Que tal um referendo no iraque?

Os presidentes Hugo Chávez (Venezuela), Rafael Correa (Equador) e Evo Morales (Bolívia), foram eleitos pelo voto popular com maioria absoluta de votos. Assumiram os governos em seus respectivos países e deram início ao cumprimento do programa de governo que lhes assegurou a eleição.

A Venezuela estava falida, começava a viver um processo de desintegração nacional e caos quando Chávez foi eleito. No Equador um levante popular forçou a renúncia de um presidente corrupto, por sinal militar, e elegeu Corrêa que, tal como Chávez não deixou o programa na porta do palácio quando assumiu o governo.


Evo Morales elegeu-se na segunda tentativa de vir a ser presidente da Bolívia com mais de 50% dos votos. Assumiu o governo e iniciou a execução do seu programa.


Todos os três convocaram assembléias nacionais constituintes para reestruturar o Estado e todos os três instituíram a figura do referendo nas respectivas constituições, tanto submetendo-as à consulta popular para aprovação, como os próprios mandatos. Chávez sofreu uma tentativa de golpe e foi libertado e voltou ao poder pela ação do povo. Venceu um referendo e foi reeleito presidente por maioria absoluta de votos.



Correa é o favorito no referendo de domingo no Equador.


Morales percorreu o mesmo caminho de Chávez. Assembléia Nacional Constituinte, referendo para confirmar o seu mandato (teve mais de 60% dos votos dos bolivianos) e enfrenta agora o terrorismo comandado por Washington e pelas elites bolivianas no momento que a constituição será submetida à consulta do povo.


A redistribuição da riqueza nacional, privatizada em função dos interesses dos EUA e dessas elites é o fator principal da revolta. Os antigos donos da Bolívia mantêm acesa a chama da luta de classes.


A democracia como defendida aparentemente pelos norte-americanos termina no momento que perdem as eleições.


O governo da Argentina divulgou hoje nota apoiando o governo constitucional de Evo Morales e classificando de terroristas as ações dos grupos comandados pelos norte-americanos. Cristina Kirchner percebeu que um eventual golpe de estado naquele país tem o efeito dominó em relação a governos populares eleitos pelo voto em toda a América do Sul, como se reflete na Nicarágua, onde os sandinistas voltaram ao poder pelo voto.


A Comunidade Européia, aquela da qual fazem parte os dinamarqueses matadores de baleias num processo brutal de auto-afirmação do nada, quer diálogo entre as partes.


Todos os direitos e garantias individuais estão assegurados na nova constituição boliviana.


Estão eliminados os privilégios. O que não admitem os golpistas é exatamente isso.


Querem manter intocada a Casa Grande dos senhores de terras, de bancos, de empresas e sob o tacão, o chicote e o açoite, a senzala do povo trabalhador.


O papel das forças armadas bolivianas é enfrentar os golpistas, colocar a casa em ordem, até porque militares vivem falando em lei, em ordem, não sei o que lá mais e por baixos dos panos golpeando instituições e servindo a Washington.


Não há que contemporizar com o golpismo.


Será que Bush teria peito para um referendo no Iraque? Saber se o povo iraquiano quer os norte-americanos por lá “libertando” o país e roubando o petróleo?


São os verdadeiros terroristas e neste momento o Brasil tem que tomar uma posição simples e clara. De um lado, um governo produto da vontade popular, confirmado pelo povo; e, de outro, os donos do país inconformados com a perda da chave do cofre.


Como tomou a Argentina, como tomou Chávez, como tomou Correa, como tomou Raúl Castro, como tomou Daniel Ortega.


Do contrário vamos virar pasta nas mãos e armas desumanas dos terroristas liderados por Washington.


E o futuro? Ou vai ser agora ou não tem.

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