Próximo presidente dos eua terá que economizar muito

Não há nada que Obama ou McCain possam fazer, a não ser esperar pela hora de assumir a presidência com as mãos amarradas. Possivelmente os próximos quatro anos estão sendo decididos agora, nas conversas do Secretário do Tesouro (que pede poderes extraordinários para si e seu sucessor) com o Congresso – prova eloqüente disso é a resistência dos democratas ao pacote oferecido por Bush.

Mesmo que os detalhes da salvação governamental acabem sendo aprovados por consenso (e os mercados, nesta segunda, mostraram que não acreditam nisso), é impossível fugir ao essencial: o próximo presidente americano terá de economizar muito (esqueçam as promessas de corte de impostos, feitas pelo próprio Obama) e gastar pouco.

Neste estágio da campanha eleitoral, nenhum dos dois parece disposto a dizer que será obrigado a exigir sacrifícios da população e, depois de um período muito duro, ainda mais sacrifícios. Os americanos estão acostumados há mais de uma década a viver acima dos seus meios, e até agora foram financiados pelo mundo inteiro. É tal a desordem que a crise está trazendo, a ponto do próximo presidente provavelmente não ter resposta para a pergunta que todos se fazem: ele assume o governo de um país em inexorável declínio ou, ao contrário, essa crise prenuncia mais um ciclo de inovação tecnológica (energia, por exemplo) e absorção de cérebros do mundo inteiro?

É importante observar neste ponto que China e outros em nenhum momento pareceram interessados em “afundar” um rival – à diferença da Grande Depressão do século passado, pelo menos na cabeça dos principais dirigentes não existe a noção de que a derrota de um é a vitória de outro. Ou seja, é uma economia globalizada – na qual o papel dos estados nacionais continua importante, é só levar em conta como depende de governos a reordenação do sistema financeiro internacional.

A curto prazo os custos com os quais o governo americano terá de arcar para montar um pacote de salvação com muita probabilidade acelerarão a saída das tropas americanas do Iraque. Não dependerá da vontade de McCain ou Obama (que, aliás, já apresentavam pouca divergência de fato antes mesmo da catástrofe financeira de setembro de 2008). Mas dependerá deles o tipo de liderança política que raramente surge na história.

O exemplo clássico aqui vem do próprio país deles. Franklin Roosevelt ficou valendo, depois da Grande Depressão, como o presidente que soube juntar visão de longo prazo com expediente político de curto prazo. Obama e McCain estão diante exatamente desse desafio: entender o alcance e profundidade da crise, separar o que realmente conta a longo prazo e enfrentar um árduo período de severas dificuldades.

Por enquanto, ambos parecem pequenos diante do cataclismo.

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