A seleção do Brasil não usará mais a sua camisa oficial na Olimpíada. A decisão colocou CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e COB (Comitê Olímpico Brasileiro) em rota de colisão.
A queda de braço entre Fifa e COI (Comitê Olímpico Internacional), que solicitou o veto ao uso do uniforme, respingou no Brasil com uma ameaça velada da entidade à viabilidade do país como futura sede dos Jogos -o Rio de Janeiro pleiteia organizar o evento de 2016 e aproveita a Olimpíada para ampliar seu lobby entre os cartolas do Movimento Olímpico.
Ontem, o COI fez um alerta a Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, durante reunião para tratar do assunto, segundo a Folha apurou. A determinação da entidade que controla o esporte olímpico foi clara: a delegação que contrariasse a determinação para a imediata troca da camisa estaria sujeita a sofrer punições financeiras ou sanções administrativas.
Ao argumentar que a Argentina também jogou com sua camiseta oficial, Nuzman escutou como resposta: “”Só que a Argentina não é candidata a 2016″. A declaração causou tensão no encontro e mobilizou o COB a buscar uma solução. Por questões contratuais (COB e CBF usam fornecedores de material esportivo diferente), o impasse foi criado.
Foi o bastante para Nuzman dirigir ao presidente da CBF, Ricardo Teixeira, por intermédio do governo federal, um apelo para que a seleção olímpica não utilizasse mais na China a sua camisa tradicional.
Ainda que com certa dose de contragosto, o argumento de que isso poderia causar dano à campanha Rio-2016 foi aceito para evitar “”constrangimentos ou transtornos”, como divulgou a CBF em seu site oficial.
Internamente, entretanto, a pressão velada enfureceu os dirigentes da entidade que comanda o futebol nacional.
Segundo ela, a decisão de atuar com seu uniforme era respaldada pela Fifa, e as punições não passariam de US$ 1.000 por partida (dos times masculino e feminino).
A própria CBF estaria disposta a bancar a multa com recursos do próprio cofre para não ser obrigada a mexer na configuração do uniforme.
Teixeira, quer não quer ver o futebol ser culpado por um eventual fracasso da candidatura brasileira a 2016, informou a decisão à Fifa.
O COB confirmou ontem ter sido informado da decisão da CBF, mas afirmou desconhecer qualquer interferência.
A seleção feminina de futebol já deve entrar em campo hoje com um outro uniforme.
Ronaldinho, jogador mais experiente e capitão da seleção olímpica masculina, lamentou não poder usar mais a camisa oficial nos Jogos de Pequim.
“”A camisa com as cinco estrelas é um motivo de orgulho para todos nós, jogadores, e para o povo brasileiro. A gente queria muito continuar jogando com ela”, comentou. “Mas, se isso pode atrapalhar a candidatura para 2016, temos de entender e aceitar essa situação.”