Você aprendendo um poco mais sobe sua saude! 5

A advogada Christianne Teixeira Souza Lima, de 36 anos, sempre teve os cabelos encaracolados e cheios, mas a partir dos 20 os fios foram se tornando cada vez mais finos e ralos, até começarem a sumir em determinados pontos. O psicólogo Tarcísio Moreira de Barros, de 61, percebeu os sinais da perda dos cabelos aos 53 anos, bem mais tarde que Christianne, mas de forma mais intensa. Os dois foram diagnosticados com alopecia androgenética, conhecida como calvície, que acomete de 50% a 70% dos homens e de 5% a 20% das mulheres.

Reprodução/ Rooks Textbook of Dermatology

Processo de perda de cabelos nas mulheres

A calvície é desencadeada por fatores hereditários e hormonais, especialmente os hormônios andrógenos testosterona e dehidrotestosterona (DHT). Uma enzima localizada na região da raiz do pêlo é responsável pela transformação da testosterona em DHT, que age nos receptores específicos dos folículos pilosos, a partir dos quais os pêlos são gerados. Essa ação faz com que os cabelos, gradativamente, fiquem menores e mais finos, demorem mais a nascer, até desaparecerem.

Jair Amaral/EM/D.A Press

Tarcício Moreira de Barros está no meio do processo de transplante de unidades foliculares total, sob a coordenação do cirurgião dermatológico João Rogério Regis

A dermatologista Rachel Menezes explica que perdemos naturalmente, em média, 100 fios por dia. A queda aumentada, porém, não significa sempre um sinal de calvície. “Pode ser uma queda transitória, que chamamos de eflúvio telógeno, causada por anemia, doenças da tireóide, uso de medicamentos, estresse emocional ou físico, como pós-cirurgias. Existe também a alopecia areata, chamada de ‘pelada’, que é a queda em placas, em áreas bem circunscritas, inclusive em barbas e sobrancelhas, causada por fatores emocionais.”

De acordo com o dermatologista Ivan Curtiss Silviano Brandão, na queda transitória, quase sempre basta apenas tratar a causa. “Por isso é importante a avaliação de um especialista, para diferenciar os casos. Um dos indicativos de que se trata de alopecia androgenética é quando os fios estão raleando e desaparecendo, sem que você veja para onde eles estão indo, como em travesseiros e ralo do chuveiro.”

Nos casos em que a calvície é confirmada, as opções de tratamento são a finasterida, substância administrada em comprimidos; minoxidil e 17-alpha-estradiol, de uso tópico; ou transplante capilar. “A finasterida bloqueia a produção de DHT em 60%. Os resultados começam a aparecer a partir de três meses a um ano e são melhores em quem está começando a ter sinais de calvície”, explica Ivan.

Apesar de a administração de um comprimido diário de finasterida ter resultados, em média, melhores que as substâncias de uso tópico, o medicamento oral é contra-indicado para mulheres em idade fértil, por causar problemas ao feto, e pode alterar a libido. “Porém, a taxa de pacientes que reclamam desse efeito colateral é de menos de 3%. Além disso, é reversível com a suspensão do tratamento, inclusive para investigar se a causa é realmente o remédio”, afirma o dermatologista. “A dosagem, de 1mg, também é insuficiente para causar impotência, como muitos homens receiam”, completa Rachel.

As causas e, conseqüentemente, o tratamento da calvície em mulheres são mais complexos que os dos homens. “Os casos femininos ainda são nebulosos porque, nelas, a alopecia androgenética não é causada apenas pelo excesso de testosterona, mas por outros fatores ainda não totalmente esclarecidos”, explica Ivan. De acordo com Rachel, se alterações hormonais são identificadas nas pacientes, são prescritos medicamentos antiandrogênicos. “Um deles é a flutamida, mas essa substância é muito tóxica para o fígado e, por isso, o seu uso é apenas para casos selecionados junto com o ginecologista e o endocrinologista”, afirma a dermatologista, lembrando que existem outros antiandrogênicos mais indicados.

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