A vigilância epidemiológica da leptospirose

Os objetivos da vigilância epidemiológica da leptospirose são:


  • manter um conhecimento atualizado do comportamento da doença, obtendo assim um diagnóstico da situação epidemiológica;


  • selecionar, priorizar e orientar as medidas de controle adequadas a serem adotadas;


  • prever mudanças no comportamento epidemiológico da doença, face à adoção de medidas de controle.


  • Notificação: todos os casos suspeitos devem ser notificados. É importante identificar todas as fontes de informação (hospitais, clínicas, consultórios, laboratórios, serviço de notificação de óbito, escolas e a própria população), para coletar dados de casos e óbitos da doença, de forma ágil e contínua, levando-se em consideração as formas oligossintomáticas da doença.


  • Investigação Epidemiológica: a investigação epidemiológica deverá ser realizada de forma clara e objetiva, incluindo o preenchimento de uma ficha epidemiológica para cada caso suspeito, devendo compreender os seguintes aspectos:


  • investigação clínica e/ou laboratorial de todos os casos para confirmação diagnóstica;


  • determinação da provável forma e local de contágio, sendo importante pesquisar:


  • contato com água, solo ou alimentos que possam estar contaminados com a urina de roedores infectados; contato com animais que possam estar infectados; condições propícias à proliferação de roedores nos locais de trabalho ou moradia; atividades de lazer em áreas potencialmente contaminadas.

Deverá ser feito o mapeamento de todos os casos para se precisar a distribuição espacial e geográfica da doença (onde está ocorrendo), determinando-se, assim, áreas esparsas ou de aglomeração de casos humanos.


Definição de Caso


Suspeito: é toda pessoa que apresente sinais e sintomas sugestivos da doença como febre, mialgias (principalmente na panturrilha), vômitos, calafrios, alterações do volume urinário, conjuntivite, icterícia, fenômeno hemorrágico e/ou Síndrome de Weil (alterações hepáticas, renais e vasculares). Também é suspeito de leptospirose toda pessoa que apresente sinais e sintomas de processo infeccioso inespecífico, com antecedentes epidemiológicos, sugestivos. Considera-se como antecedentes epidemiológicos:


exposição a enchentes ou outras coleções hídricas potencialmente contaminadas como córregos, fossas, lagos e rios;


exposição a esgoto, fossa ou manilhas de esgoto contaminadas com urina de roedores;


atividades que envolvam risco ocupacional como coleta de lixo, limpeza de córregos, trabalho em água ou esgoto, tratadores de animais, entre outras;


presença de animais infectados nos locais freqüentados pelo paciente.


Confirmado


Critério Laboratorial: sempre que possível, todo caso suspeito será confirmado pelo laboratório.


A confirmação laboratorial segue as prioridades a seguir relacionadas:

isolamento da bactéria a partir do sangue, urina ou líquor;


microaglutinação com soro-conversão, sendo necessárias duas ou três amostras com intervalo de quinze dias, evidenciando aumento de títulos de quatro vezes ou mais;


quando não houver possibilidade de duas amostras, um título igual ou superior a 1:800 na microaglutinação confirma o diagnóstico. Títulos menores (entre 1:100 e 1:800) devem ser considerados de acordo com a situação epidemiológica local;


Critério Clínico-Epidemiológico: todo caso suspeito com clara evidência de associação epidemiológica. Nos casos suspeitos que evoluírem para o óbito sem confirmação laboratorial, amostras de tecido poderão ser encaminhadas para exame imuno-histoquímico.


Análise dos Dados: a associação dos dados dos pacientes em gráficos e tabelas simples, como faixa etária, sexo, evolução do caso, forma de contágio, será útil na determinação do perfil epidemiológico dos indivíduos expostos e em quem está ocorrendo a doença. O uso do diagrama de controle compara a incidência atual da doença com a de anos anteriores e mostrará como ela se encontra no momento (se endêmica ou epidêmica), podendo também prever o seu comportamento e avaliar a eficácia das medidas de controle adotadas.


Deteccão de Áreas de Risco: as áreas de risco serão detectadas após o mapeamento dos locais de contágio de cada caso associados a:


áreas com aglomeração de casos observada no decorrer do tempo; fonte comum de contágio, se houver; fatores físicos/ambientais predisponentes à ocorrência de casos humanos (topografia, hidrografia da região, pontos críticos de enchente, temperatura, umidade, precipitações pluviométricas, pH do solo, aglomerações populacionais, condições de saneamento básico, disposição, coleta e destino do lixo); fatores sociais (condições de higiene e habitação da população, proteção ao trabalhador, hábitos e costumes da população); e uma alta infestação de roedores no local.


Fonte: dtr2001.saude.gov.br

Recomendados Para Você:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *