Todas as explicações sobre as baleias

As baleias, apesar de serem mamíferos, vivem no mar e se parecem em quase tudo com os peixes. Como mamíferos, elas respiram o oxigênio diretamente do ar e são animais de sangue quente, isto é, homotermos: mantêm constante a temperatura do corpo, sem depender da temperatura ambiente. Seus filhotes nascem de parto vivíparo e se alimentam do leite da mãe.

Todas as baleias recebem a classificação cientifica de cetáceos, da palavra grega ketos, que significa “baleia”. Há, porém, dois grupos distintos: as que têm barbatanas e são denominadas misticetáceos, e as que têm dentes e são denominadas odontocetáceos. Exemplo do primeiro grupo é a baleia-corcunda, e do segundo, a orca, conhecida como baleia assassina.


As barbatanas são formações córneas, constituídas de lâminas flexíveis, pendentes do maxilar superior da baleia, à semelhança de uma escova, com pontas franjadas, que se dispõem em duas séries dentro da boca e atuam como filtro, retendo alimentos e expelindo água.


As baleias de barbatanas são, em geral, as maiores. Entre elas, a baleia-azul, por exemplo, pode atingir mais de 30 metros de comprimento. Neste grupo, entretanto, há também baleias menores, que não vão além de 6 metros.


Não é, porém, pelo tamanho que se determinam quais as baleias que pertencem ao grupo dos misticetáceos, e sim pelo modo que se alimentam. Todas as baleias de barbatanas absorvem o plâncton marinho, onde flutuam bilhões de seres minúsculos. Elas filtram a água e retêm esses animálculos. Muitas vezes, também apanham pequenos peixes.



As baleias que têm dentes (odontocetáceos) são, geralmente, bem menores do que as que possuem barbatanas (misticetáceos). Na verdade, a maior de todas as baleias de dentes, o cachalote, pode chegar a 21 metros de comprimento, e a segunda em tamanho nesse grupo, a orça, pode atingir mais de 9 metros. Mas a maioria delas mede entre 3 e 6 metros, e a menor de todas tem apenas 1 metro de comprimento.


A diferença de tamanho entre esses dois grupos tem muito a ver com o modo de cada um se alimentar. As baleias de barbatanas não precisam nadar muito à procura de alimento: elas percorrem apenas a superfície e coletam o plâncton, substância alimentícia. Já as baleias de dentes precisam perseguir a presa e, se fossem maiores, não poderiam desenvolver grandes velocidades.


Assim, os odontocetáceos são exímios caçadores e agem em conjunto para acurralar a presa, tal como fazem os leões lobos para caçar. Atuando dessa forma, as orcas conseguem capturar até um grande urso-polar ou mesmo atacar uma enorme baleia-azul.


As baleias de dentes são as mais conhecidas pela habilidade em conviver e aprender com o homem; treinadas, apresentam-se em muitos espetáculos aquáticos. As mais famosas são os golfinhos, os delfins e as toninhas.


As baleias podem “ver” com o ouvido. É difícil enxergar debaixo d’água. Mesmo nas águas mais claras, não se consegue distinguir nenhum objeto além dos 60 metros, e quanto mais aumenta a profundidade, menor é a difusão da luz e menor se vê. Assim, a uma profundidade de 400 metros, o mar é completamente escuro.


Como que para compensar essa absorção da luminosidade, a água transmite melhor o som; este é propagado na água a uma velocidade quatro vezes maior do que no ar. Esse fenômeno ajuda algumas baleias mais aptas a perceber ou a localizar objetos no mar a longa distância. Tal processo se chama “ecolocação”, e por ele certas baleias conseguem “ver” muito mais longe embaixo d’água do que o fazem pelo ar.


O futuro das baleias e de outros cetáceos é incerto e inseguro. Durante séculos, elas foram caçadas intensamente pelas baleeiras que cruzavam os mares. A moderna tecnologia de pesca intensificou essa matança, graças à construção de barcos velozes, equipadas com arpões especiais, diante dos quais as baleias não têm a mínima chance de fuga. Esse comportamento predatório ameaça seriamente a sobrevivência dos cetáceos, muitos se encontrando perto da extinção. Estima-se que na década de 30 havia cerca de 40 mil baleias em todos os mares; em contrapartida, os cálculos mais otimistas situam entre 650 e 2000 o número de espécimes existente atualmente.


Na esperança de salvar esses poucos, várias nações proibiram ou limitaram drasticamente a caça a determinadas variedades. Dessa forma, em 1967, o Japão, a União Soviética e a Noruega assinaram um acordo – nem sempre cumprido – para proteger a baleia-azul-boreal. Ao mesmo tempo, a Comissão Baleeira Internacional – encarregada de fixar as cotas de captura dos cetáceos para cada país – proibiu em 1972 a caça às baleias-brancas.


Desde de 1987, a caça à baleia com fins comerciais foi proibida, mas ainda hoje o Japão caça baleias-minke, baleias-sei e cachalotes no Pacífico Norte e no Oceano Antártico, alegando fins científicos, enquanto a Noruega caça baleias-minke no Atlântico Norte, por contestar abertamente a proibição internacional.


Todos os cetáceos foram e ainda são caçados por países que vêem neles uma importante fonte de alimento ou de comércio.


Apesar de não se acreditar que a caça comercial para grandes baleias, como a azul, fin, sei, jubarte e franca seja retomada, ela continua sendo uma ameaça potencial devido à persistência desses dois países nos fóruns políticos que decidem o futuro desses mamíferos aquáticos.


Apesar das iniciativas oficiais, a proteção às baleias é tarefa sobretudo das entidades preservacionistas, sediadas em vários países, que buscam não somente o controle da caça, mas também o fim definitivo da matança desenfreada desses habitantes dos mares.


Existem 76 espécies de baleias. Dez providas de barbatanas (misticetáceos) e 66 de dentes (odontocetáceos).


 

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