Você aprendendo um poco mais sobe sua saude! 13

Tumor maligno raro, de diagnóstico e tratamento difíceis, o retinoblastoma deve ser detectado o mais rápido possível. De acordo com as estatísticas, a doença é semelhante em todo o mundo e afeta uma em cada 15 mil crianças do nascimento até os 5 anos. O especialista em oncologia ocular Fábio Borges Nogueira, do Centro Oftalmológico de Minas Gerais, afirma que o retinoblastoma é um tumor intra-ocular maligno, freqüente em crianças, e, se não for tratado a tempo, leva à morte.

“O sinal mais encontrado em pacientes com retinoblastoma é a presença de um reflexo branco na pupila (leucocoria), observado em fotografias ou pela família, dependendo da posição do olhar da criança. Outros sinais freqüentes são: olho torto, ou seja estrabismo, olho vermelho, dolorido, presença de edema palpebral e aumento do volume do globo ocular. Como se pode notar, são sinais muito inespecíficos, que podem ocorrer em outras doenças oculares. Apenas um oftalmologista pode definir o diagnóstico certo”, observa o médico.

Para que seja feito o diagnóstico correto, é preciso que a criança seja submetida a um exame de mapeamento de retina, sob anestesia, ecografia B do globo ocular (ultra-som) e ressonância nuclear magnética do cérebro e da órbita. Confirmado o diagnóstico, ela deverá ser encaminhada também a um oncologista pediátrico.

“O tumor pode ocorrer em um ou em ambos os olhos. Quando acomete os dois, é de origem genética, passando de pai para filho. Tem origem na retina, parte do olho responsável pela visão, e não há predileção por sexo. Quando não tratado, o índice de mortalidade é de 100%. Na maioria das vezes, são os pais que notam os sinais sugetivos da presença do retinoblastoma, mas como desconhecem a doença demoram dias, semanas e até meses para levar a criança ao pediatra e/ou ao oftalmologista. Com o retardo do diagnóstico, há progressão da doença”, alerta o oncologista pediátrico Joaquim Caetano de Aguirre.

O médico explica que, ao se observar uma criança e notar um reflexo branco no olho dela, estrabismo ou olho vermelho dolorido, com sinais de inflamação, é muito importante encaminhá-la imediatamente a um oftalmologista, pois ela pode ser portadora de retinoblastoma. Fábio Nogueira esclarece que o tratamento vai depender da avaliação conjunta dos oncologistas ocular e pediátrico e de um radioterapeuta.

“O tratamento pode variar, desde a retirada de um ou dos dois olhos ao uso de quimioterapia, termoterapia transpupillar (tipo especial de laser), crioterapia (congelamento do tumor), radiação por feixe externo, braquiterapia (dioterapia localizada), terapia gênica ou até mesmo o paciente ser submetido à combinação de algumas dessas técnicas. O tratamento visa em primeiro lugar à vida do paciente, valorizando também a manutenção da visão e depois a estética.”

Nos Estados Unidos, cerca de 300 casos de retinoblastoma são diagnosticados anualmente. Há 100 anos, a mortalidade ocorria em 100% dos pacientes. Hoje, 95% dos casos podem ser controlados, com o diagnóstico precoce associado ao uso de novas formas de tratamento. “Infelizmente, isso ocorre em países desenvolvidos. No Brasil, o diagnóstico ainda tem sido tardio. Há maneiras de diagnosticá-lo precocemente e assim começar o tratamento em fase inicial.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *