Os karajá (ou carajá)

Os Karajá (ou carajá) são um grupo indígena que falam uma língua alocada ao tronco linguístico Macro-Jê, que também inclui as famílias Jê e Maxakali. Os Karajá habitam a região do rio Araguaia desde que deles se tem notícia.

Dividem-se em três subgrupos que também correspondem aos três dialetos por eles falados: Os Karajá propriamente ditos, os Javaé e os Xambioá (Por vezes referidos como Karajá do Norte). Eles se auto-denominam inã, que é um termo comum aos três sub-grupos. Algumas classficações consideram os Javaé como um grupo distinto, embora eles partilhes a mesma cultura e a mesma vida ritual dos Karajá e xambioá, apenas se distinguindo por alguns detalhes.


Habitam tradicionalmente as margens do rio Araguaia, a partir da cidade de Aruanã no estado de Goiás, a Ilha do Bananal, onde se concentra o maior número de aldeias, até as aldeias Xambioá, já no estado de Tocantins, próximos do município de Santa Fé do Araguaia.


Viveram tradicionalmente da agricultura, da caça de animais da região (caititu, anta) e principalmente da pesca. Atualmente devido à pressão da colonização brasileira e da criação de uma dependência quanto aos bens dos não-índios, acabam por comercializar uma parte dos produtos da pesca, artesanato, etre outras atividads comerciais.


A vida social Karajá é baseada na família extensa, em que o homem passa a residir na casa de sua esposa após o casamento (prática conhecida em antropologia como casamento uxorilocal). Os casamentos são proibidos entre parentes próximos até os primos de primeiro grau. A partir do segundo grau, o casamento entre primos é não apenas permitido como desejado, para manter a união da família.


A aldeia karajá é formada por uma ou mais fileira de casas residencias ao longo do rio e, afastada delas e voltada par a mata, uma casa conhecida como “Idjassó Hetô”, ou “Casa de Aruanã”. Pode também ser chamada de casa dos homens. Esta casa afastada é o centro da vida ritual.


O calendário ritual dos Karajá intensifica-se com a cheia do rio Araguaia (entre dezembro e fevereiro). Pode ser dividido em dois grandes ciclos rituais, o Hetôhokã, ou Festa da Casa Grande, quando se admitirá os rapazes à Casa do Homens, e o Idjassó Anarakã, ou Dança dos Aruanãs, que os coloca em contato com entidades espirituais que povoam o cosmo.


Os Karajá concebem o universo como formado por três camadas: um mundo subaquático de onde surgiu a humanidade e onde habitam os Idjassó,entidades protetoras e antepassados míticos dos Karajá; o mundo terrestre, visível a qualquer um e morada dos atuais Karajá; e o mundo das chuvas, onde moram entidades podersas e dstino das almas dos xamãs. A comunicação com esse mundo cósmico é assegurada pela existência do xamã, cuja atuação é reconhecida sempre como ambígua: traz as curas e as entidades, mas pode trazer a doença e a morte.

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