Você aprendendo um poco mais sobe sua saude! 12

Uma casa que possa ressaltar a natureza interior de cada um e que contribua, com pequenos gestos, para melhorar a qualidade de vida no planeta. A idéia é do arquiteto Carlos Solano, de 53 anos, que mora em Brumadinho, Região Central de Minas. Ele acredita que pessoas comuns é que vão fazer a diferença no mundo, a partir do próprio ambiente em que vivem. “Economizar água, reciclar o lixo, dividir o carro, ser gentil com o outro, plantar uma árvore, mesmo que em vasos de apartamento, são atitudes saudáveis que trazem harmonia e paz, se multiplicadas por milhões de pessoas.”

Para mostrar que esses hábitos podem mudar o rumo dos acontecimentos, como a devastação das florestas e o aquecimento global, é que Carlos Solano trouxe ao Brasil, com passagem por Manaus, Belo Horizonte, Paraná e São Paulo, duas convidadas respeitadas em todo o mundo por suas atitudes em benefício do planeta: a canadense Dorothy Maclean, de 88 anos, co-fundadora da ecovila Findhorn, na Escócia, autora do livro O chamado das árvores, editora Irdin, e Judy Macllister, de 55, conferencista internacional da Findhorn Foundation.

Com dois amigos, Dorothy criou, há 45 anos, a comunidade auto-sustentável na Escócia, que cresceu dentro de valores universais. “Não tínhamos a intenção de inovar, mas tanto Peter quanto Eileen Caddy e eu fazíamos parte de um universo essencialmente amoroso, apesar de termos vivido em ambientes e tido experiências diferentes. Por meio da intuição, tivemos respostas para o sentido da vida”, conta.

Ela é uma espécie de acervo mundial, um exemplo para os amantes da natureza e da dignidade de envelhecer com sabedoria. O caderno Bem Viver conversou com a canadense em sua passagem por Belo Horizonte. Hospedada por Maria das Graças Mendanha Silva, que mora numa casa no alto do Condomínio Vila Del Rey, Dorothy brincou com os micos que iam parar na varanda, tomou suco de abacaxi com hortelã, experimentou pães integrais de ervas com geléia, caldos e recusou passeios por ter provado o doce sabor da hospitalidade mineira.

Para Dorothy, o segredo da longevidade está nos exercícios diários de meditação, que “nos conectam com a nossa divindade interior e com uma visão de mundo mais cooperativa. O que só é possível quando você se torna o que realmente é, um ser amoroso e criativo. Use esse critério em todos os seus atos, escolha amar o que faz, ame o que você é, amem-se uns aos outros. Realmente tente fazer isso, encare o que você não gosta em si e ame-o”.

A convivência de uma semana com Dorothy proporcionou a Maria das Graças a conquista de duas chaves que abrem as portas de uma vida melhor. “Ter alegria e gratidão com tudo e todos e, também, não pensar no que ocorreu ontem. Viver o hoje e o agora plenamente”, conta a anfitriã, que nunca viu uma pessoa levantar todos os dias com tanta alegria. “Ela acorda radiante.”

VALORES Judy Mcallister, que peregrina pelo mundo com Dorothy, também aproveitou sua vinda a Belo Horizonte para falar da vida em Findhorn, “que pode ser aplicada em qualquer casa, de qualquer cidade do mundo. Acho que o mais valioso em nossa comunidade são os valores que vivemos. Naturalmente, nem sempre somos bem-sucedidos, mas tentamos”.

Entre os valores, Judy cita “relacionamentos respeitosos, comunicação clara, viver de forma leve (não-agressiva) sobre o planeta, ser bom vizinho, preferir os produtos locais aos globalizados, optar por alimentos orgânicos, praticar os princípios de reciclar/reaproveitar/reutilizar, cultivar verduras junto aos canteiros de flores, partilhar o carro, usar energia de fontes renováveis (vento, sol, geotérmica), plantar árvores de todos os tipos. Sabemos que toda pequena mudança positiva que cada um faz, provoca uma grande melhoria na comunidade como um todo”.

Judy e Dorothy estão hoje, em São Paulo, onde também lançam o livro e participam de um seminário no Mosteiro da Santíssima Trindade. “Nosso trabalho no Brasil é direcionado a todos que amam a natureza, apesar do foco específico nas árvores, pois elas são essenciais para o nosso bem-estar, tanto como indivíduos quanto como comunidade, e fundamentais para o planeta.”

Para elas, não há uma única atitude para a sobrevivência na Terra. “Devemos considerar um amplo espectro de soluções. Precisamos mudar a nossa forma de pensar e agir, abraçando todas as formas de vida como igualmente válidas e necessárias. Como seres humanos, temos o poder de destruir a vida, talvez, até o próprio planeta. Muitas pessoas não gostam de imaginar que isso possa ser verdade. Ter consciência dessa possibilidade traz um senso maior de responsabilidade”, diz Judy.

Com a mesma energia de um jacarandá, Dorothy sabe que é preciso preservar principalmente as árvores adultas. “Gosto de repetir que as árvores maduras são necessárias. Não é suficiente reflorestar a Terra, porque árvores novas não são capazes de fazer a tarefa de transmutar energias. Se houver escassez de árvores grandes, a paz e a estabilidade da humanidade serão afetadas. Não podemos destruir as árvores adultas sem destruir a nós mesmos.” Para ela, as árvores são a pele do planeta: “Se queimarmos uma grande extensão dessa pele, não sobreviveremos”.

Simples, meiga e com o sorriso de quem, como os poetas, entende e se comunica com os anjos que moram nas árvores, Dorothy diz: “A clara mensagem das árvores para os seres humanos é encontrar o todo e o amor que estão dentro de nós, e agir a partir desses sentimentos”. Como fazermos isso em nossas vidas? “O planeta está sendo cada vez mais atacado pela violência. Ao despertarmos para o nosso tratamento irracional com o mundo natural, começamos a perceber que é preciso pensar sobre a vida na terra como um todo. Nossas escolhas individuais estão afetando todo o planeta.”

FADA MADRINHA Dorothy também veio ao Brasil como madrinha da campanha do arquiteto Carlos Solano, para o plantio de 1 milhão de árvores, que teve início no outono de 2007 e está conquistando todo o país . “Em 2000, fiz algumas fotos para divulgar o lançamento do meu livro sobre feng shui – arquitetura ambiental chinesa –, num dos parques da cidade. Uma dessas fotos me surpreendeu: o que era um pequeno agrupamento de árvores parecia, ao fundo, uma grande floresta. De repente, olhando a foto, me vi como um porta-voz das árvores, como se devesse falar em nome delas. Foi uma sensação de dever ou uma espécie de insight, não sei explicar”, diz.

O fato permaneceu adormecido até 2006, “quando ouvi dizer que a Organização das Nações Unidas (ONU) sugeria o plantio de 1 bilhão de árvores para frear o acelerado e dramático aquecimento global. Na hora, voltou aquela sensação antiga, me lembrei do chamado das árvores. E comecei timidamente a falar sobre o assunto com meus alunos do curso Casa natural e do seminário anual de Feng shui, que reúne pessoas de diferentes estados”.

Solano tomou coragem e convidou voluntários para criar uma campanha que “mostrasse ao grande público como as árvores são importantes para a saúde do planeta, propondo o plantio e o cuidado de 1 milhão de mudas”. No outono de 2007, foi criado o site wwww.ummilhaodearvores.org que se ramificou, gerou frutos e flores para o bem-estar de todos.

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