Abreu, casimiro de

Filho de um rico comerciante português radicado no Brasil, Casimiro José Marques de Abreu nasceu em 4 de janeiro de 1837, na localidade de Barra de São João, RJ, tendo morrido em 18 de outubro de 1860, na fazenda paterna localizada em Nova Friburgo, RJ. O poeta de vida efêmera estudou em um colégio friburguense de 1849 a 1852, ano em que foi para o Rio de Janeiro a fim de trabalhar na casa de negócios de seu pai. Em 1853 embarcou no paquete Olinda com destino a Lisboa, iniciando então, na capital portuguesa, a sua vida literária.


 


Em Portugal, onde viveu durante quatro anos, Casimiro sofreu com a nostalgia que a ausência do Brasil lhe provocava, mas o exílio, conforme dizia, estimulava a sua mórbida sensibilidade de artista. O seu sentimento nativista e a saudades da família levaram-no a escrever em uma de suas cartas: “estando a minha casa à hora da refeição, pareceu-me escutar risadas infantis da minha mana pequena. As lágrimas brotavam e fiz os primeiros versos de minha vida, que teve o título de Ave Maria”. Nesse período ele escreveu a maior parte das poesias em que exaltava as belezas da pátria e cantava as saudades que sentia, delas fazendo parte Canção do Exílio, de 1854; Camões e Jaú, 1856, (drama em um ato representado no teatro D. Fernando); e os primeiros capítulos da incompleta obra Camila, Memórias de uma Virgem (publicados na revista Luso-Brasileira), além do folhetim Carolina (impresso pelo jornal O Progresso).


 


Tendo contraído tuberculose, regressou em 1857 ao Rio de Janeiro. Nessa cidade, colaborou nos periódicos A Marmota, O Espelho, Revista Popular e no jornal Correio Mercantil, trabalhando neste último ao lado de dois jovens igualmente brilhantes: o jornalista Manuel Antônio de Almeida e o revisor Machado de Assis, seus companheiros habituais em rodas literárias. Com o falecimento do pai (ocorrido em 1860) e já gravemente enfermo, buscou alívio para seu mal primeiramente no clima ameno de Nova Friburgo, e depois na fazenda de Indaiaçu, na sua terra natal, aonde veio a falecer em plena juventude, seis meses depois do pai e três meses antes de completar vinte e dois anos, deixando, além do que escreveu em Portugal, o famoso livro de poemas As Primaveras (1859), o único que publicou em vida. Mais adiante, quando da fundação da Academia Brasileira de Letras, o nome de Casimiro de Abreu foi escolhido como patrono da cadeira de número 6.


 


Colocado entre os poetas da segunda geração romântica, Casimiro expressa em suas obras um estilo espontâneo, de emoções simples e ingênuas. Em As Primaveras, ele se envolve com a nostalgia da infância, o gosto pela natureza, a religiosidade ingênua, o pressentimento da morte, a exaltação da juventude, a devoção pela pátria e a idealização da mulher amada, seus elementos preferidos.


 


Suas obras foram Camões e o Jau, teatro (1856); Carolina, romance (1856); Camila, romance inacabado (1856); A virgem loura, Páginas do coração, prosa poética (1857), enquanto As primaveras (1859), foram reunidas na Obras de Casimiro de Abreu, edição comemorativa do centenário do poeta.


Das suas poesias, uma das mais conhecidas é “Meus oito anos”, cujos versos são os seguintes:


 


Oh! Que saudades que tenho / da aurora da minha vida, / da minha infância querida / que os anos não trazem mais! / Que amor, que sonhos, que flores, / naquelas tardes fagueiras, / à sombra das bananeiras, / debaixo dos laranjais!


 


Como são belos os dias / do despontar da existência! / Respira a alma inocência,  / como perfumes a flor. / O mar é lago sereno, / o céu, um manto azulado, / o mundo – um sonho dourado, / a vida. um hino de amor!


 


Que auroras, que sol, que vida, / que noites de melodia, / naquela doce alegria, / naquele ingênuo folgar! / O céu bordado de estrelas, / a terra de aromas cheia, / as ondas beijando a areia  / e a lua beijando o mar!


 


Oh! dias de minha infância. / Oh! meu céu de primavera! Que doce à vida não era / nessa risonha manhã! / Em vez das mágoas de agora, / eu tinha nessas delícias, / de minha mãe as carícias / e beijos de minha irmã!


 


Livre filho das montanhas, / eu ia bem satisfeito, / da camisa aberto o peito, / pés descalços, braços nus. / Correndo pelas campinas / à roda das cachoeiras, / atrás das asas ligeiras / das borboletas azuis!


 


Naqueles tempos ditosos / ia colher as pitangas, / trepava a tirar as mangas, / brincava à beira do mar. / Rezava às Ave-Marias, / achava o céu sempre lindo, / adormecia sorrindo / e despertava a cantar!


 


Oh! que saudades que tenho / da aurora da minha vida/ da minha infância querida / que os anos não trazem mais! / Que amor, que sonhos, que flores, / naquelas tardes fagueiras / à sombra das bananeiras, / debaixo dos laranjais!


 


Espontâneo, ingênuo e de linguagem simples, Casimiro José Marques de Abreu tornou-se um dos poetas mais populares do Romantismo no Brasil. Deixou uma obra cujos temas abordavam a casa paterna, a saudade da terra natal e o amor (mas este tratado sem a complexidade e a profundidade tão caras a outros poetas românticos). Após a sua morte, a localidade de Barra de São João passou a denominar-se Casemiro de Abreu, uma homenagem póstuma prestada ao ilustre poeta, que é, também, o patrono da cadeira nº 6 da Academia Brasileira de Letras, por escolha do seu É o patrono da Cadeira nº 6 da “Academia Brasileira de Letras”, por escolha do seu fundador, o médico, jornalista e escritor José AlexandreTeixeira de Melo.


 

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