Poá é um município do estado de são paulo.

Aspecto geral
Entrada da cidade na SP-66
Entrada da cidade na SP-66

Poá é um dos onze municípios paulistas considerados estâncias hidrominerais pelo Estado de São Paulo, por cumprirem determinados pré-requisitos definidos por lei estadual. Tal status garante a esses municípios uma verba maior por parte do Estado para a promoção do turismo regional, além disto, o município adquire o direito de agregar junto a seu nome o título de estância hidromineral, termo pelo qual passa a ser designado tanto pelo expediente municipal oficial quanto pelas referências estaduais. O principal setor da economia de Poá é o de serviços, já que a instalação de indústrias poluentes é proibida desde a década de 70, quando se tornou estância hidromineral. Em território, é um dos menores municípios do estado de São Paulo (maior apenas que Águas de São Pedro e São Caetano do Sul) e possui Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) elevado. A verticalização do centro da cidade é desestimulada, com o intuito de preservar o clima interiorano que a cidade possui, com ruas estreitas e a preservação de vários prédios antigos. Foi considerada, em 2007, uma das cidades mais seguras da Grande São Paulo, mais precisamente a 5ª, atrás apenas de São Caetano do Sul, Barueri, Caieiras e Mogi das Cruzes.[4]

[editar] História

[editar] Início

A história de Poá começa em 1.621, com a formação de um povoado em terra de missionárias da Ordem dos Carmelitas. Sendo cortada pela Estrada São Paulo – Rio (atual SP-66), Poá, chamada de “Apoá” na época, era distrito do município Mogi das Cruzes; um local pouco povoado e ponto de parada de tropeiros e outros viajantes.[5]

Entre os viajantes, o imperador Dom Pedro I. Outros viajantes que passaram por Poá na época, relataram haver “em torno de Mogy – Mogi das Cruzes -, certo surto agricultural e que contudo entorpecera naquele momentos, por falta de braços causada pela partida das milícias paulistas para a Cisplatina e pela fuga de muitos homens de condição humilde, receosos de recrutamento”. Este relato foi pelos naturalistas bávaros, João Baptista Von Spix e Carlos Frederico Felipe Von Martius, enviados ao Brasil em missão científica pelo Rei da Baviera, Maximiliano José I em 1817.
Primeiro prédio da Estação Poá, construído em 1891
Primeiro prédio da Estação Poá, construído em 1891

Em 1877, os poucos moradores da região reivindicavam a construção de uma estação de trem entre as estações Lageado (atual Guaianases) e Mogi das Cruzes. Poá era distrito de Mogi das Cruzes, sendo o oficio contendo a solicitação foi enviado à Câmara do município. Por se próxima a Itaquaquecetuba, Arujá e Santa Isabel, a construção da estação foi aprovada e serviu inicialmente para escoar a produção agrícola da região à Capital. Da mesma forma como em outras cidades, a estação de trem foi fundamental para o crescimento populacional e econômico de Poá.

Sete dias depois da proclamação da República, o Governo Provisório modificou o nome da linha férrea de Estrada de Ferro Dom Pedro I para Estrada de Ferro Central do Brasil. Por meio de um decreto federal, foi autorizado e feito o ajuste de bitola para a incorporação da estrada de ferro São Paulo – Rio de Janeiro à EFCB. Assim que foi integrada à Central do Brasil, os trens começaram a fazer parada em Poá e em 11 de abril de 1891 finalmente inaugurada a Estação Poá para transporte de passageiros. A partir daí o povoamento foi mais rápido.

A Linha Variante, conhecida como Variante de Poá da EFCB, foi inaugurada na gestão do presidente Epitácio Pessoa, em 7 de fevereiro de 1926. O ramal ferroviário foi entregue à população, iniciando então o desenvolvimento do bairro de Calmon Viana. Mas o início da operação comercial foi só em maio de 1934. A Estação Poá era o ponto para onde convergiam carregamentos de lenha e produção agrícola de Poá e das cidades vizinhas. A movimentação permitiu então o desenvolvimento comercial do centro da cidade, principalmente nas avenidas de acesso. Atualmente a Estação Poá faz parte da Linha 11 da CPTM assim como a Estação Calmon Viana, que também faz parte da Linha 12, a antiga Variante de Poá.

[editar] Processo de emancipação
Cruzamento da Avenida Brasil e Rua 26 de Março, na atual Praça Elias Yousseff Tannous – década de 70
Cruzamento da Avenida Brasil e Rua 26 de Março, na atual Praça Elias Yousseff Tannous – década de 70

Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, e a explosão demográfica da Grande São Paulo, a sua típica paisagem rural vai acabando, graças à facilidade de acesso pela linha da Estrada de Ferro Central do Brasil e a existência de terrenos a baixo custo.

Houve um intenso processo de urbanização e a abertura de novas ruas e avenidas. O então Distrito de Poá crescia rapidamente, mas as autoridades de Mogi das Cruzes não faziam novas benfeitorias, nem mesmo meros prolongamentos de calçamentos e substituições de pontes, o que irritava os moradores da época. Por este motivo, no dia 6 de julho de 1947 na então sede da Subprefeitura de Poá, vários cidadãos com o propósito de pleitearem a elevação dos distritos a categoria de município. Foi presidida por José Garcia Simões da Rocha, servindo como secretários, Bruno Rossi e Euclides Greenfield, primeiro e segundo respectivamente.

Houve muita resistência da Câmara Municipal de Mogi das Cruzes, afim de evitar que Poá e Suzano se emancipassem e deixassem de serem distritos de Mogi. Depois muita luta jurídica, processos e plebiscitos, constatou-se que Poá atendia os requisitos mínimos para se emancipar. Finalmente, pela Lei nº 233 de 24 de dezembro de 1948 que fixa o Quadro Territorial, Administrativo e Judiciário do Estado, a vigorar no qüinqüênio 1949-1953, Poá é elevada a categoria de Município, constituindo-se de dois distritos: o Distrito da Paz (região noroeste de Poá) e o Distrito de Ferraz de Vasconcelos.

Legalmente, Poá começou a viver sua vida independente de Mogi das Cruzes no dia 1º de janeiro de 1949.

Apesar de ter sido instalado naquele 1º de janeiro, somente no dia 26 de março de 1949 é que foi instalada a Câmara Municipal, com a posse dos prefeitos e vereadores que haviam sido eleitos no dia 13 de março. Nesta data (26 de março) é que se comemora o aniversário do município.

[editar] Criação da comarca

Três anos depois de ser criada oficialmente, é que foi instalada a Comarca de Poá, no dia 12 de agosto de 1967. O secretário de Justiça da época, Anésio de Paula e outras autoridades compareceram a solenidade. A Comarca de Poá já tinha então jurisdição sobre Ferraz de Vasconcelos e assim permanece até hoje[6], mesmo Ferraz tendo sofrido a emancipação político-administrativa há mais de 50 anos. Portanto em questões judiciais, Ferraz permanece sendo distrito de Poá.[7] Antes de ser sede de Comarca, Poá pertenceu respectivamente a Mogi das Cruzes e Suzano.

[editar] Os primeiros povoadores
Passagem de nível na Estação Poá, na década de 70, hoje fechada
Passagem de nível na Estação Poá, na década de 70, hoje fechada

No principio de sua formação, Poá via-se em constante decadência populacional, assim sendo também com as regiões vizinhas. Suprimiu-se através de decreto em 1832, o Distrito de Itaquaquecetuba, a quem pertencia Poá. Mesmo assim, e diante do despovoamento característico da formação brasileira em geral, Poá voltou a ser distrito de Itaquá através de decreto que a reintegrou em 28 de fevereiro de 1838, ficando assim por mais 80 anos. Por volta de 1891, quando foi inaugurada a Estação de Poá, haviam poucos moradores na cidade entre os quais as famílias de José Boinn, João José de Godoy, Paulo Augusto de Miranda, Antonio Alves, Narciso Lucarini, Jorge Tomé. Em 1897, o capitão Francisco Inácio, casado com Julia Pita da Silva veio para o povoamento e aqui viu abertas uma poucas ruas: Dom Pedro I, Joaquim Nabuco, Gago Coutinho, Sacadura Cabral, Barão do Rio Branco, Prudente de Moraes, Firmina de Lima, 15 de Novembro, Dario Carneiro, Jair de Godoy e Sete Setembro. No centro da cidade, conforme planta topográfica encontrada, constava que em 1899 havia apenas sete casas residenciais. Três delas situavam-se na atual 26 de Março e as quatro restantes na rua Coronel Benedito de Almeida, Avenida Brasil e ao lado da Estação.

Outros moradores antigos, que vieram mais tarde já com a cidade mais povoada foram assim apontados pelas famílias antigas que ainda residem na cidade.: Francisco Inácio da Silva, Sebastião Ferreira dos Santos, Francisco Matias do Nascimento, Justiniano Viana, Manoel Constantino de Alemida, João Peckny, João Romero, Benedito José de Faria, Manoel do Espírito Santo, João Perrela, Natale Mazziero, Luis de Almeida Monteiro, Vicente Fernandes, Manoel Pinto da Fonseca, Miguel Saad, Ernéas Pinto, Agapito Arias, Bendito Piloto (curandeiro), Vicente Guida, Armando Rossi, Antonio Monteiro de Camilis, Francisco Assis da Silva, Joaquim de Albuquerque, Antonio Moliteno, João de Paula (Setenta), Antonio Mariano, Antonio Alves, Paulo Augusto Miranda, Francisco Pedro Leandro, Antonio Bueno, Domingos Peres, Alberto Marsulo, Francisco Ribas, Carlos Picchi (Guigo), Pedro Carmelatto, Manoel Alves Correa, Marcondes do Amaral, Antonio Simões, Juvenal Inácio da Silva, José Valério, Manoel Bueno, Vicente Moliterno, Antonio Balazaima, João Felipe Júnior, João Alves Carvalho e ainda as famílias Zellite, Jamicellim, Regato, Varrente, Veronesi, Amado, Ladeira e Balboni, entre outras.

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