Senadores da cpi da pedofilia, polícia federal representante do google se reunem

Senadores da CPI da Pedofilia, integrantes do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e representante do Google se reuniram na tarde desta quarta-feira (23) em São Paulo para definir uma forma de as autoridades receberem com maior facilidade informações relativas ao site de relacionamentos Orkut.

No acordo ficou definido que o Google enviará informações relevantes para investigações através da ONG SaferNet, que centraliza as denúncias de pedofilia on-line no Brasil. Segundo o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que participou da reunião, esse processo poderá agilizar a investigação de casos que envolvam suspeitos de pedofilia. Ele considerou o encontro “excelente”, lembrando que o Google “se prontificou a atender às solicitações”.

Para Félix Ximenes, diretor de comunicação da empresa, a reunião teve mais convergências que divergências. “Tivemos uma receptividade boa, os senadores voltaram à Brasília satisfeitos”, conta. Para Félix, o próximo passo está nas mãos das autoridades.

Fotos e recados

A reunião marcou o encerramento do “primeiro capítulo” da CPI da Pedofilia. O Google entregou fotos, recados e “logs” de acesso dos usuários suspeitos do Orkut. Esse material será analisado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, que vão localizar e identificar os suspeitos.

Pela manhã, a CPI recebeu dados referentes a 3.261 álbuns “trancados” do Orkut — aqueles em que ferramentas de privacidade restringem a visualização do conteúdo. Há suspeita de que as imagens desses álbuns estejam ligadas à pornografia infantil. O material foi guardado em um cofre e a CPI pretende identificar os pedófilos em atuação no Brasil. Após a análise dos dados, os senadores podem pedir abertura de contas bancárias e quebrar sigilos telefônicos.

Operação antipedofilia

A ONG SaferNet, responsável pela denúncia que resultou na quebra de sigilo desses álbuns, estima que essas informações possam gerar a maior operação antipedofilia já registrada no Brasil. “As informações sobre esses suspeitos são bastante recentes e devem ajudar a prender centenas de pessoas envolvidas com a pedofilia no país”, afirmou ao G1 Thiago Tavares, presidente da ONG que defende os direitos humanos na internet.

Todos os perfis associados a esses álbuns foram denunciados pelos próprios internautas à SaferNet, que repassou essas informações ao Ministério Público Federal (MPF), Google Brasil e CPI da Pedofilia. Os dados baseados em denúncias foram coletados entre o dia 29 de novembro de 2007 e 31 de março de 2008 — como foram preservados, de nada adianta os suspeitos deletarem seus álbuns ou perfis.

O fato de os seus álbuns de foto e vídeo estarem virtualmente trancados não permitia a confirmação das suspeitas de que tinham conteúdo criminoso. Ainda assim, a ONG fez 6 mil screenshots (captura de tela) dos perfis dos internautas denunciados, registrando muitos de seus dados pessoais.

A filial brasileira do Google se comprometeu em reunião da CPI da pedofilia a implementar até 1º de julho quatro medidas para combater o problema. A primeira dessas iniciativas é a preservação dos registros de computadores usados para acessar o Orkut por até seis meses, enquanto antes esse prazo era de um mês.

Mudanças

Em uma sessão da CPI da pedofilia realizada no início do mês, o Google divulgou outras iniciativas antipedofilia, além da quebra de sigilo dos álguns. Entre elas estão a adoção de um filtro de imagens que impede a publicação de fotos ilícitas e o apoio para a concretização de acordos de cooperação internacional que visam o combate ao crime. Por último, o Google afirmou que vai usar uma solução de software, hardware e pessoas com o objetivo de atender com mais agilidade às requisições das autoridades brasileiras.

“Já estávamos trabalhando nessas diversas frentes e o que fizemos na CPI foi anunciá-las. O Google passou a colaborar mais intensamente com a Justiça brasileira em setembro e essas iniciativas representam a evolução desse trabalho”, disse Felix Ximenes, diretor de comunicação da empresa.

Na CPI, disse Ximenes, a empresa apresentou 1.032 ordens judiciais atendidas — cerca de 800 delas teriam sido atendidas depois de setembro. Também na sessão, Paulo Sérgio Suiama, procurador da República no Estado de São Paulo, disse que 90% das 56 mil denúncias de pedofilia na internet nos últimos dois anos referiam-se ao Orkut. Atualmente, o país responde por 54% de todos os usuários do site, o equivalente a 27 milhões de pessoas.

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