Quem foi tim buckley?

Timothy Charles Buckley (Tim Buckley) continua sendo um enigma mais de um quarto de século após a sua morte,em 1975. Um músico capaz de compor uma melodia inolvidável literalmente à mesa do café da manhã, capaz de esticar a voz dos graves mais soturnos aos agudos mais excruciantes (sem cair no falsete). Além disso, o que ele fez, em sua carreira discográfica de pouco mais de oito anos, foi “rock” mas foi “folk”, “jazz” e “soul”. Para aumentar o fascínio mórbido em torno do sobrenome Buckley, Tim ainda teve um filho músico, Jeff,também excelente musico (com uma voz maravilhosa e angelical) fruto indesejado de seu casamento com a pianista Mary Guibert, também morto estupidamente, afogado nas águas barrentas do Rio Mississippi em 1997, quando tinha 30 anos.

Tim Buckley tem sido alvo de interesse renovado conforme continua a desafiar os ouvintes com um “decifra-me ou te devoro” comparável aos de Nick Drake, cantor e compositor com quem guarda algumas notáveis semelhanças. Sendo a principal, à parte as mortes precoces, a capacidade de passar da ternura à raiva num verso.


Tim Buckley estreou em gravações em 1966, após ser visto pelo empresário de Frank Zappa durante uma apresentação em Los Angeles. O álbum, que levava seu nome refletia claramente uma influência do folk, em especial de Bob Dylan; sua voz chamava a atenção pelos agudos, que o aproximavam de um cantor de coral.


“Goodbye and Hello”, do ano seguinte, é talvez seu trabalho mais conhecido, no qual o acompanhamento de banda é substituído por intrincados arranjos de cordas e metais, e as letras tornam-se mais ambiciosas.


Em seu terceiro álbum, o mais conceituado pela crítica, Tim flerta com o cool jazz de Miles Davis e abaixa seu tom de voz; esta aproximação com o jazz pontuaria também seus álbuns seguintes.


Um dos traços típicos dele era pular de estilo de LP para LP, o que intrigava seus fãs e enlouquecia qualquer gravadora. Assim, se no começo da carreira (“Wings”, música de 1966) Buckley empostava a voz como um menestrel medieval, inclusive caprichando no sotaque inglês para soar mais convincente. No final (“Make It Right” de 1972) ele mandava ver em funks lúbricos, gemendo sacanagens S&M. Não era para ser o mesmo cantor mas era.


Sua obra-símbolo “Song to the siren” (Canto para a sereia), é um bom exemplo. É a tal melodia composta por Buckley à mesa do café, diante dos olhos de Beckett, em 1967. O letrista fora à casa do cantor apresentar um poema inspirado na “Odisséia”, de Homero. O outro leu a letra, fez uma pausa, pegou o violão de 12 cordas e criou a música no ato, quase do modo como ela seria registrada no LP “Starsailor”, de 1970. A primeira versão lançada em disco foi na voz de… Pat Boone. Um ano antes. O episódio está descrito no encarte do álbum. “Havia três ou quatro de nós em torno da mesa, completamente surpresos que algo tão lindo pudesse estar nascendo conosco ali”, declarou Beckett a Barry Alfonso.


Seus últimos álbuns mostram uma reaproximação com o pop e passaram, como grande parte de sua carreira, despercebidos pela mídia.


Tim Buckley morreu em 29 de junho de 1975, vítima de uma overdose de heroina e morfina. Um grande cantor,letrista e violinista, que merece ser sempre lembrado. Sua música jamais será esquecida.



[editar] Discografia



  • Tim Buckley (1966)
  • Goodbye & Hello (1967)
  • Happy/Sad (1969)
  • Blue Afternoon (1970)
  • Lorca (1970)
  • Starsailor (1970)
  • Greetings From LA (1972)
  • Sefronia (1973)
  • Look At The Fool (1974)
  • Dream Letter (live) (1991)

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