Você aprendendo um poco mais sobe sua saude! 14

Incontinência urinária, anorgasmia, dor pélvica crônica, entre outros, são problemas comuns na vida das mulheres, especialmente depois de uma sucessão de partos ou com a chegada da menopausa. Contudo, apesar de comuns, todos esses males, caracterizados genericamente como disfunções no assoalho pélvico, ainda desafiam a medicina.

Segundo o ginecologista João Motta dos Santos, que presidirá em novembro um curso internacional sobre o assunto na Santa Casa de Belo Horizonte, cada um dos problemas ainda é visto isoladamente, o que pode comprometer o tratamento. “Nosso esforço é para que os especialistas tenham uma noção do conjunto que constitui o assoalho pélvico, propondo intervenções baseadas no todo. Qualquer patologia na região não pode ser vista apenas como um caso de proctologia, ginecologia ou urologia”, diz.

Estudos mostram que cerca de 50% de todas as mulheres do mundo, especialmente as mães, sofrem de algum grau de incontinência urinária, numa faixa etária que vai dos 20 anos em diante, tendo como ponto crítico a faixa de 55 anos. A incontinência urinária é também uma via potencial de infecção do trato gênito-urinário: um verdadeiro caminho aberto para infecções.

Outra disfunção é o prolapso genital. O peso das vísceras sobrecarrega os ligamentos, que, estirados, sofrem microlesões, deixando de exercer corretamente sua função de sustentação. A partir daí, órgãos como a bexiga podem sair de sua posição normal, originando o que se chama de prolapso genital. O prolapso de bexiga é popularmente conhecido por bexiga caída.

De modo semelhante, o útero, o reto, a uretra e a própria vagina (que é um espesso tubo de musculatura lisa) podem perder a sustentação da musculatura do assoalho pélvico e descer pelo canal vaginal em direção ao exterior. A correção, em praticamente todos os casos, é cirúrgica. No Brasil, em 2006, mais de 100 mil mulheres foram submetidas a cirurgias para correção de prolapsos genitais, segundo dados do Ministério da Saúde.

Todas as situações que exigem aumento da pressão intra-abdominal (tossir, espirrar, rir, levantar objetos pesados, praticar esportes – principalmente musculação etc) sobrecarregam a musculatura do assoalho pélvico (MAP), enfraquecendo-a progressivamente.

Na gestação, o peso do conjunto das transformações ocorridas no corpo mais os quilos do bebê geram uma sobrecarga de vários meses sobre a MAP. O trabalho de parto, que exige esforço violento desses músculos, acaba por enfraquecê-los ainda mais.

“Independentemente de ser normal ou cesariana, o parto é sempre agressivo, motivo pelo qual é tão comum a incontinência urinária depois de um ou mais partos. A musculatura chega a ser distendida mais de três vezes acima de seu limite máximo”, adverte João Fernando.

Alguns tipos de cirurgia ginecológica também são potenciais causadoras de enfraquecimento da MAP. Constipação intestinal, obesidade e tosse crônica poderiam estar ligados ao enfraquecimento da região.

Como o assoalho pélvico é intimamente dependente do estrogênio (hormônio sexual feminino), a chegada da menopausa pode representar o ápice da perda de força muscular da pelve.

Felizmente, é possível evitar o enfraquecimento e, com isso, prevenir transtornos. Como qualquer outro músculo, a MAP pode (e deve!) ser exercitada, mantida forte, sadia e ativa durante toda a vida da mulher.

O que é assoalho pélvico

Na cavidade pélvica estão órgãos como útero, ovários e bexiga. Ela se estende da sínfise púbica (osso logo acima do clitóris) até o cóccix (pequeno osso logo acima do ânus, final da coluna vertebral). A cavidade pélvida é aberta na parte superior, onde se comunica com a cavidade abdominal, e inferiormente, onde forma uma abertura de cerca de 10 centímetros na mulher adulta, o que permite o parto. Esta abertura inferior é fechada por uma espécie de “cama elástica” chamada assoalho pélvico, que é perfurada por três canais: uretra, vagina e reto. O assoalho é formado por fáscias, ligamentos (que funcionam como elásticos biológicos) e músculos. Em seu conjunto, os 13 músculos que formam o assoalho pélvico são conhecidos como musculatura do assoalho pélvico (MAP).

Funções

• O assoalho pélvico é responsável pela sensação de pressão sentida durante a penetração e em todo o ato sexual.

Ao redor da uretra e do reto, existem bandas circulares de músculos, os chamados esfíncteres, que funcionam como válvulas, que permanecem fechadas na maioria do tempo. Ao urinar ou defecar, a musculatura momentaneamente relaxa, e os esfíncteres abrem. Logo após, eles novamente se contraem, fechando novamente os canais.

A MAP auxilia na função dos esfíncteres, de manter estes canais fechados, evitando a perda indesejável de urina, fezes e flatos e sustenta as visceras pélvicas.

Disfunções

• Com os músculos enfraquecidos, os órgãos pélvicos podem sair de suas posições normais, ocasionando prolapso genital. A partir daí ocorrem incontinências de urina, gases ou fezes de diversos graus, momentâneas ou não, além de diminuição significativa e progressiva do prazer sexual tanto da mulher quanto do parceiro. O prolapso de bexiga ou cistocele é uma das disfunções mais comuns do assoalho pélvico.

Incontinência urinária

• É outro problema bastante comum. Quando uretra e bexiga perdem a sustentação da MAP, a uretra (canal de eliminação da urina) fica parcialmente aberta, permitindo o vazamento involuntário de urina. Além do mais, quando enfraquecidos, os músculos do assoalho pélvico não exercem corretamente sua ação de esfíncter (fechamento por compressão, como em um nó) sobre a uretra, vagina e reto.

Tratamento

• Exercitar constantemente o assoalho é muito importante para manter firme a musculatura da região. Quando o problema já está instalado, pode-se recorrer à fisioterapia, uso de cones vaginais, eletroterapia, medicamentos e cirurgia.

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