabamento externo similar ao do Turbo i.e. O diesel de aspiração natural era oferecido com 1,7 litro (1.697 cm3 e 58 cv).


Em 1987 o Turbo i.e. ganhava catalisador e, um ano depois, freios com sistema antitravamento (ABS em inglês: Anti Block Sistem). Surgiu também um 75 i.e., com 1,5 litro (1.498 cm3, injeção e 75 cv). Em setembro de 1989 o Uno recebia ampla reestilização, com um capô em cunha acentuada, faróis de perfil mais baixo, tampa traseira mais saliente e arredondada e novas lanternas. O Cx baixava para 0,30 e o interior trazia painel mais moderno e ganhos em acabamento e qualidade de construção.


Os motores agora eram o antigo 903, os Fires de 1,0 litro e 1,1 litro (999 e 1.108 cm3 este de 56 cv), um 1,4 litro (1.372 de 71 cv) e o conhecido 1,5 litro (1.498cm3). O Turbo i.e. passava a 1.372 cm3 e 118 cv e os diesels permaneciam, com a adição de um de aspiração natural de 1,9 litro (1.929 cm3 e 60 cv) no ano seguinte. Esse Uno teve numerosas versões e séries especiais, como Suite (com bancos de couro e ar-condicionado), Hobby, Rap, Rap Up, Formula, Estivale, Cosy, Seaside, Targa e Brio. O mais rápido era o Turbo i.e. Racing, de 1992, com teto solar, bancos ajustáveis em altura, pneus 175/60 e aceleração de 0 a 100 km/h em 8,4 s com velocidade maxima de 194 km/h.


A produção italiana do Uno foi encerrada em 1995, dois anos após o lançamento do Punto, com um total de 6.032.911 unidades fabricadas. Mas permanecia na Polônia, com motores de 999 cm3 (45 cv), 1.372 cm3 (69 cv) e diesel de 1.697 cm3, que se somaram em 2000 ao de 899 cm3 e apenas 39 cv. Também continuavam em produção o três-volumes Duna (Prêmio) na Argentina, com motor 1.297 de 72 cv, e o Uno no Brasil.



 No Brasil


A produção no Brasil inicia em agosto de 1984, na fábrica de Betim em Minas Gerais, 8 anos após o 147. De início apenas com três portas, mantinha as linhas do modelo italiano, mas com uma importante diferença: o capô envolvia parte dos pára-lamas, o que permitia a acomodação do estepe no compartimento do motor como no 147, de maneira a ampliar o porta-malas e evitar o incômodo de ter de descarregá-lo.


Por conta da localização do estepe, a entrada de ar para a cabine precisou ser deslocada do centro, como no original italiano, para a direita, em zona de menor pressão aerodinâmica. Assim, aeração interna acabou não sendo o forte da versão brasileira, devido à menor captação de ar.


Mesmo assim o Uno representava enorme evolução sobre o retilíneo 147, a começar pela redução do Cx de 0,50 para apenas 0,36 — pior que na Europa, pois o o modelo brasileiro era 15 mm mais alto –, passando pelo conforto de rodagem, segurança ativa e passiva, visibilidade e posição de dirigir, em que o volante assumia posição mais “normal”, menos horizontal. No entanto foi, de início, rejeitado por muitos, que lhe atribuíram o apelido de “botinha ortopédica” em função do formato da carroceria bem diferente do que existia até então. O limpador de pára-brisa único, curioso já na época, permanece até hoje sem similares em carros nacionais.


Outras alterações do projeto original, de ordem mecânica, previam melhor adaptação do carro às condições nacionais de rodagem, além do aproveitamento de componentes do 147. Deste vinham os motores de 1.048 cm3 a gasolina (52 cv, 7,8 m.kgf), para a versão S, e de 1.297 cm3 a gasolina (58,2 cv, 10 m.kgf) e a álcool (59,7 cv, 10 m.kgf), para as versões S e CS. Com desempenho razoável (velocidade máxima entre 140 e 150 km/h), tinham na economia de combustível seu destaque.


O Uno brasileiro também herdava de seu antecessor a suspensão traseira independente McPherson, com feixe de molas transversal atendendo os dois lados da suspensão. A Fiat dizia ter constatado em testes que os amortecedores do italiano não duravam mais que 5.000 km sob uso intensivo, optando por trocar toda a suspensão. E foi ela a responsável pela mudança no capô que permitiu o estepe no compartimento do motor: não havia espaço para a roda-reserva e sua caixa sob o porta-malas, como entre os braços do eixo de torção do italiano.


Se com a nova suspensão o Uno ganhava em robustez, por outro lado perdia em conforto de marcha e continuava, como no 147, a exigir alinhamento periódico das rodas traseiras, sob pena de desgaste prematuro dos pneus e prejuízo à estabilidade. Outra característica desta suspensão era a tendência de tornar a cambagem mais negativa (rodas mais afastadas no ponto de contato com o solo) à medida em que o feixe de molas cedia, por acréscimo de carga ou tempo de uso. Tudo isso seria abandonado no Palio, que passaria ao eixo de torção como no Uno italiano.


A produção do Uno trazia um avanço em relação à do 147. Em vez de 470 operações de prensa para construir a carroceria monobloco, agora eram apenas 270, redução expressiva que significava também menos soldas, aumentando a resistência do conjunto.



 Uno Mille


Lançado na década de 90 tornou-se o primeiro automóvel dito “popular”, nova categoria de veículos que tinha impostos reduzidos e capacidade volumétrica até 1000 cilindradas, baseado em uma versão simplificada do Fiat Uno.


Pela antecipação à concorrência em vários meses, tornou-se um modelo de grande aceitação junto ao público brasileiro e a versão mais vendida e de maior sucesso deste automóvel junto ao público.


Esta primeira versão, que foi seguida por muitas outras, trazia motor de 996cm3 (Fiasa), carburador de corpo simples, sem retrovisor do lado direito, servofreio e encostos de cabeça e câmbio de 4 marchas.



 Linha do tempo


1984 – Início produção em Outubro como modelo 1985, nas versões: S (Super), com motor 1050 e 4 marchas, CS (Confort Super), SX (Sport Experimental), ambos com motor 1.3 e câmbio de 5 marchas opcional (herdados do Fiat 147)
1985 – Início Prêmio CS 1.5 (sevel),versão três volumes do Uno
1985 – Início Prêmio S 1.3 (Fiasa)
1985 – Uno é eleito o “Carro do Ano” pela revista Auto Esporte.
1985 – Fim do motor 1050
1986 – Fim do SX 1.3
1986 – Início Elba nas versões S 1.3 (Fiasa)e CS 1.5 (Sevel)
1986 – Todas as versões com câmbio 5 marchas de série
1987 – 1.5R álcool (86 cv)
1987 – Prêmio nas versões S 1.3 (Fiasa), CS 1.5 (Sevel) e CSL 1.6(Sevel)
1988 – Início da Fiorino 1.5(Fiasa), Furgão e Pick-UP(82 cv)
1988 – Prêmio em versão 4 portas (CSL 1.6)
1989 – 1.5R (Sevel) gasolina
1989 – Uno CSL 1.6 (Sevel)4 portas
1989 – Elba CSL 1.6 (Sevel)4 portas
1989 – Prêmio CSL com motor 1.6 (Sevel), Painel de Instrumentos e volante diferenciados do restante da linha
1989 – Uno CS com nova frente (opcional).
1990 – Início do Uno Mille (48 cv), com motor de 996cm3 (Fiasa), carburador de corpo simples, sem retrovisor do lado direito, servofreio e encostos de cabeça e 4 marchas (todos Opcionais)
1990 – 1.6R (Sevel) álcool e gasolina (88 e 84 cv)
1991 – Modificação estética, nova frente antes opcional do Uno CS para toda linha, EXCETO Uno Mille
1991 – Uno Mille Brio, com carburação de corpo duplo (54 cv), 5 marchas e interior mais confortável (produzido entre junho e dezembro)
1991 – Motorização 1.5 substituindo 1.3 (Fiasa). Fim da importação dos motores Sevel 1.5 da Argentina
1991 – Uno Furgão, com a parte traseira fechada para cargas e motor 1.5 (Fiasa)
1992 – Injeção eletrônica nas versões S e CS (opcional). Eleito o “Carro do Ano” pela revista Auto Esporte.
1993 – Mille Eletronic – ignição digital substituindo o platinado e opção de quatro portas e ar condicionado. Fim da nomenclatura “Uno” na versão.
1993 – Uno 1.6R MPI
1993 – Fim do Uno 1.6 CSL
1993 – Fiorino 1000 (Pick-up/Furgão), com o mesmo acabamento e mecânica do Mille Eletronic
1994 – Mille ELX, com novo painel(semelhante ao 1.6R MPI), frente “baixa” e Ignição Mapeada. O novo painel de instrumentos se estende ao Uno CS, Elba CS,CSL e Top e Prêmio CS.
1994 – Uno Turbo i.e. 1.4 com 118 cv (maio) – 1801 unidades produzidas
1994 – Elba TOP, com motor 1.6 e injeção LE-Jetronic Bosch
1994 – Uno 1.6R MPI e algumas versões de Uno, Prêmio e Elba com novo câmbio (Trambulador em cima)
1994 – Uno S, CS e Furgão com Injeção Eletrônica de série Magnetti Marelli (G7)(Alcool e Gasolina)
1994 – Fiorino 1.5 i.e. (Furgão e Pick-Up)
1994 – 1.6 MPI, importado da Argentina
1994 – Fim da produção local do Prêmio (setembro)
1995 – Pick-up Trekking 1.5 i.e. (Magnetti Marelli G7)
1995 – Fim da Fiorino 1000
1995 – Fim da Injeção eletrônica Magnetti Marelli (G7)Alcool
1995 – Mille EP 1.0 com injeção eletrônica Magnetti Marelli (G7)e novo câmbio(julho)
1995 – Mille Eletronic passa a se chamar Mille i.e., e ganha nova frente “baixa”
1995 – Elba 1.6 i.e. com injeção monoponto LE-Jetronic Bosch
1995 – Prêmio passa a se chamar Duna e é importado da Argentina, exclusivamente com motor 1.6
1996 – Fim dos Uno 1.5, 1.6 e Turbo (EXCETO FURGÃO) (abril)
1996 – Fim da produção da Elba
1996 – Fim da importação da Argentina do Prêmio (DUNA)
1997 – Mille SX
1997 – Mille SX Young, com acabamento diferenciado (painel cinza com mostradores brancos, para-choques cinza e adesivos laterais)
1997 – Fiorino e Uno Furgão 1.5 MPI (Fiasa)
1998 – Mille EX
2000 – Mille Smart, painel cinza com mostradores brancos, nova grade (inspirada na linha Brava/Marea)
2001 – Mille com motor Fire (55 cv) substituindo o antigo motor Fiasa, retrovisores e coluna de direção do Palio
2001 – Mille com motor FIASA 1.0 MPI alcool
2001 – Uno Furgão e Fiorino mantem o motor 1.5 MPI Gasolina
2002 – Fim da Fiorino Pick-Up, substituído pela Pick-Up Strada (linha Palio)
2003 – Fim do Mille 1.0 Alcool (Abril)
2004 – Reestilização na frente (novos faróis e grades) e na traseira (novos faróis e placa incorporada ao parachoque) – a maior já sofrida pelo modelo, já como modelo 2005. (fevereiro)
2004 – Fiorino muda a frente, mas mantém traseira inalterada (Abril)
2004 – Uno Furgão e Fiorino recebem motor 1.3 Fire gasolina, encerrando a produção do motor 1.5 Fiasa (Abril)
2005 – Motor Fire 1.0 Flex, 65 cv gasolina ou 66 cv álcool, e leve reestilização na grade dianteira e nos para-choques (março)
2005 – Uno Furgão e Fiorino recebem Motor Fire Flex 1.3
2006 – Kit Way, suspensão elevada em 44 milímetros, molduras nos pára-lamas, revestimento em preto das colunas centrais, pneus 175x70R13 e vão das rodas pintados de preto (março)
2007 – Mudanças no interior tais como: bancos dianteiros com nova espuma, nova alavanca de câmbio com inibidor de ré e coifa em couro, espelho de cortesia lado passageiro, alça de segurança dianteira lado passageiro, nova luz de cortesia (com interruptor na porta do lado do motorista) e recobrimento total do porta-malas, lançado em Maio como modelo 2008

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