Quem foi e o que fez ernesto geisel?

Ernesto Beckmann Geisel (Bento Gonçalves 3 de agosto de 1908 — Rio de Janeiro, 12 de setembro de 1996), foi um militar (general) e político brasileiro, o quarto presidente do regime militar instaurado pelo golpe militar de 1964, chamado pelos militares de “Revolução de 1964”.

] Biografia

Geisel era filho de August Wilhelm Geisel e Lídia Beckmann, imigrantes alemães luteranos, que imigraram para o Brasil em 1883.[2]

Em suas entrevistas concedidas ao Centro de Processamento e Documentação (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro, depois transformadas em livro, Ernesto Geisel declara que, em sua infância (p. 17), entendia e falava o alemão, embora nunca tendo aprendido a ler nesse idioma. Na idade adulta (p. 356) entendia, mas falava com dificuldade o alemão.

Dois de seus irmãos também ingressaram na carreira das armas e tornaram-se generais: Henrique Geisel e Orlando Geisel, que chegou a ser ministro do exército durante o governo de Emílio Garrastazu Médici.

Ernesto Geisel iniciou sua carreira militar em 1921 , ingressando no Colégio Militar de Porto Alegre . Forma-se oficial na Escola Militar de Realengo em 1928. Participou de ações militares na Revolução de 30 como tenente. Fez parte das tropas federais que combateram a Revolução Constitucionalista, de 1932.

No início dos anos 30 também desempenhou as funções de secretário de fazenda da Paraíba quando os tenentes da revolução de 1930, passaram a ocupar cargos políicos.

Em 1940, Geisel casou-se com sua prima-irmã, Lucy, com quem teve dois filhos: Amália e Orlando, este último falecido num acidente de trem em 1957. Geisel jamais se recuperaria totalmente deste duro golpe.
Vida Política
Ernesto Geisel, 29º presidente do Brasil, durante jantar oferecido a Jimmy Carter, 29 de março de 1978.
Ernesto Geisel, 29º presidente do Brasil, durante jantar oferecido a Jimmy Carter, 29 de março de 1978.

Na década de 1950, Geisel comandou a guarnição de Quitaúna e gerenciou a refinaria de Cubatão, ambas no estado de São Paulo. Durante este período, ele estreitou suas ligações com o grupo militar que mais tarde seria conhecido como “Sorbonne”, ligado à Escola Superior de Guerra.

Ele sempre teve interesse na área de extração petrolífera, tendo dirigido a refinaria de Cubatão em 1956, a Petrobrás (1969 a 1973) e, após 1979, a Norquisa, depois de ter deixado a presidência da República.

Em sua gestão na presidência da Petrobras, empresa estatal que deteve até a década de 90 o monopólio da extração de petróleo no Brasil , concentrou esforços na exploração da plataforma submarina, tendo obtido resultados positivos. Conseguiu acordos no exterior para a pesquisa e firmou convênios com o Iraque, o Egito e o Equador.

Após o golpe de 1964, em 15 de abril de 1964, foi nomeado chefe da Casa Militar pelo presidente Castello Branco que o encarregou de averiguar denúncias de torturas em unidades militares do Nordeste do Brasil.

Geisel fez parte do grupo de militares castelistas que se opunham á candidatura do marechal Costa e Silva à presidência da República.

Castello Branco o promoveu a general-de-exército em 1966 e o nomeou ainda ministro do Superior Tribunal Militar em 1967.

Com a posse de Costa e Silva na presidência, Geisel caiu no ostracismo político. No governo de Emílio Médici tornou-se presidente da Petrobras enquanto seu irmão Orlando Geisel se tornou o ministro do Exército. O apoio do irmão Orlando foi decisivo para que conseguisse ser lançado como candidato à presidência da república para o mandato de 1974-1979.

Na presidência da República

Foi lançado oficialmente candidato à presidência pela Arena, em 18 de Julho de 1973 e venceu no Colégio Eleitoral em 15 de Janeiro de 1974 o candidato do único partido legal de oposição, MDB, Ulysses Guimarães.

Geisel se dedicou à abertura política que encontrou resistência nos militares da chamada linha-dura, sendo que o episódio mais dramático foi a demissão do ministro do exército, Sylvio Frota em 12 de outubro de 1977.

Em 1977, em Sarandi, acontece uma invasão de terras na fazenda Annoni que dá início ao MST existente até hoje.

Outro episódio dramático foi a demissão, em 1976, do Comandante do II Exército de São Paulo por causa da morte do jornalista Wladimir Herzog.

Geisel conseguiu fazer seu sucessor João Figueiredo que continuou a abertura política.

[editar] Principais realizações do Governo Geisel
Ernesto Geisel durante visita à Casa Branca em 29 de março de 1978.
Ernesto Geisel durante visita à Casa Branca em 29 de março de 1978.

* Reatamento de relações diplomáticas com a China.
* Fez que o Brasil fosse o primeiro país do mundo a reconhecer a independência de Angola.
* II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND.)
* Busca de novas fontes de energia, realizando o acordo nuclear com a Alemanha, criando os contratos de risco com a Petrobrás e incentivando a utilização do álcool como combustível.
* Início do processo de redemocratização do país, embora tal processo tenha sofrido alguns retrocessos durante seu governo, como bem exemplifica o Pacote de Abril, em 1977.
* Abertura política do Brasil, sobre a qual Geisel afirmou que a redemocratização do Brasil seria um processo “lento, gradual e seguro”.
* Revogou o AI-5, e preparou o governo seguinte João Figueiredo para realizar a anistia política e a volta dos exilados.
* Em política externa procurou ampliar a presença brasileira na África e na Europa, evitando o alinhamento incondicional à política dos Estados Unidos.
* Denúncia do tratado militar Brasil-Estados Unidos em 1977.
* Construiu grande parte da Usina Hidrelétrica de Itaipu.

Vida após a presidência

Como ex-presidente, manteve grande influência sobre o exército ao longo dos anos 80 e hipotecou, em 1985, seu apoio à candidatura vitoriosa de Tancredo Neves, nas eleições indiretas daquele ano, derrotando Paulo Maluf. Também foi presidente da Norquisa, empresa ligada ao setor petroquímico.

Sua trajetória de vida e seu governo são descritos em O Sacerdote e o Feiticeiro, um dos livros da série de cinco (dos quais apenas quatro foram escritos até o momento (out/2006)) “As Ilusões Armadas”, escritos pelo jornalista Elio Gaspari.

Seu ministro da justiça, Armando Falcão, também escreveu uma biografia de Ernesto Geisel.

Em 1984 declarou seu apoio ao candidato Tancredo Neves à presidência, o que fez diminuírem as resistências ao Dr. Tancredo no meio militar.

Em 1997, a Fundação Getúlio Vargas publicou a transcrição de seu depoimento, no qual narrou sua vida particular, militar e política.

No dia 12 de setembro de 1996, aos 89 anos, falece vítima de câncer.

Bibliografia

* _______, Viagem do Presidente Geisel À Alemanha, Assessoria da Presidência da República, Editora Brasília, 1978.
* ______, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro, Fundação Getúlio Vargas, 1984.
* ABREU, Hugo de Andrade, O outro lado do poder, Nova Fronteira, 1979.
* ARAÚJO, Maria Celina de, CASTRO, Celso, orgs, Ernesto Geisel , Editora FGV, RJ, 1997.
* BARROS, Adirson de, Geisel e a Revolução Brasileira, Editora Artenova, 1976.
* CASTRO, Celso, Dossiê Geisel , Editora FGV,RJ, 2002.
* CURY, Levy, Um Homem Chamado Geisel, Editora Horizonte, 1978.
* GEISEL, Ernesto, Discursos, 5 volumes, 1978, Assessoria de Imprensa da Presidência, 1979.
* GÓES, Waldemar de, O Brasil do General Geisel, Nova Fronteira, 1978.
* JORGE, Fernando, As Diretrizes Governamentais do Presidente Ernesto Geisel, Edição do Autor, 1976.
* FALCÃO, Armando, Tudo a declarar, Nova Fronteira, 1989.
* FALCÃO, Armando, Geisel do Tenente ao Presidente , Editora Nova Fronteira, 1995.
* FROTA, Sylvio, Ideais Traídos, Jorge Zahar, 2006.
* SILVA, Hélio, Ernesto Geisel – 25ª Presidente do Brasil, Editora Três, 1983.
* STUMPF, Andre Gustavo, PEREIRA Filho, Segunda Guerra: Sucessão de Geisel, Editora Brasiliense, 1979.
* VIEIRA, R. A. Amaral, Crônica dos Anos Geisel, Editora Forense Universitária, 1987.

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