Presidente eurico gaspar dutra

Marechal Eurico Gaspar Dutra (Cuiabá, 18 de maio de 1883Rio de Janeiro, 11 de junho de 1974) foi um militar brasileiro e décimo nono Presidente do Brasil e único presidente do Brasil oriundo do Mato Grosso.


Biografia



[editar] Começo da carreira


Em 1902, Dutra ingressou na Escola Preparatória e Tática do Rio Pardo, no Rio Grande do Sul e depois, na Escola Militar de Realengo e na Escola de Guerra de Porto Alegre. Desta última foi desligado ao protestar contra a campanha de vacinação promovida por Oswaldo Cruz.



[editar] Carreira militar


Em 1922 formou-se na Escola de Estado-Maior. Sua atuação frente à Revolução Constitucionalista de 1932, em São Paulo, fez com que fosse recomendado para general e assim, em 1932, foi promovido a General de Divisão (na época, a patente mais alta). Dois anos antes havia defendido a legalidade frente a Revolução de 1930.


Em 1935, comandou a repressão à Intentona Comunista nas cidades do Rio de Janeiro, Natal e Recife, na qualidade de comandante da I Região Militar, durante o governo provisório de Getúlio Vargas, que o nomearia ministro da Guerra, atual comandante do Exército Brasileiro, em 5 de dezembro de 1936.


Nesse posto, cumpriu papel decisivo, junto com Getúlio Vargas e com o general Góis Monteiro, no fechamento do regime e a instauração da ditadura do Estado Novo em 10 de novembro de 1937. Permaneceu no ministério da Guerra até ser exonerado para disputar a eleição presidencial de 1945 .


Após a Segunda Guerra Mundial, pregou a redemocratização do país, renunciando ao ministério em 3 de agosto de 1945 e participando a seguir, embora não muito intensamente, da queda de Vargas. Paradoxalmente o líder deposto anunciou seu apoio à candidatura de Dutra à Presidência da República nas eleições que se seguiriam.


Dutra candidatou-se pelo Partido Social Democrático (PSD), em coligação com o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), e venceu as eleições de 2 de dezembro de 1945, com 3.351.507 votos, superando Eduardo Gomes da União Democrática Nacional e Iedo Fiúza do Partido Comunista Brasileiro.


Para vice-presidente, a escolha recaiu sobre o político catarinense Nereu Ramos, também do PSD, eleito pela Assembléia Nacional Constituinte de 1946 (quando Dutra foi eleito ainda estava em vigência a constituição de 1937, que não previa a figura do vice-presidente).



[editar] Presidência


Empossado em 31 de janeiro de 1946, Dutra aproximou-se dos setores conservadores. Não se furtou a receber o apoio da UDN através do chamado Acordo Interpartidário, o que acarretou a marginalização de Vargas e do PTB, que acabaram por romper com o presidente.


O governo Dutra foi marcado por uma política econômica liberal, com rápido esgotamento das reservas cambiais acumuladas durante a guerra e uma severa política de arrocho salarial. Afastou o país do bloco socialista do leste europeu. Em 1947, colocou o Partido Comunista Brasileiro na ilegalidade, sob a alegação de que o PCB servia aos interesses da União Soviética – com a qual o Brasil rompeu relações diplomáticas em 1948. Definitivamente deve-se a Dutra boa parte da influência dos Estados Unidos sobre o Brasil nas décadas seguintes.



Realizações administrativas

De caráter desenvolvimentista, Eurico Dutra reuniu sugestões de vários ministérios e deu prioridade a quatro áreas: Saúde, Alimentação, Transporte e Energia (cujas iniciais formam a sigla SALTE). Os recursos para a execução do Plano SALTE seriam provenientes da Receita Federal e de empréstimos externos. Entretanto, a resistência da coalizão conservadora e a ortodoxia da equipe econômica acabaram por inviabilizar o plano, que praticamente não saiu do papel.


O governo de Dutra iniciou a ligação rodoviária do Rio de Janeiro a São Paulo pela estrada que hoje é conhecida como Rodovia Presidente Dutra, uma das mais importantes do país.


Foi durante sua gestão na Presidência da República que surgiram o Conselho Nacional de Economia, as Comissões de Planejamento Regional e o Tribunal Federal de Recursos. Em seu governo foi elaborado o Estatuto do Petróleo, a partir do qual tiveram início a construção das primeiras refinarias e a aquisição dos primeiros navios petroleiros. A administração Dutra também criou a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (CHESF) e pôs em funcionamento a Hidrelétrica de Paulo Afonso.


Durante seu governo foram extintos os territórios federais de Ponta Porã e Iguaçu.


Uma de suas medidas mais polêmicas foi certamente a proibição do jogo no Brasil, em 30 de abril de 1946.


Em 18 de setembro de 1950, foi inaugurada a TV Tupi, a primeira emissora de televisão do Brasil. Entre 24 de junho e 16 de julho daquele ano, o Brasil sediou a Copa do Mundo, em cuja partida final a equipe do Uruguai derrotou o Brasil e levantou o título de campeão mundial de futebol.



[editar] Ministros




 Depois da Presidência


Deixou a presidência em janeiro de 1951, mas continuou a participar da vida política brasileira. Em 1964, logo após o golpe militar contra João Goulart, tentou voltar à presidência, mas já estava por demais afastado do grupo militar dominante, sendo preterido por Humberto de Alencar Castelo Branco.



 Bibliografia



  • CAÓ, José, Dutra, o Presidente e a Restauração Democrática, Editora Progresso, 1949.
  • FREIXINHO, Nilton, Instituições Em Crise: Dutra e Góes Monteiro, Editora Bibliex, 1997.
  • KOIFMAN, Fábio, Organizador – Presidentes do Brasil, Editora Rio, 2001.
  • LEITE, Mauro Renault e NOVELLI JÚNIOR, Marechal Eurico Gaspar Dutra: o Dever da Verdade, Editora Nova Fronteira, 1983.
  • MOURÃO, Milcíades M, Dutra – História de um Governo, Editora José Olímpio, 1955.
  • OLIVEIRA, José Teixeira, O Governo Dutra, Editora Civilização Brasileira, 1956.
  • SILVA, Hélio, Eurico Gaspar Dutra – 16º Presidente do Brasil, Editora Três, 1983.
  • VALE, Osvaldo Trigueiro do, O General Dutra, Editora Civilização Brasileira, 1978.

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