Qual o tratamento para asma?

O tratamento cura a asma?


Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, a asma e outras alergias tem tratamento. Embora com o tratamento a pessoa possa inicialmente ter algumas crises, e depois nunca mais ter sintomas (o que é relativamente freqüente em crianças), não se pode dizer que é o tratamento que cura o paciente. O objetivo do tratamento da asma é o controle dos sintomas e a melhora na qualidade de vida. Existem fatores que frequentemente é difícil de identificar e que podem influir no desaparecimento dos sintomas, definitivamente ou por longos períodos. Por exemplo: o crescimento do indivíduo, afastamento de fatores desencadeantes pessoais (parar de fumar, p. ex.), ou no ambiente doméstico (evitar mofos e umidade) ou profissional (evitar contato com substâncias irritantes como tintas, vernizes, etc.). Existem fatores genéticos que ainda não são bem conhecidos e que também podem influenciar na evolução da asma


Como é o tratamento da asma?


O tratamento da asma baseia-se em dois tipos de ações: as preventivas, que visam evitar que as crises ocorram – e por isso são as mais importantes – e ações para tratar as crises, que visam controlar os sintomas quando eles ocorrem. As ações preventivas envolvem o uso de medicamentos (mas nem sempre), medidas pessoais e ambientais (evitar mofos, poeira doméstica, poluição, substâncias irritantes, umidade, fumo), combater fatores agravantes (como refluxo gastroesofágico e rinossinusites) e, às vezes, vacinas dessensibilizantes.


No tratamento de crises, quanto mais precoce o uso de medicamentos, melhor será a resposta. Algumas vezes é necessário que o paciente procure um atendimento de urgência. Pergunte a seu médico qual o plano de ação para a crise de asma mais adequado para você e quais são os sinais de gravidade da asma que devem fazer você procurar este tipo de atendimento.


Quais os tipos de medicamentos que dispomos para tratar a asma?


De acordo com o exposto acima, os medicamentos também podem ser divididos em dois grandes grupos. Aqueles usados para prevenir as crises e aqueles usados para combatê-las. Alguns medicamentos podem ser usados em ambas as situações.


Entre os preventivos estão os corticosteróides (principalmente os inalados), os broncodilatadores de longa ação, a aminofilina, os antileucotrienos e, mais raramente, cromoglicato e o cetotifeno. Um medicamento da nova classe dos anticorpos monoclonais, produzidos por engenharia genética foi aprovada pela ANVISA (órgão brasileiro que regulamenta os medicamentos) que é o anticorpo anti-IgE.


Para o tratamento das crises os corticóides sistêmicos (tomados por vi oral ou por injeção), os broncodilatadores (principalmente por aerossol) e a aminofilina são os mais usados. Não podemos esquecer que no tratamento hospitalar, o oxigênio é sempre importante.


O tratamento da asma tem efeitos colaterais?


Todo tratamento pode ter efeitos colaterais, e com os medicamentos para asma não é diferente. Uma boa notícia é que hoje, graças aos avanços dos últimos 10 ou 20 anos, dispomos de medicamentos muito seguros e, que quando usados corretamente e sob supervisão médica, têm pouquíssimos efeitos colaterais.
O tratamento dessensibilizante (vacinas para alergia ou imunoterapia) também é bastante seguro quando administrado sob supervisão médica direta.


Nunca é demais ressaltar que todo medicamento tem efeitos colaterais, especialmente quando usado indevidamente ou em excesso.


Lembre-se: quando um medicamento que antes controlava bem os sintomas deixa de fazê-lo, é hora de procurar o seu médico, e não de aumentar a dose.


Quais os efeitos colaterais dos corticóides usados por via oral?


É importante saber que existem basicamente dois tipos de corticóides para o tratamento da asma. De um lado, estão aqueles que agem por via sistêmica e são usados por via oral ou injetável, e, por isso, tem atuação em todo o organismo. Do outro, estão os corticosteróides usados por via inalatória. Estes têm ação predominante nos brônquios e muito pouca ação no restante do organismo.


As drogas do primeiro grupo são usados apenas em crises agudas de asma e em casos de asma grave. Quando usados por muito tempo podem provocar efeitos colaterais importantes. Em crianças a obesidade e o retardo do crescimento são os mais comuns. Em adultos podem ocorrer obesidade, estrias e manchas vermelhas (equimoses) na pele, aumento da pressão e da glicose, sangramento digestivo, catarata, piora de glaucoma, osteoporose e insuficiência da glândula adrenal. Pacientes que fazem uso prolongado destes medicamentos (por via oral ou injetável) devem ser acompanhados de perto pelo médico.


Quais os efeitos corticosteróides inalados?


Os corticosteróides inalados são bastante seguros. A candidíase oral (sapinho) e a rouquidão são os mais comuns. Há alguns relatos isolados e relativamente raros de alguns dos efeitos colaterais sistêmicos, especialmente quando são usadas doses elevadas.


O que é “bombinha”?


Bombinha é uma forma prática e eficaz de tomar remédios por via inalatória. O medicamento está dentro da latinha da bombinha junto com um gás propelente inerte (que não tem ação no organismo) e, quando a válvula é pressionada, libera uma dose precisa do remédio. Vários medicamentos são usados desta forma: corticosteróides inalatórios, broncodilatadores e o cromoglicato dissódico. Um dos problemas com as bombinhas é que necessitam da sincronização do movimento de acionar a válvula com o de inalar o aerossol. Algumas pessoas têm dificuldades e por isso foram desenvolvidos os espaçadores.


O que são espaçadores?


São dispositivos, geralmente em forma de câmara cilíndrica ou como uma pêra, que eliminam a necessidade de sincronização do movimento de acionar a válvula da bombinha com o de inalar o aerossol. Em geral são de plástico transparente e têm uma válvula. A bombinha é acoplada ao espaçador, em seguida acionada e o aerossol que se acumulou na câmara pode ser inalado calmamente pelo paciente. É ótimo para crianças pequenas, quando são usadas com máscaras faciais.


Um outro benefício dos espaçadores é que permitem que apenas as partículas menores sejam inaladas para os pulmões e impedem que grande parte das maiores, que ficariam na boca, cheguem ao paciente, diminuindo a dose de medicamento que não faria efeito benéfico e contribuiria para os efeitos indesejados.


Por que a via inalatória é uma boa via de administração de remédios para a asma?


Porque a asma é uma doença dos brônquios, por onde passa o ar que respiramos, a caminho dos alvéolos pulmonares. Quando usamos remédios por esta via, eles chegam diretamente no órgão afetado, junto com a respiração, aliando, assim, um efeito mais rápido e menor quantidade de medicação.


Qual a diferença entre nebulizadores e bombinhas?


Os dois dispositivos têm o objetivo de transformar os medicamentos em aerossol (névoa) para poderem ser inalados. Nos nebulizadores a pressão de ar para esta transformação é dada pelo compressor (motor). Nas bombinhas o gás propelente está na própria latinha, como um spray de cabelo, só que com dosador.


Para uso doméstico, os nebulizadores apresentam maior perigo de contaminação por bactérias e fungos, são mais pesados e necessitam de energia elétrica. Para uso hospitalar geralmente encarecem o tratamento pela necessidade de esterilização e manuseio especializado. Mas são tão eficientes quanto as bombinhas e ainda não é o momento de aposentá-los.

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