Você aprendendo um poco mais sobe sua saude! 10

Fruta 100% brasileira, a jabuticaba está em plena safra de norte a sul do país. A possibilidade de ser consumida no pé, em muitos quintais, torna seu sabor adocicado ainda mais especial. Segundo os especialistas, realmente, não lhe faltam atributos. Ela é rica em vitaminas, fibras e sais minerais. Pode ser consumida fresca, in natura, ou se transformar no ingrediente principal em receitas de geléias, pudins, licores e até um tipo de vinho, que, como garante quem já provou, é uma delícia.

Com a popularidade mais do que consolidada, a jabuticaba agora desperta o interesse de pesquisadores, também em nível nacional. São profissionais comprometidos em desvendar os mistérios da fruta, não só no que se refere à sua composição nutricional, mas, principalmente, as características farmacológicas e a presença de substâncias chamadas nutracêuticas, cujo consumo ajuda a prevenir doenças.

Uma dessas substâncias, segundo pesquisa conduzida na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), são as antocianinas, capazes de proteger o coração. Daniela Brotto Terci, química responsável pelo estudo, explica que as antocianinas são as responsáveis pelos pigmentos presentes nas uvas escuras e, conseqüentemente, no vinho tinto. Conforme indica sua pesquisa, na jabuticaba as quantidades dessa substância são superiores às encontradas na uva, ou seja, na comparação entre uva e jabuticaba a segunda saiu ganhando.

No reino vegetal, a antocianina serve para “tingir” a fruta e, conseqüentemente, para atrair os pássaros, fazendo com que espalhem as sementes que vão garantir a perpetuação da espécie. Para a medicina, o interesse nas antocianinas está no seu poder de ação antioxidante. Uma vez em circulação, elas ajudam a varrer as moléculas instáveis de radicais livres e são, por isso, apontadas como grandes benfeitoras das artérias.

Na UFMG, outros estudos vêm comprovando o poder da jabuticaba. Segundo Steyner Côrtes, professor de farmacologia do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), existem diversos trabalhos que constatam a presença, na jabuticaba, das substâncias benéficas ao sistema cardiovascular. Entretanto, não existem outros que tenham avaliado se, do ponto de vista clínico, o benefício realmente ocorre, a exemplo do que foi constatado com a uva e o vinho.

A pesquisa ainda está na chamada fase pré-clínica, mas o pesquisador já comprovou que o extrato de jabuticaba realmente tem efeito vasodilatador. Falta agora desvendar o mecanismo de ação, determinar dosagens ideais e forma de consumo.

Outra pesquisa, também conduzida no ICB, pretende determinar o poder do fermentado de jabuticaba (muitos chamam de vinho, mas o termo só pode ser usado para fermentados de uva). Laila Carline Gonçalves, que desenvolve o estudo, acredita que o impacto da jabuticaba na prevenção da aterosclerose pode ser até maior do que o verificado na uva. “Estudos com o extrato indicaram que a jabuticaba é superior no que diz respeito à presença de compostos fenólicos. Nossa expectativa é que o fermentado mantenha a superioridade sobre o vinho”, explica.

[FOTO2]CONSUMO Como se trata de um produto nativo, um dos objetivos, tanto de Steyner quanto de Laila, ao desenvolverem pesquisas com a jabuticaba, é incentivar o consumo da fruta e instigar a pesquisa da produção de alimentos, até porque, como a maior concentração de substância nutracêutica está na casca, não dá para dispensá-la. Uma opção é batê-la no preparo de sucos e, como elas não se degradam em altas temperaturas, as geléias também são uma boa alternativa de aproveitamento.

Na parte branca, que é a mais consumida, estão presentes ferro, fósforo, vitamina C e boas doses de niacina, uma vitamina do complexo B que facilita a digestão e ainda ajuda a eliminar toxinas. Também na polpa e na casca escura estão excelentes teores de pectina, um fibra indicada para derrubar os níveis de colesterol.

Para o consumo no dia-a-dia, lembre-se de que a jabuticaba é uma fruta delicada, que se modifica assim que é arrancada da árvore. Como tem muito açúcar, a fermentação ocorre no mesmo dia da colheita. A dica é guardá-la em saco plástico, na geladeira, e consumir o mais rápido possível.

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