Você aprendendo um poco mais sobe sua saude! parte 2

Saúde Pública

Arma contra o câncer

Teste de mapeamento dos genes indica predisposição para a doença, atuando de forma preventiva

Maria Tereza Correia/EM/D.A Press

A origem do câncer, na grande maioria dos casos, se dá por conta de hábitos de vida e fatores externos. Exposição ao sol, radiação, alimentação inadequada, produtos químicos ambientais e ocupacionais, cigarro, álcool e vírus abrem portas para a manifestação da mutação celular. Eles são responsáveis por aproximadamente 85% dos diagnósticos. Há, entretanto, 10% a 15% de casos influenciados pela genética. Contra eles, a medicina ganha uma nova arma: o mapeamento dos genes. A partir dele, é possível saber se há predisposição para a doença e atuar preventivamente.

É uma técnica precisa e muito útil para pacientes com histórico de câncer na família. Identificada a predisposição, são adotados procedimentos como a colonoscopia periódica ou medidas preventivas, como o uso de medicamentos quimiopreventivos, e mesmo a realização de cirurgias antes que o câncer se desenvolva, diz o oncologista e coordenador do Serviço de Oncologia do Hospital das Clínicas da UFMG, do Centro Avançado de Tratamento Oncológico (Cenantron) e do Hospital Life Center, André Márcio Murad.

Os tumores de origem hereditária têm algumas características em comum. Costumam se manifestar abaixo dos 45 anos de idade e os pacientes, invariavelmente, têm casos confirmados em parentes. Esses são indicadores da necessidade de se submeter aos testes genéticos. Câncer no testículo, linfomas e leucemias são exceções, pois ocorrem em pacientes jovens sem qualquer predisposição hereditária.

Segundo André Murad, os testes genéticos para detectar uma predisposição hereditária ao câncer são extremamente caros – entre R$ 2 mil e R$ 3 mil e são excepcionalmente oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) – e a simples discussão quanto à indicação de fazê-los pode gerar um quadro de ansiedade, trazendo mais problemas que a própria doença. “Nenhum paciente ou parente direto deve ser submetido a teste genético de predisposição ao câncer sem antes ser amplamente orientado quanto às suas implicações”, afirma. “A decisão quanto à necessidade deve ser feita em conjunto com o oncologista e por um profissional especializado em aconselhamento genético, além de outros médicos, como mastologistas e coloproctologistas. Até porque há repercussões psicológicas quando o resultado é positivo. Pode gerar fobia ou pânico. Dependendo da situação, pode ser até melhor não fazer o exame.”

INDICAÇÃO

Vários fatores são levados em consideração antes de se determinar a realização do teste genético. É preciso a avaliação da história familiar por um profissional com experiência sobre a genética do câncer; propiciar aconselhamento pré e pós-teste, quando se deve incluir discussão sobre os riscos e benefícios da detecção precoce do câncer e métodos de prevenção; implicações do resultado positivo e negativo; opções para estimativa do risco sem a realização do teste; risco de transmitir a mutação aos filhos; e a importância em compartilhar o resultado do teste com os familiares para que eles se beneficiem da informação. “É preciso ter sigilo absoluto com o resultado para evitar discriminação. Um paciente com predisposição detectada poderia ser rejeitado para um relacionamento a longo prazo, por empresas de planos de saúde e até no trabalho, se a informação não se manter confidencial”, avalia André.

Os tumores mais freqüentemente associados a alterações genéticas hereditárias são: câncer de mama, câncer de cólon (intestino grosso) e reto, câncer de ovário e câncer de tireóide. Nem todos os filhos e netos herdam essas alterações. Ainda assim, nem todo indivíduo que herda uma predisposição genética desenvolve câncer. O cenário mais comum de câncer hereditário é o de mulheres jovens com tumor na mama ou ovário devido a mutações nos genes BRCA-1 e/ou 2, e cuja mãe e/ou irmã ou pelo menos dois parentes de primeiro grau também tiveram um desses cânceres em idade jovem.

É comum ocorrer casos de câncer de mama nos homens também. Neste cenário, o teste pode confirmar a predisposição à doença. “Constatada a mutação, antes de a doença se manifestar, aconselhamos a paciente a ter logo seus filhos, para, o quanto antes, retirar os ovários”, ressalta. “Até porque o câncer de mama depende de hormônios para se desenvolver e a retirada do ovário reduz a probabilidade de seu surgimento em 40%, além de evitar o aparecimento de câncer nos ovários em 90% dos casos. Pode-se também optar pela remoção preventiva das mamas ou rastreamento periódico com exames mais sofisticados, como a ressonância nuclear magnética das mamas, mas não se evitaria o aparecimento dos tumores de ovário.

O mesmo procedimento é recomendado para os casos de câncer hereditário da tireóide. Ou seja, retirar o órgão antes do surgimento da doença. Já no câncer de intestino hereditário, dependendo do tipo de doença genética, é indicada a remoção preventiva do intestino grosso nos casos de polipomatose adenomatose familiar. Não ocorrendo os polipóides, pode-se adotar exames periódicos de rastreamento, como a colonoscopia.

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