Saltos ornamentais ou saltos para a água

 


  Executando movimentos estéticos durante a queda. Além de ser um hábito em muitas sociedades primitivas que vivem próximas ao mar, o salto ornamental é um esporte de grande técnica, plasticidade e flexibilidade[1].


Na natureza, o saltador geralmente se posiciona em rochedos localizados à beira de rios, lagos ou mares, e dali salta em direção à água. A entrada na água deve ser feita na vertical, principalmente se as alturas de salto forem altas — uma entrada horizontal pode provocar sérias lesões no atleta.


Na modalidade esportiva, as condições naturais são limitadas pela plataforma fixa, que pode ter até 10 metros de altura em relação à piscina (que deve ter no mínimo 4 metros de profundidade). São avaliadas a criatividade do saltador, sua destreza, o rigor na execução do salto previsto, a simetria (o saltador não pode se desviar para os lados), a cadência dos movimentos (não pode executar muitos movimentos em um espaço curto de tempo, reservando o restante da queda para poucos movimentos) e a entrada na água, que deve ser perfeitamente vertical e deve espalhar o mínimo de água possível (o efeito é conhecido como splash).


Além da plataforma móvel existe o trampolim, uma espécie de plataforma flexível (no sentido vertical), que exige maior perícia do saltador e permite a execução de saltos que envolvam uma subida razoável. Nesta modalidade, o brasileiro César Castro vem se consolidando como um dos melhores atletas do mundo, estando entre os 10 melhores no ranking mundial.


Os saltadores ornamentais costumam treinar suas acrobacias no trampolim acrobático, antes de treinar na própria plataforma. Muitos saltadores ornamentais são oriundos da ginástica, inclusive, e vários movimentos dos saltos ornamentais esportivos são criações da ginástica artística.


 


 

Alguns detalhes são fundamentais para que um salto seja considerado bom: a andada no trampolim, o pulo para a ponta, a altura da saída, a execução do salto e a entrada na água. Todas essas partes são julgadas como uma coisa só, um conjunto. O momento de saída ou “decolagem” do trampolim deve mostrar controle e balanço. A altura que o saltador atinge é muito importante pois ela significa mais tempo. Quanto maior a altura, maior a possibilidade de trabalhar a exatidão e a suavidade dos movimentos. A execução do salto envolve performance mecânica e técnica, mas também leveza e graça. A entrada na água é o último item que o juiz vê e ele observa o ângulo – que deve ser quase vertical – e a quantidade de água espirrada – que dever a menor possível.


Devem se distinguir os saltos de cama e de prancha flexível com aproximadamente 5m de comprimento e 50cm de largura situada a 1m ou 3m do nível da água, dos saltos de plataforma, fixa, com 6m de comprimento por 2m de largura, situada a 5m, 7,5m ou 10 metros acima do nível da água.



 Tipos de salto


Existem seis grupos de saltos[2]. Os quatro primeiros envolvem rotação em diversas direções; o quinto inclui qualquer salto com giro e o último, usado em salto de plataforma, começa com uma “bananeira”.



  • Grupo I – Para frente (saída de frente para a água e execução para a frente) – O atleta fica de frente para o trampolim e faz uma série de rotações em direção à água.
  • Grupo II – De costas (saída de costas para a água e execução para trás) – Os saltos neste grupo começam com o atleta no final do trampolim de costas para a água. A direção da rotação é sempre para longe a partir da plataforma.
  • Grupo III – Ponta pé a lua (saída de frente para a água e execução para trás) – Começam com o atleta voltado para a frente do trampolim e terminam com uma rotação em direção à plataforma.
  • Grupo IV – Revirado (saída de costas para a água e execução para frente) – O atleta fica no fim da plataforma e realiza uma rotação em direção do trampolim (movimento oposto ao do salto 2).
  • Grupo V – Giro (giro do corpo em torno de seu eixo longitudinal, independentemente do tipo de saída) – Todos os saltos com giros se incluem neste grupo; estes podem ser para frente, para trás, reverso e para dentro.
  • Grupo VI – Equilíbrio (saída em parada de mãos) – O atleta se equilibra de cabeça para baixo na beira da plataforma antes de executar o salto.


 Posições corporais


No ar, a posição do corpo pode ser de quatro tipos[3]:



  • Em grupada: Corpo flectido no quadril e joelhos, coxas puxadas contra o peito, tornozelos mantidos junto às nádegas.
  • Em carpada: O corpo deve estar flexionado na cintura, mas as pernas e o pés devem estar bem estendidos; posição dos braços variável
  • Esticada: Os pés devem estar juntos com as pontas esticadas e o corpo não pode estar flexionado na cintura, nos joelhos; posição dos braços variável
  • Livre: Opcional


 Julgamento do salto


 

É difícil julgar um salto porque muitas sutilezas estão envolvidas, como estilo. É por isso que muitas pessoas são chamadas apara avaliar, tentando manter o resultado o mais justo possível. Ao se classificar um salto, todas as suas etapas são levadas em conta. São:



  • Aproximação: Deve ser macia mas com força, mostrando boa forma.
  • Partida: Deve mostrar controle e equilíbrio, além do ângulo correto de “aterrissagem” e partida para o tipo de salto adotado.
  • Elevação: O impulso e a altura que o atleta atingem são muito importantes. Um salto mais alto predispõe maior maciez de movimento.
  • Execução: É o mais importante, já que é o salto. O juiz observa a performance mecânica, técnica, forma e graça.
  • Entrada: É muito significativa pois é a última coisa que o juiz vê e que melhor se lembra. Os dois critérios a serem avaliados são o ângulo de entrada, que deve ser próximo ao vertical, e a quantidade de água espalhada, que deve ser a mínima possível.

Após cada salto o árbitro faz um sinal aos juizes com o apito. Os juizes, que não se comunicam uns com os outros, imediatamente mostram suas notas. Um salto é cotado entre zero e dez pontos com um ponto ou menos colocado por cada juiz. A lista das notas e dos significados:



  • 0 – Completo fracasso
  • 0,5 – 2 – Insatisfatório
  • 2,5 – 4,5 – Deficiente
  • 5 – 6 – Satisfatório
  • 6,5 – 8 – Bom
  • 8,5 – 10 – Muito bom

Depois de apresentadas as notas, a mais alta e a mais baixa são eliminadas. O restante é somado e multiplicado pelo grau de dificuldade do salto.


Exemplo: Um saltador recebe as seguintes notas: 6 ; 5 ; 5 ; 5 ; 4 = 6 e 4 são desconsiderados. A soma do restante totaliza 15. Então, imaginemos que o salto tenha o grau de dificuldade 2,0. Assim, teremos 15 x 2,0 = 30,0 que é igual à nota do salto do atleta.

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