Panda gigante uma espécie ameaçada

O panda-gigante (Ailuropoda melanoleuca) é um mamífero da família dos ursídeos, endêmico da República Popular da China. O focinho curto lembrando um urso de pelúcia (peluche), a pelagem preta e branca característica e o jeito pacífico e bonachão o tornam um dos animais mais queridos pela humanidade. Extremamente dócil e tímido, dificilmente ataca o homem, a não ser quando extremamente irritado. Da xiong mao (大熊猫), o nome em chinês para o panda, significa grande urso-gato. Pode ser chamado também de huaxiong (urso de faixa), maoxiong (urso felino) ou xiongmao (gato ursino). Registros históricos de 3000 anos (“O Livro de História e o Livro de Canções”, a coleção mais antiga da poesia chinesa), o mencionam sob o nome de pi e pixiu. O nome em latim Ailuropoda melanoleuca quer dizer pé de gato preto e branco. A palavra panda significa algo parecido com “comedor de bambu“.



Classificação


O panda (Ailuropoda melanoleuca), também conhecido por urso-panda ou panda-gigante, é um mamífero da ordem Carnivora, família Ursidae e nativo da China central. Por muito tempo, junto ao panda-vermelho, foi incluído na família dos procionídeos, a mesma dos guaxinins. Testes genéticos recentes o recolocaram na família dos ursos, sendo seu parente mais próximo, o urso-de-óculos, da América do Sul.


Existem duas subespécies de panda:



  • Ailuropoda melanoleuca melanoleuca – encontrada nas regiões montanhosas de Sichuan.
  • Ailuropoda melanoleuca qinlingensis – encontrada nas Montanhas Qinling em Shaanxi.

A primeira tentativa de classificação, por Armand David, pôs o panda sob o gênero Ursus, chamando-o de Ursus melanoleucus em 1869. Em 1870, Alphonse Milne-Edwards batizou com o nome atual.


Os pandas se separaram do ramo principal dos ursos cerca de 15 a 18 milhões de anos atrás, conforme análise comparativa de DNA. A essa época o Ursavus, ou urso da alvorada, habitava a Europa subtropical. Fósseis mostram que o panda viveu em ambientes e regiões diferentes das que está acostumado atualmente. Registros fósseis também mostram uma segunda espécie, o Ailuropoda minor, que tinha metade do tamanho do panda moderno.


Um trabalho publicado em 2002, mostra, através de estudos de seu genoma, que o panda enfrentou um efeito de gargalo há 43.000 anos. Efeito de gargalo é um evento em que a população de uma espécie é quase dizimada e seus exemplares atuais descendem de um grupo pequeno de sobreviventes.



 Distribuição


O primeiro registro evolucionário do panda encontra-se entre o final do Plioceno e o começo do Pleistoceno. Fósseis foram encontrados na Myanmar, no Vietnã e na porção oriental do China, alcançando até Beijing ao norte. Hoje em dia só são encontrados no sudoeste da China.


O panda habita as serras de Minshan, Qinling, Qionglai, Liangshan, Daxiangling e Xiaoxiangling. São montanhas cobertas por floresta úmida de coníferas, habitat ideal para a espécie de bambu da qual se alimenta. São consideradas um dos mais ricos ecossistemas de clima temperado do planeta. As alturas em que o panda se distribui variam entre 1.200 m e 3.400 m.



 Aparência


Exteriormente, o panda assemelha-se a um urso de coloração contrastante. O panda de Sichuan apresenta a conhecida pelagem preta e branca, enquanto a subespécie de Qingling tem a pelagem em dois tons contrastantes de marrom. As orelhas, o nariz, os pêlos em torno dos olhos, os ombros e os membros são escuros. A face, o ventre e o lombo são brancos. As orelhas são ovais e eretas. A pata do panda, com cinco dedos, apresenta um “sexto dedo” a maneira de um polegar. Trata-se de uma modificação de um osso sesamóide do pulso.



Cria de Panda de Wolong, Sichuan, China

Cria de Panda de Wolong, Sichuan, China

Stephen Jay Gould, escreveu um ensaio sobre isto e chamou de The Pandas Thumb seu livro com ensaios sobre a evolução das espécies e temas afins. As patas dianteiras são fortes, aptas a escalar, e mais longas e musculosas que as patas traseiras. O rabo do panda tem cerca de 10 a 15 cm. Os olhos são pequenos. Enquanto os demais ursos tem pupilas redondas, as pupilas do panda são como de gatos, o que lhes dá o nome em chinês de urso-gato. Ao nascer, um filhote pesa apenas 90 a 130 g e é quase pelado. Quando adulto pesa entre 70 e 125 kg e chega a medir até 1,90 m de comprimento.


 Polêmica


O sexto “polegar” do panda alimentou, através do livro Of Pandas and People, a polêmica entre os defensores do neocriacionismo, que acreditam que um planejamento inteligente rege a evolução das espécies, e os defensores do evolucionismo tradicional. Os neocriacionistas pregam que Deus, chamado de agente inteligente, está por detrás do processo evolutivo. Os evolucionistas chamam isso de pseudociência, uma vez que o neocriacionismo não atende os princípios básicos para ser considerado ciência.



 Dieta



Hua Mei, filhote de panda gigante nascido no zoológico de San Diego em 2000.

Hua Mei, filhote de panda gigante nascido no zoológico de San Diego em 2000.

Apesar de pertencer à ordem dos Carnívoros, o panda é um animal herbívoro, alimentando-se quase que exclusivamente de cerca de 30 espécies de bambu (99% de sua dieta). Sabe-se que o panda também utiliza insectos e ovos como fonte de proteína. É possível predar também roedores e filhotes de cervos-almiscarados. Seu sistema digestivo não é plenamente adaptado a quebrar as moléculas de celulose, contidas no bambu. Isto leva ao panda consumir cerca de 40 kg de bambu por até 14 horas. Seus dentes e mandíbulas são extremamente fortes, adaptados para triturar os colmos do bambu.


Ainda que o bambu seja rico em água (40% de seu peso, chegando a 90% no caso de brotos), o panda bebe frequentemente água de riachos ou neve derretida.


Em cativeiro sua dieta consiste em bambu, cana-de-açúcar, mingau de arroz, biscoito especial rico em fibras, cenoura, maçã e batata-doce.



 Reprodução



Panda Gao Gao do Zoológico de San Diego

Panda Gao Gao do Zoológico de San Diego

A época de reprodução dá-se na Primavera, quando os machos competem pela fêmea fértil. A gestação é em média de 135 dias. Normalmente nascem um ou dois filhotes. Devido à natureza frágil e delicada dos ursinhos, a mãe-panda opta por criar um único filhote. O filhote rejeitado é abandonado à morte. O desmame dá-se com um ano de idade, mas o panda já é capaz de ingerir o bambu em pequenas quantidades desde os seis meses. O intervalo entre as ninhadas é de dois anos ou mais.


Somente 10% dos pandas em cativeiro conseguem cruzar naturalmente. Apenas 30% das fêmeas engravidam. Mais de 60% dos pandas cativos não demonstram qualquer desejo sexual.


A expectativa de vida de um panda é de 12 anos. Em 2005, Basi, uma ursa panda chinesa, comemorou 25 anos de idade, que se comparam a 100 anos humanos. No mesmo ano, o panda criado em cativeiro mais velho do mundo, uma fêmea chamada Meimei, morreu aos 36, equivalentes a 108 anos humanos, no jardim zoológico da cidade de Guilin.



 Status de conservação


A baixa taxa de natalidade, a alta taxa de mortalidade infantil e a destruição de seu ambiente natural colocam o panda sob ameaça de extinção. A caça não representa problemas devido às rígidas leis chinesas. Em 1995, um fazendeiro foi sentenciado a prisão perpétua por ter atirado em um panda. No ano seguinte, dois homens foram condenados a morte após serem presos portando peles de panda e macaco-dourado. A partir de 1997 passou-se a punir os infratores com uma pena de 20 anos de prisão.


Armadilhas para cervos-almiscarados e ursos-pretos muitas vezes acabam ferindo pandas.


O número de pandas selvagens na China está estimado em 1.596. Em 2000 contavam-se 1.114 exemplares, espalhados por territórios que têm uma superfície total de 23.000 km² nas províncias de Sichuan, Gansu e Shaanxi. Estudos em 2006, baseados em exame de DNA coletado em fezes, indicam que possam haver pelo menos 3.000 animais em liberdade. Existem 183 pandas-gigantes em cativeiro na China, 100 dos quais, estão em um centro especializado em Sichuan. Outros 20 espécimes se encontram distribuídos pelos principais zoológicos do mundo.



 Evolução temporal do estado de conservação



  • 1965 – “Muito raro mas considerando-se que o número de indivíduos será estável ou estará a aumentar” (Scott 1965)
  • 1986 – Raro (IUCN Conservation Monitoring Centre 1986)
  • 1988 – Raro (IUCN Conservation Monitoring Centre 1988)
  • 1990 – Ameaçado (IUCN 1990)
  • 1994 – Ameaçado (Groombridge 1994)
  • 1996 – Ameaçado (IUCN Bear Specialist Group 1996)


[editar] Baby boom


O ano de 2005 foi considerado um grande ano para os projetos em criação da espécie em cativeiro. 25 filhotes nascidos em zoológicos e centros de reprodução sobreviveram. Em 2004, foram 9 os filhotes sobreviventes.



Hábitos


Os pandas são animais normalmente solitários. São mais ativos durante o pôr e o nascer do sol. Passam o restante do tempo dormindo em bosques de bambu. Seu território é marcado com uma combinação de odores da glândula anal, urina e marcas com as garras. Evitam conflitos não usando áreas compartilhadas do território durante o mesmo período.


Como um animal subtropical, o panda não hiberna.



 Panda na cultura


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