A evolução mágica da humanidade

O estudo cuidadoso da obra de um dos principais magos da História, o controvertido Aleister Crowley, revela a crença em uma verdade básica sobre o progresso da Humanidade: a de que evoluimos por etapas, e que cada etapa da nossa evolução corresponde a uma era astrológica e a uma faculdade a ser desenvolvida. Para Crowley, a etapa atual, que ele batizou de Novo Aeon, é marcada pelo desenvolvimento da nossa capacidade de nos comunicarmos com inteligências praeter-humanas, seres que, desprovidos de corpos orgânicos, mesmo assim são capazes de organizar memória e inteligência, e estabelecer o contato conosco.

Esta transição evolutiva da Humanidade foi registrada de forma artística no Arcano XX do Tarot de Toth, elaborado pela artista Frieda Harris a partir das instruções de Crowley. O Arcano reproduz uma estela egípcia antiga, que Crowley rebatizou como a Estela da Revelação, mas com uma diferença fundamental: enquanto no original vemos o sacerdote dirigindo-se ao deus Hórus, a nova versão abole a presença sacerdotal e nos coloca frente a frente com a divindade. Por isto, o Arcano XX do Tarot de Toth é uma das mais poderosas imagens mágicas de que dispomos, sendo utilizada em Magia e Meditação para abrir nossas capacidades de comunicação extraordinárias.

O contato com as inteligências prater-humanas, entretanto, não é novidade. Sempre existiram magos e videntes capazes de estabelecer a comunicação mágica, derivando dela sabedoria, conhecimento e poder. A diferença hoje é que essa habilidade é cada vez menos o domínio misterioso de uma elite, e com o avançar do Novo Aeon, essa capacidade será cada vez mais entendida e difundida, tornando enfim obsoletas todas as formas religiosas onde existe a necessidade do sacerdote como intermediário.

O sistema mágico que mais se identifica com a Nova Era e, talvez por isso, sendo considerado o mais eficiente que existe, é a Magia Enochiana, derivada da obra do mago elizabetano John Dee. A princípio, pode parecer estranho falarmos de modernidade e nos referirmos a uma Magia do século XVI. Mas, Dee e seu assistente, o vidente alquimista Edward Kelly, trabalharam entre 1581 e 1585 apenas recebendo os ensinamentos e técnicas que só seriam colocados em prática quase trezentos anos depois. As inteligências prater-humanas declararam várias vezes ao dois, que a as novas técnicas eram para serem utilizadas na vinda de um novo tempo, onde novos e estranhos homens e governos deveriam surgir. Os manuscritos permaneceram escondidos e desconhecidos por um longo período, até serem recuperados pela Hermética Ordem da Aurora Dourada no final do século XIX, pouco antes do início do Novo Aeon.

O sistema mágico recebido por Dee é geralmente dividido em três partes, ditadas pelos anjos em intervalos separados de tempo. A primeira parte é chamada de Heptarchia Mystica, basicamente um sistema de magia planetária cujos elementos mais famosos são o Anel de Aemeth e o Sigilo dei Aemeth, utilizados a partir da Aurora Dourada na consagração do Templo.

Na segunda etapa, as inteligências mágicas entregaram a Dee o misterioso Liber Loagaeth, ou Livro da Voz de Deus, cujo objetivo declarado era manifestar uma nova era na Terra, mas não foram dadas então instruções sobre como o livro deveria ser utilizado, pois os anjos respondiam que apenas Deus poderia decidir quando seria o tempo certo. Eles também revelaram as letras do Alfabeto Mágico.

Os aspectos mais conhecidos da obra de Dee pertencem ao terceiro período. Os anjos tinham pouco tempo para transmitir todo o seu conhecimento, tendo iniciado em 10 de Abril de 1584 e devendo terminar antes de Agosto. Espíritos maus tentaram pertubar o trabalho, e convencer Dee e Kelly a abandoná-lo. Mesmo assim, o mago e o alquimista vidente conseguiram registrar o mapa dos quatro reinos elementais, as chaves de invocação mágicas e as informações sobre os 30 Aethires, ou planos espirituais que o mago deve percorrer no seu processo de iniciação.

No século XX, a Magia Enochiana se popularizou após os esforços da Aurora Dourada e de Aleister Crowley, tendo sido este a primeira pessoa a percorrer os 30 Aethires, durante uma travessia pelo deserto do Saara, e registrando suas experiências iniciáticas no maravilhoso livro chamado A Visão e a Voz.

Recomendados Para Você:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *