Para onde vai a ‘nova guerra fria’ entre moscou e o ocidente?

As relações entre Moscou e Bruxelas, a sede da Otan (o principal pacto militar do planeta) chegaram ao pior momento desde que desapareceu a União Soviética, no final de 1991. Comunicados oficiais e mensagens enviadas de lado a lado oficializaram o “congelamento” das relações.

Não é tanto o conflito na Geórgia mas, sim, a assinatura de um acordo para a instalação de um escudo anti-mísseis pela Polônia que levou a esse – como dizer? – “semi-rompimento” de contatos entre Rússia e as grandes potências ocidentais. É um caso clássico de como percepções se reforçam e se transformam em profecias que se autocumprem.

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Aqui já não interessa tanto estabelecer quem é responsável pelas percepções mas, sim, para onde vai esse tipo de “nova guerra fria”, como algumas publicações internacionais vem se referindo ao atual estado das relações entre Moscou e o Ocidente. Parece que a Rússia tem, no momento, as melhores cartas.

Washington precisa mais de Moscou do que vice-versa. Uma breve olhada nos principais problemas internacionais do ponto de vista dos americanos deixa claro que nenhum deles pode ser resolvido sem algum tipo de coordenação com os russos: Irã, Coréia do Norte e o próprio esforço militar americano no Afeganistão (que depende de várias bases americanas na Ásia Central e do direito de passagem concedido pelos russos ou seus aliados).

Os jornais americanos assinalaram com destaque a presença do presidente da Síria em Moscou com uma enorme lista de compra de armamentos modernos justamente no momento em que eram mais ásperas as trocas de palavras entre governos ocidentais e o russo. A Rússia disputa avidamente o mercado internacional de armamentos (assim como Chile, Israel, França, Alemanha, Estados Unidos, e por aí vai), mas, até agora, recusou-se a vender mísseis balísticos sofisticados. E se isso mudar?

A Rússia detém uma importantíssima carta, que tem usado com notável brutalidade em relação a vizinhos de cerca, como a Ucrânia, ou clientes tradicionais, como os países da Europa Central: o fornecimento de energia. Por si só, esse fator explica a clara preocupação do governo de Berlim, por exemplo, em evitar o que a Bundeskanzlerin Angela Merkel qualificou de “perigoso isolamento da Rússia”.

Moscou pode obstruir uma série de votações importantes do ponto de vista dos países ocidentais no Conselho de Segurança da ONU, entre elas relativas a sanções aplicáveis a países como o Sudão e o Zimbábue ou nas complicadas negociações bilaterais com o governo dos aiatolás no Irã.

Ao que tudo indica, a primeira grande crise internacional para o novo presidente americano – Obama ou McCain – surgiu onde menos se esperava. Era considerada em Washington apenas uma “questão acadêmica” a possibilidade da Rússia, como sucessora da União Soviética, tornar-se um grande fator de perturbação internacional.

Mas seria grave erro pensar o mundo de agora com os olhos de antigamente. De novo (e parece uma ironia histórica com a Rússia) Moscou tem mais a perder num longo e arrastado confronto. O isolamento da Rússia, como assinalou a chefe de governo alemã (um país com extraordinária percepção do que é a Rússia) é perigoso para os países ocidentais. Mas foi sempre ruim para Moscou também.

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